Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Construindo Fraternidade

VALEU A PENA

No dia 15 de julho, 45 missionários(as) da Arquidiocese de Florianópolis-SC partiram rumo a Pintadas, no interior da Bahia, para realizar, juntamente com as lideranças daquela comunidade, as Santas Missões Populares. O pároco é o amigo Pe. Jacob Archer, missionário da Arquidiocese de Florianópolis. Depois de 52 horas de ônibus e percorridos 2.619 km, surgiu no horizonte da caatinga do sertão a tão sonhada cidade de Pintadas.

A acolhida do povo, com cantos, danças, rojões, sino tocando e muita alegria recompensou toda a fadiga da estrada, sofrida por estes missionários de Deus.

Desde o início, todos fomos cativados, criando aquela empatia, elemento essencial para o bom êxito da nossa estadia naquela região, a tal ponto nos sentirmos em casa pois alguns dos nossos, após 10 dias, queriam ficar por lá mesmo. Depois de conhecida a realidade, foram formadas as equipes missionárias e cada uma rumou para a sua comunidade de missão.

Porém, nada de visitas na segunda-feira, pois é o dia da feira livre e, como de costume, todo o povo vai para a rua (expressão que quer dizer ir para a cidade), para comprar, vender, conversar, encontrar os parentes e amigos. E lá foram também os nossos missionários, montados no “pau de arara”, juntamente com o povo.

O VALE TUDO NA OBRA
DA EVANGELIZAÇÃO

Na medida em que as visitas iam se sucedendo, o povo também começou a sentir-se artífice da própria Evangelização, integrando e acompanhando o grupo dos visitadores até à casa do vizinho.

As atividades começavam a partir das 6 horas, quando uma multidão de gente percorria as ruas da cidade para a oração da manhã. Durante o dia, os missionários e missionárias visitavam as famílias. À noite, o povo se encontrava na capela para refletir sobre os temas da missão. Dessa forma, crianças, jovens e adultos foram atingidos, assim como escolas e outras entidades.

A Rádio Comunitária foi muito bem utilizada. Todos os dias, a partir das 5 horas. Lá estava o Pe. Jacob “batendo lata” no microfone da Rádio para acordar e alegrar os ouvintes com o programa caipira “Despertar no sertão”. Às 7 horas começava o programa religioso com a Solange, a Valdirene e o Pe. Toninho, responsável pela animação missionária em Florianópolis. Às 18 horas, com a participação dos missionários catarinenses, a Rádio estava novamente no ar para a “Hora da Ave Maria”.

POVO DE FÉ

A religiosidade do povo baiano nos impressionou. Ele vive seu dia-a-dia confiando e esperando na providência divina. O povo estava alegre, pois fazia “bom tempo” (expressão que significa: estar chovendo). Tinha, assim, água, feijão e farinha, elementos básicos de sua sobrevivência. Era visível no olhar e nos lábios de todos a gratidão a Deus por estes dons da Mãe-natureza.

As celebrações foram sempre dinamizadas com as mais vivas tradições religiosas locais. Percebia-se que o aspecto religioso é a mística que alimenta a esperança e a luta por um amanhã melhor. Ao terminar o ofício religioso, começavam a cantar as “cantigas de rodas”, até altas horas da noite.

No sábado à noite houve uma grande manifestação de religiosidade popular. Dos 4 cantos da cidade, levando tochas luminosas, os fiéis vieram em procissão rumo à praça principal, onde aconteceu uma grande celebração em honra a Nossa Senhora da Imaculada Conceição, padroeira de Pintadas. Grande foi a nossa emoção ao ver aquele povo cantando, rezando e louvando Maria!

No domingo à tarde, debaixo de um sol escaldante, lá estava novamente o povo de Pintadas e de todas as comunidades rurais, acompanhadas pelos missionários, para a missa de encerramento das Missões, presidida por Dom André, bispo de Rui Barbosa.
À noite, encerramos as Santas Missões Populares com uma alegre confraternização do povo com os missionários. Houve danças típicas do sertão, regadas com uma boa buchada de bode (prato local).

Cansados, mas felizes por termos partilhado durante 15 dias da vida daquele povo, enfrentamos mais 52 horas de ônibus para voltarmos às nossas casas. “Valeu a pena”, foi a conclusão unânime. “Sem dúvida, faríamos tudo de novo”.

De fato, como diz uma canção “sempre fica um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas...”. A frase mais ouvida entre os participantes: “recebi mais do que ofereci”.

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