Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Construindo Fraternidade

uando abordo a questão da ética em minhas aulas e palestras, observo que as pessoas sempre esperam que o assunto seja simplesmente sobre os políticos e aqueles que lidam com a chamada "máquina pública", ou seja, o Estado propriamente dito. Entretanto, apesar da enorme crise ética em que a nossa política está mergulhada, existem outros aspectos ligados a esse tema que merecem a nossa atenção.

QUEM SÃO OS VERDADEIROS POLÍTICOS?

Ao analisarmos a constituição da sociedade brasileira, percebemos claramente que existem dois papéis distintos e com igual responsabilidade na sua construção: O mandatário (aquele que possui um mandato político, por exemplo: Deputado, Vereador, Prefeito...) e o eleitor.

O primeiro precisa, antes de qualquer coisa, entender que o seu papel é a busca constante do bem comum. Sob esta visão, faz-se necessário lembrar que o bem-estar do coletivo deve ter prioridade sobre o interesse pessoal.

É inadmissível, sob o ponto de vista éticocristão, que o comportamento de um mandatário não esteja em sintonia com essa visão. Ele precisa deixar claro, em suas atitudes, que todo mandato é público e, no mais correto entendimento deste termo, o que é público, tem que ser de todos. Se não fosse assim, não seria chamado de "público" e sim de privado. O processo político democrático administra o "negócio" de todo o povo e não os negócios privados de alguns “picaretas” que ainda existem na nossa política.

O segundo, ou seja, o eleitor, tem uma grande responsabilidade na construção desta sociedade e, por mais incrível que possa parecer, o seu papel é muito mais decisivo do que o papel do mandatário. É ele, e não o mandatário, o grande Político de que a nossa sociedade tanto precisa.

DEMOCRACIA: UMA VIA DE MÃO-DUPLA

Sei que alguns podem estar estranhando ao ver que chamo o cidadão comum de político. Entretanto, se analisarmos o significado dessa palavra, descobriremos que a sua origem é do grego “Polis”, que quer dizer, “Cidade”. Logo, político nada mais é do que o “cidadão que vive ativamente na cidade, respeitando os direitos e deveres nela existentes”.

O cidadão que exerce plenamente a sua cidadania, assim sendo, tem a obrigação de pautar as suas atitudes dentro da promoção do bem comum. Também é inaceitável, sob o ponto de vista éticocristão, que o eleitor troque o seu voto por favores pessoais, por promessas individuais de empregos em gabinetes, por um saco de cimento ou até pela luz do seu condomínio particular.

A nossa conduta tem que ser pautada no interesse do coletivo e, para isso, faz-se necessária a compreensão de um outro papel do Cristão, até mais importante do que votar conscientemente: O de acompanhar o mandatário.

A Democracia, sem essa participação, se torna uma via de uma mão só, ou seja, sem o acompanhamento da sociedade, os “maus mandatários” continuarão atuando livremente. A essa atuação cidadã é que damos o nome de “Cidadania Ativa”. E ela pode ser perfeitamente resumida em uma única palavra: Participação. Com esse envolvimento de todos, certamente poderemos, um dia, mudar o ditado popular que encabeça o nosso artigo deste mês para “Farinha pouca, pouco pirão para todos”.

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