Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Drogas

uem anda de motocicleta sabe como é necessário controlar a velocidade. Nas curvas o cuidado deve ser maior. Qualquer descuido pode pôr a vida em perigo. Tudo está em saber se controlar. A comparação serve para nos ajudar a compreender o que acontece com o uso da bebida alcoólica. Cada um de nós precisa descobrir a medida certa, pois além da medida, estamos sujeitos a perder o controle. Convém sempre calcular bem a velocidade da motocicleta para não bater na árvore ou desgovernar-se na curva. Assim também na bebida. O controle é indispensável para manter a saúde em forma e administrar bem nossas atividades. É esta fragilidade que todos precisamos aprender a aceitar e a superar.

AS ALTERAÇÕES

Há muitos que, ao longo da vida, foram perdendo o controle da bebida e, pouco a pouco, causaram danos a si mesmos e ao ambiente familiar. A bebida alcoólica altera a saúde e o relacionamento da pessoa, tornando-a nervosa, preocupada e até impulsiva. Em outros casos cai na dormência e na apatia. Conhecemos estas situações que fazem sofrer não só a quem as experimenta, mas também a seus familiares e amigos. Há outras conseqüências dolorosas quando, por falta de controle, o dependente não diz o que deve e modifica seu jeito bom de ser e agir.

Quem não conhece estas situações aflitivas em que a pessoa fica constrangida diante dos outros? Lembremo-nos dos sofrimentos das mães, esposas e amigos ao constatarem momentos de desgoverno da pessoa querida sem conseguir ajudá-la. Como auxiliar as pessoas que se encontram nessa dependência? Como liberá-la desse hábito que vai se tornando sempre mais incontrolável? Com efeito, quantos jovens prejudicaram a própria saúde e causaram tristeza e danos aos próprios familiares e amigos! Pensemos, também, nos graves riscos que podem enfrentar para si e para os outros, quando dirigem carros e máquinas sob o efeito da bebida.

CUIDADO FRATERNO

Além da dedicação pessoal, é importante unirmos as forças para assegurar condições melhores de recuperação aos que sofrem a dependência alcoólica. Este empenho para auxiliar os dependentes a conseguir a sobriedade é uma forma privilegiada de demonstrar a caridade e a solicitude das comunidades cristãs. Nasceu assim, em muitos lugares, a “Pastoral da Sobriedade” para assegurar o interesse e o amparo da comunidade a todos que precisam alcançar a recuperação. Este trabalho fraterno deve se estender também às famílias para que saibam descobrir as atitudes corretas em favor do dependente e fortalecer a esperança. É louvável a atuação dos movimentos como dos “Alcoólicos Anônimos”, AA, que acolhem a todos, garantem a amizade e acompanham com constância exemplar em reuniões freqüentes os que vão se recuperando. Entre outras iniciativas merece todo apoio o excelente trabalho do “Amor Exigente”, fundado pelo Padre Haroldo Rahm.

HÁ SOLUÇÃO

A explicação da dependência alcoólica é múltipla, mas a sua cura requer sempre a compreensão, a paciência e o amor dos familiares e da comunidade, a fim de que a pessoa possa recuperar a sobriedade e a normalidade da vida familiar e profissional. Os que passaram por este caminho, às vezes longo, atestam o valor da oração na qual encontram a certeza do auxílio divino e a alegria de ajudar com a própria experiência.

Outros que precisam vencer a dependência. Para todos os jovens fica a lição de como é importante alcançar o autodomínio, a capacidade de se controlar diante das próprias limitações e fraquezas. Mais ainda: É ato de grande amizade fraterna empenhar-se por aqueles que precisam, na hora certa, de um ombro amigo para se apoiar.

esido em Angra dos Reis, Rio de Janeiro. Sou membro da Paróquia Santíssima Trindade e, há dois anos, freqüento a Pastoral da Sobriedade. Estou em sobriedade há um ano e nove meses. Sou dependente do álcool. No início, algumas vezes cheguei a roubar dinheiro dos meus pais para comprar bebida. Contava mentiras e chegava todos os dias bêbado em casa, fazendo com que toda a família sofresse. Durante boa parte dessa minha dependência eu freqüentava a Igreja e, às vezes, cheguei a comungar mesmo estando embriagado. Perdi vários empregos por causa da bebida, pois bebia no horário de trabalho. Aconteceram-me tantas coisas ruins que se eu fosse contálas, não haveria espaço aqui.

TOMAR CONSCIÊNCIA

Só admiti minha dependência por causa de um outro jovem que tinha dependência cruzada: álcool e maconha. Por achar que eu não era um viciado, fui dar conselhos para esse jovem. Foi aí que me dei conta do meu vício, de minha doença. A partir daquele momento, tomei consciência que tinha que parar de beber. Tomei uma atitude concreta. Fui até a casa da minha irmã pedir ajuda para sair dessa situação. Ela me levou para a Pastoral da Sobriedade. Não foi preciso me internar, apenas comecei a freqüen-tar as reuniões da Pastoral todas as semanas.

Foi preciso porém que parasse de estudar, tendo que me afastar daqueles “amigos” que me faziam cair em tentação. Só por Hoje eu continuo freqüentando as reuniões da Pastoral da Sobriedade. E minha família continua me apoiando muito. Decidi ir além, somente as reuniões não estavam sendo suficientes. Era importante que fizesse o Curso de Formação de Agente da Pastoral da Sobriedade, o que me foi concedido pelo Grupo de Auto-Ajuda. Sinto-me útil, agora já posso ajudar pessoas como eu.

DAR SENTIDO À VIDA

Hoje, além de ser um agente da pastoral, do que muito me orgulho, faço parte de uma banda em minha comunidade como baterista. Tenho duas irmãs catequistas e a outra faz parte de um grupo de oração. Todas começaram a caminhada antes de minha sobriedade. Estou empregado, tenho uma vida nova e voltei a ser feliz! Estou de bem com a vida e principalmente com Deus. Minha família também está feliz. Foi difícil, mas não foi impossível. Aos irmãos e irmãs que estão lendo este testemunho, eu peço: por favor, não entrem no mundo das drogas e da bebida. É muito triste. Sobriedade e Paz, só por hoje, graças a Deus!

Ramílson

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