Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Construindo Fraternidade

Não voltei atrás

Não faz muito tempo que eu estava a pé na cidade e, com passos rápidos, corria para o metrô para ir pegar o ônibus no Tietê. Quem mora em São Paulo sabe que nas ruas da cidade há sempre pobres pedindo esmola, procurando algo para comer ou revender: latinhas, papelão..., tudo para conseguir comprar alguma coisinha a mais que necessitam.

Passando pelas ruas, você vê também tambores para recolher lixos, ou caçambas onde os passantes jogam o que não querem mais. Isso se vê sobretudo perto das feiras: no fim, tudo é jogado no lixão. Lá também há pobres que procuram algo que pode ser aproveitado.

Naquele dia, um tanto chuvoso, eu me encontrei com alguém que estava mexendo e remexendo no tambor do lixo. No momento em que olhei, ele retirou um pedaço de mamão e começou a comer. Deu-me nojo, revolta, mas continuei o meu caminho, afinal estava indo pegar o ônibus.

VOLTA ATRÁS!

Enquanto caminhava, mais de uma vez percebi que Deus me dizia no fundo da consciência:

“Volta atrás, conversa com ele, dê alguns Reais para que ele possa comprar uma comida mais decente”.

Tenho certeza que era a voz de Deus, mas também percebi claramente alguém que me dizia: “Deixa de lado, vai-te embora, tu arriscas perder o ônibus, ajuda outro pobre, não importa que seja este. Um vale o outro, afinal, tu ajudas tanta gente... Vai embora”. Era a voz do mal, que é tão difícil de se vencer! Eu fui embora, peguei o ônibus, mas naquela noite não consegui dormir. Insistentemente surgia diante de mim a imagem daquele pobre comendo um pedaço de mamão.

Na vida acontecem coisas das quais nos envergonhamos de termos feito ou omitido de fazer. Sentimos que foram uma traição daquilo que acreditamos e falamos que cremos. Os pobresnão são tais porque querem ou porque sentem uma alegria mórbida em buscar alimento no lixo. O Evangelho, além de ser um código religioso, é o melhor código dos direitos humanos e do respeito que devemos ter para com a vida.

Ninguém pode sentir-se feliz sozinho e nem viver a própria experiência humana se esquecendo dos outros. O medo dos pobres nasce da covardia e do desamor. Pior ainda, muitas vezes os pobres se tornam um meio de autopromoção e degrau para subir e receber aplausos. Não voltei!

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar