Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Educação
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É evidente que existe uma dificuldade muito grande para perdoar. Em nível pessoal e coletivo, o comportamento do ser humano continua o mesmo. Grupos em guerra com outros grupos, indivíduos em crise contra indivíduos, marido contra mulher, pais contra filhos, filhos contra pais, pobres contra ricos, ricos contra pobres, religiões contra religiões. E a tônica é sempre a mesma: Eu estou certo e eles estão errados. E se por acaso eu errei é porque eles me pressionaram demais... A culpa não é minha... É argumento dos opressores, dos terroristas, dos fanáticos... Do ser humano, enfim. Para perdoar, às vezes pede-se um autêntico heroísmo e quem não é capaz disso arrisca de levar adiante as mágoas, quando não é ódio, até o fim da vida. Trata-se de situações muito tristes que, muitas vezes, chegam a dividir famílias que eram vistas como exemplo de unidade. Na escola da vida não faltam oportunidades para perdoar, mas, para isso, pede-se uma grande abertura e uma disponibilidade total.
E para que não restasse dúvida alguma, Jesus contou a parábola do devedor implacável: aquele que, devendo muitíssimo ao seu rei e tendo sido perdoado, não soube ser misericordioso para com o companheiro que lhe devia pouca coisa. Resultado: foi-lhe retirado o perdão. Assim Jesus conclui a parábola: Eis como o Pai celeste agirá convosco, se cada um de vós não perdoar, de coração, ao seu irmão (Mt 18,35). Deus pede que a gente perdoe sempre. Custe o que custar. Tenhamos ou não razão! Trata-se de um gesto maravilhoso, divino, podemos dizer, já que só Deus, como afirma a Bíblia, perdoa e esquece, desde que não nos fechemos ao seu perdão. Enquanto não formos misericordiosos, podemos pretender alcançar misericórdia? (cf. Mt 5,7) Aos cristãos, Jesus fez mais uma recomendação: Se estiveres para trazer a tua oferta para o altar, e ali lembrares de que teu irmão tem algo contra ti, deixa a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão. Só depois virás apresentar a tua oferta (Mt 5,23-24). Na prática, porém, vê-se que até em família, e nas próprias comunidades religiosas, é difícil dar o braço a torcer, tomar a iniciativa da reconciliação! E continuamos a levar a nossa oferta diante do altar, embora saibamos que nosso irmão/irmã tem alguma coisa contra nós. É uma exigência do Evangelho que deve ser levada muito a sério! Naturalmente, não devemos confundir perdão com impunidade, pois a ordem social deve ser preservada e os prejuízos devem ser ressarcidos. O que tristemente nem sempre acontece, e com grande prejuízo para os cidadãos.
Infelizmente nós construímos um mundo particular, a nossa zona segura e confortável. Tudo o que sai dessa zona, que se diferencia disso, nos perturba, nos aborrece, nos faz mal. É desagradável e humilhante reconhecer-se limitado. A questão é que o orgulho nos leva para a auto-suficiência, enquanto que, para praticar o perdão, tenho que abrir mão do meu direito de estar certo sempre e em todas as situações. Disso parte a maldita mania de criticar e condenar os nossos irmãos que, sem dúvida, deveriam ser louvados e enaltecidos pelos inúmeros lados positivos que eles têm.
Sentir-se culpado e admitir o próprio erro pode ser fonte de equilíbrio e sinal de maturidade. Acontece porém que muitas vezes constatamos que não sabemos perdoar nem a nós próprios. Sentimos remorsos e sentimentos de culpa que angustiam nossa existência. Mas, o que é este sentimento de culpa? É uma tristeza, um mal estar por fatos errados acontecidos ao longo de nossa vida. É um sentimento de culpa que se resume nesta expressão: Não deveria ter feito isto. Diante disso, o indivíduo é inclinado a se julgar como um sujeito mau, ruim, errado, infiel, incoerente. Nasce assim um sentimento de frustração e de culpa que vai corroendo por dentro, alimentando a tristeza, o fechamento e o mau humor. Infelizmente, este complexo de culpa, longe de nos animar para o crescimento, na busca por grandes ideais de doação e serviço, faz-nos gastar energias em lamentações por aquilo que já ocorreu. Perdoar a si mesmo é restabelecer a própria unidade interior. O auto-perdão é um sim à vida. O amor de Deus é maior que os nossos erros e pode transformá-los em novas perspectivas de vida e de esperanças.
Outros podem não perdoar. Mas o cristão que quer viver
autenticamente sua fé e os ideais evangélicos, deve Depois de tudo que foi dito, não hesitemos em assumir a nossa responsabilidade de sermos misericordiosos, de perdoar, à imitação do nosso Mestre. É uma opção de vida que nos faz olhar para a frente e que só contribuirá para melhorar este mundo cada vez mais angustiado pela falta de fraternidade e de perdão que provoca tantas guerras e divisões. Pe. Paulo De Coppi |
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