Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Crianças
Caros líderes comunitários e professores: Vocês já pensaram que suas atitudes podem tornar uma criança feliz? Nossa sociedade, bem como nossas famílias, encontram-se numa situação em que muitos contravalores ditam as relações sociais. Neste contexto, as crianças são as que mais sofrem, porque são vítimas inocentes e não têm como reagir ao descaso e aos maus tratos. Muitas delas apresentam mágoas e feridas causadas ainda nos primeiros anos de vida. DESAMPARADAS Uma criança pode ficar desamparada, pois seus pais podem vir a faltar por desastres ou doenças. Contudo, há também situações complexas em que os pais ou membros da família vivem, mas se desinteressam da criança ou mesmo fazem-na sofrer por atos de violência e até de abuso sexual. Fatos assim são conhecidos e entristecem a todos. Nestes casos, as crianças carecem dos cuidados mais básicos que um ser humano necessita, pois padecem de fome, frio, agressões e, o que é pior, são obrigadas a viverem sem afeto, sem amor... Tudo isto nos faz refletir. Basta considerar as conseqüências da separação dos pais na vida dos filhos. Perdem a segurança e até a alegria de viver. Assim, são milhões de crianças que precisam ser ajudadas para acreditarem na vida. ACOLHIDAS Nós aprendemos com Jesus: “Deixai vir a Mim as crianças” (Mc 10,14). Essa atenção e o carinho pelos pequenos é o exemplo que o próprio mestre nos dá e exige. Daí o cuidado pela família, incluindo a preparação para o casamento e o acompanhamento dos casais para acolherem os filhos com amor e dedicação. Todo este trabalho pastoral fez nascer uma série de iniciativas em favor das crianças, especialmente as pobres e abandonadas.
É realmente notável o trabalho dos agentes da Pastoral da Criança e do Menor que, no período de dois decênios, têm salvado milhares de vidas e assegurado a tantas crianças o apoio indispensável para demonstrar que são amadas e terem a coragem de viver. NOSSA PARTE Há, no entanto, atitudes que todos devemos assumir no trato individual com as crianças e que são frutos do Evangelho. Aprendemos com Jesus que toda criança é amada por Deus e destinada à felicidade. Somos chamados a sermos irmãos e irmãs, amando-nos como Jesus nos ensinou. A criança tem o direito de nascer e se desenvolver. Temos, assim, o dever de defender a vida. Somos co-responsáveis pelo crescimento harmônico de cada criança. Isto nos obriga a cooperar, a fim de que não faltem as condições de vida, desde o nosso empenho pessoal até a promoção de políticas públicas que garantam alimento, moradia, educação, saúde e orientação para todos. Caros líderes, eis aí um campo amplo de dedicação ao próximo: cuidar com amor das crianças. Como é importante fazer uma criança sorrir! Façam felizes as crianças com a palavra, os gestos de afeto e as iniciativas de apoio às famílias e seus filhos. Lembro-me sempre da palavra de Jesus:
Gosto muito de observar tudo o que acontece na minha vida diária. Sempre gostei de conviver com o povo da periferia e posso dizer que essas pessoas têm muito a nos ensinar. Andando pelas ruas e becos de minha paróquia, Santa Clara e S. Francisco, me chamou a atenção o grande número de adolescentes sentados nas calçadas ou em pequenos grupos conversando e fumando. Mas por que ficam o dia inteiro assim? Jesus conta na parábola da vinha: “Por que estais o dia inteiro ociosos? Porque ninguém nos convidou”, responderam. Até pouco tempo atrás, esses adolescentes eram as nossas crianças abandonadas: sem amor dos pais, sem a proteção social, sem a ajuda da comunidade... Hoje elas são os nossos adolescentes que vivem o drama da parábola de Jesus. A sociedade não os convida para participar da vida. Até pior, pouco se tem para estes meninos e meninas de 14 a 17 anosEm nossos bairros é muito fácil entrar no giro da droga, do tráfico que promete dinheiro fácil. Sem formação profissional, sem a maturidade necessária para a vida, sem saber o que fazer, família pobre, quase todos desempregados, é fácil acreditar nas promessas de certos “amigos”. UM CASO Nosso amigo, um adolescente que representa muitos na mesma situação, nós o chamaremos de Thiago, é de família muito pobre. O pai está desempregado e só a mãe trabalha como diarista. Thiago tem 15 anos e muita vontade de ajudar a família. Quando lhe perguntei o que fazia, ele respondeu:
E foi por essa garra juvenil e por pensar no futuro, que o Thiago bateu na porta do Centro Social Pe. Aldo – CESPAT. “Eu vi uma escrita na porta que dizia que aqui tinha cursos para adolescentes, e eu gostaria de me inscrever e fazer algum curso”. Foi assim que o nosso amigo começou a estudar informática. CESPAT O Centro Social Pe. Aldo tem um projeto chamado “ARTE E CIDADANIA”, que é o pano de fundo para todos os cursos que aqui temos. É nesse projeto que o adolescente vai descobrindo seus valores, seus direitos e deveres. Descobre o que é ser cidadão. Nos encontros de CIDADANIA discutem e conversam sobre assuntos da vida e aprendem a ser cidadãos assumindo cada um suas responsabilidades. Thiago conta hoje: “Aqui no CESPAT aprendi que ninguém vive sozinho e devemos ser solidários com todos. Aqui vivemos da solidariedade de pessoas que nem nos conhecem, mas que dão tudo para nós. Tudo isso é bonito. Eu também quero contribuir com o curso.” O que mais me impressiona é a atitude deste e de outros adolescentes que freqüentam o CESPAT.
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