Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Crianças


Pe. Berendt com uma criança atingida por uma mina

Lute primeiro,
questione depois

urante a Guerra do Vietnã, eu estava cursando o colegial.
Foi um tempo de grande perturbação. Sou também um sobrevivente da Guerra Fria e da crise cubana. Hoje, sou um padre de meia idade, tendo que lidar com a realidade do terrorismo e da nova guerra.

A ordem absurda que vem de Washington é: “Lute primeiro, questione depois”. A história da humanidade está repleta de sangue. Eu me pergunto: será que ouve tempo em que não se necessitou lutar e massacrar pessoas? Não seria uma maravilha viver um longo tempo sem guerras?

Mas não, a guerra, desta vez no Iraque, está novamente sangrando nosso planeta terra. Como americano, o dedo no gatilho do nosso presidente é, para mim, algo extremamente irritante.

SERIA ESTA A ÚNICA SOLUÇÃO?

Indubitavelmente, um homem com más intenções está estabelecido em Bagdá. Mas será que a solução exigiria mais uma carnificina? Será que não foram apontados outros caminhos?

Eu também estou a par de outras guerras que estão martirizando o pobre continente Africano (Costa do Marfim, Sudão, República Centro Africana), onde pessoas e tribos estão se assassinando umas às outras. O que é estranho, no entanto, é que nunca se faz menção disso nos noticiários. Talvez eles não possuam petróleo para que nos preocupássemos com eles.

O QUE É GUERRA?

Enquanto escrevo minhas reflexões sobre a paz, um jornal local, aqui de Detroit, traz um artigo sobre crianças soldados. Alguma coisa equivalente a 300.000 crianças na Ásia e na África são seqüestradas e coagidas a usarem armas e matarem em guerras locais. Estas crianças estão perdidas para a sociedade.

Mas, também aqui, nos EUA, traficantes recrutam crianças para os seus exércitos e enviam-nas pelas nossas ruas para intimidar, matar e vender o produto da morte. As nossas crianças, como as da Ásia e da África, acabarão deseducadas, corrompidas e psicologicamente medrosas para encarar a vida como ela é.

Quem irá ajudar essas crianças a se reintegrarem na sociedade depois dessas horríveis experiências?

O QUE É PAZ?

Paz não é ausência de guerra. Paz comporta: adequadas condições sanitárias, alimentação, água potável e educação que abra para as pessoas a possibilidade de uma vida mais digna.

Paz é a possibilidade de fazer uma escolha de fé, respeitando e procurando viver em harmonia com todos.

Paz é liberdade de expressão, sem medo. É tolerância, respeito, compaixão e misericórdia. Paz é pensar no bem-estar dos outros.

Paz não é simplesmente ausência de guerra. As palavras do apóstolo Pedro podem muito bem concluir esta nossa reflexão: Com efeito, aquele que quer amar a vida e ver dias felizes deve guardar a língua do mal e os lábios de palavras enganosas, desviar-se do mal e praticar o bem, procurar a paz e persegui-la. (1 Pd 3, 10-11).

Pe. George Berendt - PIME
Animador missionário em Detroit (EUA)

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