Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Construindo Fraternidade

Jubileu: Algo a ser Vivido

Como foi bom ver, nos festejos de fim de ano, o 2000 sendo projetado nos prédios, escrito nos céus com fogos pirotécnicos... Isso mostrou-nos com evidência de como, no mundo, a vinda de Cristo realmente um fato que marcou a humanidade. Contudo, ao completarem-se 2000 anos de redenção, muitos são os problemas que ainda oprimem a humanidade.

Aqui entra portanto o convite do Papa: "No limiar do novo milênio os cristãos devem se colocar humildemente diante de Deus para se interrogarem sobre a responsabilidade que eles têm também sobre os males do nosso tempo".

É fácil se queixar dos males que afligem o mundo, mas nós, o que fazemos para que prevaleça o bem? O Jubileu do ano 2000 que começou no dia 24 de dezembro de 1999, com a abertura da Porta Santa, é uma oportunidade para darmos nosso testemunho de fé e renovar a vida.

Como celebrar o Jubileu

O Papa João Paulo II escreveu uma Bula Pontifícia denominada "Incarnationis Mysterium", dando orientações de como devemos celebrar o Jubileu do Ano 2.000. Resumo a seguir os tópicos principais.

1.º Viver intensamente e como Igreja; forte adesão pessoal a Jesus; Igreja comunhão-comunidade; Igreja com novo compromisso missionário em relação ao mundo atual.

2.º Ênfase à conversão pessoal e da Igreja, ao desígnio salvífico de Deus.


3.º Valorização do perdão e da reconciliação das pessoas com Deus, de todos entre si e com a natureza. Destaque ao perdão da Dívida Externa.

4.º Destaque para a misericórdia de Pai, manifestada nas Indulgências, vistas como sinal de confiança naquele amor que é maior que a força do pecado.

5.º Esforço sincero de ecumenismo com todos os demais cristãos e de diálogo com todas as religiões do mundo.

6.º Renovado compromisso com a causa dos pobres. Diz o Papa: "Deve-se criar uma nova cultura da solidariedade e cooperação internacionais, na qual todos, especialmente os países ricos e o setor privado, assumam sua parte de responsabilidade para chegar a um modelo de economia a serviço de toda a pessoa. A pobreza extrema é fonte de violência, rancores e escândalos.

7.º Realizar a peregrinação como sinal simbólico da caminhada de cada pessoa e da Igreja.

Uma palavrinha sobre indulgências

Indulgência tem a ver com graça, pecado, perdão, reconciliação e misericórdia. Ser indulgente é ter compaixão, ter misericórdia com alguém que falhou, errou, pecou.

Quando pecamos atingimos nossa relação com Deus, conosco mesmos, com a natureza e com os outros.

Ao pedir perdão a Deus, na confissão ou fora dela, temos certeza na fé, segundo as condições dadas pela Igreja, de obter o perdão de Deus.

Entretanto, permanecem conosco os chamados "resíduos do pecado" e que não dependem exclusivamente de Deus. Na verdade, além do perdão de Deus, é preciso realizarmos a reconciliação plena conosco, com a natureza e com os outros. Um pequeno exemplo ajuda a esclarecer. Se alguém rouba 100 reais de outra pessoa, ao pedir perdão, Deus perdoa, sim, mas permanece o "resíduo" do pecado, isto é, é preciso pedir perdão a quem foi lesado e devolver o dinheiro roubado.

A Igreja, como delegada de Deus para comunicar seu perdão, assume sua missão, a partir do chamado "poder das chaves": "Eu te darei as chaves do Reino dos Céus. Tudo o que ligares na terra, será ligado nos Céus..." (Mt 16,19) e estabelece as condições, em casos especiais, para que, com o perdão de Deus, aconteça a eliminação dos resíduos do pecado, ou "penas temporais".
A indulgência pode ser parcial ou total e pode ser aplicada aos vivos e aos defuntos (cf. Catec. 1471).

No ano 2.000 haverá a oportunidade para a indulgência plenária de nossos pecados. Não se trata de "adquirir", "comprar" indulgências, mas de realizar algumas condições prescritas pela Igreja para se conseguir o alívio dos "resíduos de pecado": a libertação parcial, ou seja a "reconciliação". Para se obter as indulgências, não basta o perdão, é preciso a reconciliação, isto é, recomeçar com vida nova, na graça de Deus, na caridade consigo, com a natureza e com os outros.

Condições prescritas pela igreja

Visitas a determinadas Igrejas, orações, obras de caridade para com o próximo e garantia pessoal de tentar viver na fidelidade a Deus e no amor ao próximo.

Algumas conclusões

A celebração do Jubileu é uma questão puramente de fé. O que importa é a coerência de nossa fé com a vida em comunhão com Deus e com as exigências da justiça social.

É um grande momento de alegria celebrarmos o nascimento de Jesus e toda a história do cristianismo. Devemos fazê-lo com humildade, já que nestes dois mil anos, nós cristãos fomos muito incoerentes com Jesus e cometemos muitos erros.

O fundamental é aproveitar este Kairós, momento especialíssimo de graça, para firmar nossa conversão pessoal, nosso engajamento comunitário na Igreja e nosso compromisso missionário, por uma sociedade justa, solidária e fraterna.

Ir. Nery, FSC

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