Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Construindo Fraternidade

Caro padre,

Acompanhei com bastante interesse os seus artigos publicados no MJ do ano passado, e quero lhe agradecer porque me ajudaram muito a aprofundar este aspecto vocacional da vida. Eu sou um jovem em “busca”.

Já pensei muito em como viver a minha vida, mas permanece em mim um medo. Gostaria que o senhor me iluminasse mais sobre este medo que sinto dentro de mim e que não sei qual poderia ser a causa.

Anderson 22
Divinópolis – MG

Caro Anderson,

O medo é um sentimento familiar em nossas vidas. Quem já não experimentou algumas vezes um pouco de medo diante de uma prova na escola, ou diante de uma tarefa difícil a ser enfrentada? Só que, muitas vezes, nós sentimos medo mas não sabemos reconhecer do que se trata, isto é, sentimos algo dentro de nós que nos incomoda mas não sabemos identificá-lo.

Um exemplo típico é aquela pessoa que tem medo das novidades. Diante do diferente, de algo novo a ser feito, a pessoa pára e, como que paralisada, se torna incapaz de enfrentar a novidade. Você deve lembrar o que aconteceu com os discípulos no mesmo dia da Ressurreição, quando o evangelista João diz que eles “estavam com as portas fechadas” por medo dos judeus (cf. Jo 20,19).

O medo que os discípulos sentem naquele momento é o medo de perder a vida tal como aconteceu com o Mestre. É o medo de admitir que o Senhor tinha ressuscitado de verdade e sentir o mandato de sair da própria casa para anunciá-lo. É o medo de “arriscar a vida”! Também Maria, diante do anúncio do Anjo de que ela se tornaria a mãe do Salvador, “ficouintrigada... e pôs-se a pensar”. Só se tranqüilizou quando o Anjo lhe disse: “Não temas Maria” (cf. Lc 1,29).

A tendência do ser humano de hoje é aquela de permanecer ancorado a algo que lhe dê segurança, repetindo esquemas de comportamentos já experimentados e que não apresentam riscos. Tem um ditado que diz : “é melhor voar baixo, porque se cairmos, o ferimento será menor do que se cairmos de grandes alturas”.

Anderson, cuidado com estes medos! Se de um lado podem ajudar a pensar bem na decisão que irá tomar, do outro podem chegar até a paralisá-lo e a fechar “as portas” para uma iniciativa ou decisão extraordinária. Digo-lhe mais uma coisa, você pode até estar contente com a vida que vive, mas com certeza Deus está lhe chamando para algo “grande”.

Coragem, Anderson, “corra este risco”, vale a pena!!!

Pe. José Negri, PIME
(47) 355-6261
giuseppe.negri@terra.com.br

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