Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Educação

oda pessoa assume, em sua família e perante a sociedade, papéis diferentes de acordo com as experiências e as atividades nas quais está envolvida. Entre os múltiplos eventos, que forçam a buscar novos papéis, há o nascimento de um neto. O acontecimento revoluciona os dinamismos das relações dos vários componentes da estrutura familiar, dos pais até os avós.

NASCIMENTO DOS AVÓS

Pode-se escolher o momento de se tornar pai ou mãe, mas não o de se tornar avô ou avó. Mesmo não nascendo de uma escolha pessoal, a relação que surge entre avós e netos é quase sempre algo especial, cheia de afeto e compreensão. Tornar-se avós, no entanto, nem sempre é fácil.

Significa rever e reformular o relacionamento que existe com os próprios filhos que se tornaram pais, estando ao mesmo tempo presente, mas ficando do lado. Significa reacender a lembrança daqueles que foram os seus próprios avós e entrar num novo caminho com os netos que crescem, propondo-lhes valores do passado, mas que eles transformaram e enriqueceram.

AMIGOS MADUROS

Enquanto os pais têm o compromisso e a obrigação de educar, os avós podem estabelecer com os netos um relacionamento mais livre e criativo, daí a importância da presença constante e contínua de avós capazes de serem amigos, alioda ados e partidários dos próprios netos.

Autoritários na justa medida, afetuosos e compreensivos, mais disponíveis à concessão e, acima de tudo, fonte inesgotável de experiência de vida para os menores, os avós mantêm desde sempre um lugar de respeito no coração dos netinhos, tornando-se um ponto de referência essencial e indispensável para a família inteira.

Os laços entre os avós e os netos sempre tiveram o papel de transmitir experiências de vida, valores, educação e cultura, com todo o enriquecimento pessoal e o crescimento que isto envolve. Os avós, desta forma, continuam impregnando esta educação com aquela solidez histórica, graças ao patrimônio enorme do qual são os guardiões, e a um amor feito de escuta e compreensão.

COLO ACONCHEGANTE

Todos nós nos lembramos do que sentíamos quando nossos pais nos diziam: “Hoje à noite você vai dormir na casa da vovó” - o coração se enchia de felicidade. Imaginávamos um lanche de guloseimas, uma noite longa cheia de jogos e de fábulas, um tempo bom e alegre.

As crianças, também hoje ficam contentes ao serem deixadas na casa dos avós, numa atmosfera de liberdade, alimentada pela paciência deles, pelo afeto e pela amizade. Os avós são amigos divertidos, cúmplices daqueles pequenos muito amados, companheiros de jogos e confidentes.

É muito positivo, para crianças que crescem na era tecnológica, ter contato com estes “dinossauros do coração”, uma definição curiosa para mostrar os avós como figuras que representam “as origens e as raízes do nosso mundo atual”.

NARRAR A PRÓPRIA VIDA

Infelizmente, na sociedade atual, existe pouco ou nenhum espaço para os avós, pois o contato com os netos é nulo ou esporádico demais. É uma ausência que, com o tempo, acarreta conseqüências tristes para as crianças, para as famílias, para a sociedade e, em última análise, para toda a comunidade. “Uma geração narra suas maravilhas para a próxima” (cf. Sl 22,31).

O Livro dos Salmos sublinha assim a importância da transmissão de valores e das tradições que fazem parte da nossa rica história de família e comunidade. Avós e pais – apesar destes últimos estarem muito ocupados com o trabalho e a carreira – têm o dever de narrar aos filhos e netos o patrimônio cultural já recebido.

Precisam explicar porque fizeram determinadas escolhas, qual bússola os guiou pelos percursos da vida, qual luz iluminou o seu caminho. Junto aos pequenos, o conto de uma existência se torna motivo de reflexão e as histórias de família assumem os contornos de uma herança que não tem preço e que não pode absolutamente se perder.

NOVOS, MAS OS DE SEMPRE

Há mil modos de ser avós. Cada um vive este papel na base da própria experiência de vida, alguns assumem o papel de avô positivamente, enquanto a consideram uma experiência agradável, um novo motivo de vida que lhes permite manter a própria função geradora; no entanto, para outros, serem avós significa ter ficado velho, inútil, substituído pelos filhos que se tornaram pais, excluídos do campo da educação, chegando a ter uma recusa em assumir o seu novo papel.

Os avós do século XXI, certamente são diferentes aos do passado. Hoje o vovô com a muleta e a vovó na cadeira de balanço não existem mais e está crescendo uma nova categoria de avós e avôs, ainda cheios de vitalidade, que querem curtir o tempo e a liberdade alcançada depois de anos de sacrifício e de trabalho.

Talvez estes avôs e avós não sejam babás o tempo todo, não preparem as tortas e nem contem as fábulas, mas a presença deles será igualmente importante e válida para o crescimento da criança.

A cultura diferente da qual o avô é portador, pode constituir para o neto ocasião para um ampliação dos próprios horizontes e para uma superação das barreiras culturais. É este um dos motivos que fazem muitos estudiosos dedicarem atenção redobrada à figura do avô como fonte de promoção e de diálogo para todos os componentes da família.

TRABALHANDO O TEMA

1. O que fazer para resgatar o papel dos avós nas atarefadas famílias modernas?

2. Conte-nos sua experiência com seus avós (os melhores testemunhos serão colocados em nosso site).

3. Para aproveitar melhor o artigo num encontro, e responder às perguntas, desenvolva a dinâmica "Os Valores" do livro DINÂMICAS, pág. n.º 75, adaptando-a se necessário.

O livro DINÂMICAS é uma publicação do Missão Jovem. Para adquiri-lo, use o cupom do jornal ou ligue: (48) 222-9572. Para conhecer e adquirir pela internet, acesse: www.missaojovem.com.br

Ernesta Ganzo Fernandez
ernestaganzo@terra.com.br

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