Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Educação
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Uma Esmeralda para o Brasil
OS DOIS BRASIS O Brasil não existe. Existem dois Brasis, estranhos e violentos entre si. Um é o Brasil que acumula. O outro é o Brasil que não consegue acumular! Um é o Brasil do carro, da escola particular, da segurança privada, do convênio médico, da viagem ao exterior: 30% dos brasileiros. O outro é o Brasil do ônibus, da escola pública, do INPS: 70% dos brasileiros. Os dois Brasis têm em comum o sentimento de pátria, o esporte, a música e a língua. Todo o resto os divide. Os dois Brasis são dois mundos desiguais, com a diferença que ao Brasil miserável é imposta cruelmente a mesma lógica do Brasil abastado em questões de preços, impostos, juros e taxas de serviços. ACUMULAÇÃO Esse Brasil que remunera alguns com salários polpudos e paga a outros uma hora de massagem do executivo, que tem ampla vocação industrial mas que não consegue distribuir a terra, hospeda um vírus: a acumulação individual. Quem primeiro chega, enche os bolsos. A razão disso é uma só: medo do futuro. Nisto, os cidadãos dos dois Brasis estão equiparados. Para combater o medo do futuro, acumulam no presente. Coisa que só uma minoria consegue. Assim, o ser humano lança mão de qualquer expediente: passa por cima de tudo, de todos, da moralidade, das boas maneiras, do preceito de não roubar, da solidariedade..., como um náufrago que agarra sua tábua de salvação e deixa os outros afundarem. Daí a tentação geral de arranjar-se fora da lei, daí a inviabilidade do controle, daí a impunidade geral. Numa situação de medo do futuro, explica-se por que o latifundiário segura as suas terras, o empresário aumenta o preço dos produtos, o profissional cobra caro e os agraciados com melhores salários nada partilham com os miseráveis, a não ser palavras e desejos. Eis a razão da impossibilidade de fazer reformas sociais no presente. E isso continuará até que a norma fundamental for: acumular, sempre, a qualquer custo, hoje e amanhã, sozinho, sem parar. Qual será o limite da eterna acumulação, diante do futuro inseguro? Cem mil, quinhentos mil, um milhão, mais, o infinito? Isso gera também um estresse social: o médico esquece o bisturi na barriga do paciente, o professor corre de turma em turma sem estudar uma página na semana, o motorista de caminhão dorme no volante dizimando a família que sai de férias, etc. Fica explicado, assim, o espírito da violência que tomou conta dos corpos e das mentes da nação: eu, eu, eu... e os outros. O único lugar de passeio seguro da classe média-alta acaba sendo a jaula do Shopping Center, espaço privado cheio de guardas. Como nos campos de concentração das guerras, a classe média-alta do Shopping Center é vigiada por guardas. VALORES
Em outras palavras, o Brasil sofre de um problema de valores, isto é, de conhecimento dos bens humanos e espirituais a serem escolhidos e promovidos e dos males a serem evitados. Carecendo destes valores, os brasileiros desconfiam um do outro, se agarram ao privado, garantem cada qual a sua sobrevivência futura mediante a acumulação. Seguem-se todos os outros males educacionais, econômicos, sociais, jurídicos, criminais, administrativos, individuais e coletivos. Sem o norte de valores morais profundos, vale o sucesso, o status, o dinheiro, o poder, o carro, a aventura amorosa, a imagem, a carreira, a loteria, o milagre... No entanto, chegando o momento da luta decisiva na vida pessoal e social, onde é indispensável à solidez da alma interior, estes fetiches ou ídolos mostram logo sua total inconsistência e futilidade. O que ou quem fornecerá à nação estes valores? Será que a sociedade brasileira não deveria parar para refletir e procurar uma maior claridade e riqueza interior, que chamamos de alma e, alegoricamente, Esmeralda. Vejamos uma plataforma de valores indispensáveis e que devem ser cultivados:
Com estes valores, os destinos da sociedade brasileira jogam-se numa dimensão bem mais alta e decisiva. É o brilho interior e a energia vital-moral que a nação deve adquirir: o resto será uma conseqüência lógica! Mais que do economista, do sociólogo, do jornalista e do psicanalista, é do sábio que a nação precisa. UM ROTEIRO PARA O BRASIL A nação precisa de uma terapia de choque moral, de uma maratona de valores que interesse e movimente simultaneamente toda a nação. O país deve fazer uma reflexão conjunta, uma espécie de fechamento para balanço, mobilizando escolas, rádios, televisões, clubes, universidades e religiões. Toda a nação deveria concentrar-se num ideário moral, redigido num folheto e exposto em portas e paredes de locais públicos e privados. A urgência da situação o requer. Isso exigirá dos brasileiros a renúncia ao privado em favor do comum, para que todos sejam de verdade pessoas e sócios da sociedade. É necessária uma nova força mental, espiritual e moral. Mas de onde isso virá? As sementes e o secreto da mudança estão principalmente na religião, na universidade e, mediante uma enérgica ação governamental, na televisão. RELIGIÃO, UNIVERSIDADE E TELEVISÃO A Religião: Uma vez considerada pelo governo e pela cultura como algo público e essencial à sociedade, a religião tem uma capacidade extraordinária de orientar para os valores mais nobres e impulsionar as ações necessárias para modificar as estruturas sociais. A Universidade: Sintonizando-se com a dimensão material e espiritual e respondendo a todas as exigências da vida humana, a universidade é imprescindível para lançar na sociedade profissionais que renovem o sangue da nação. Assim fazendo, ela prepara o terreno para a realização de políticas públicas adequadas, contribui para a derrota da acumulação individual, propicia a igualdade de renda e a paz. A Televisão: Uma TV poderosa, sobretudo se for pública, pode modificar rapidamente o Brasil, desde que seja conduzida pelos sábios da nação e faça ressoar para as massas os valores explicitados pela religião e pela universidade. A TV deve ser o lugar do entretenimento iluminado pelos valores da vida e o palco onde a nação encena suas obras literárias, ilustra suas campanhas cidadãs, transmite o belo e o bom da sociedade, torna conhecidos os feitos de seus melhores filhos, mostra com realismo os dramas do existir, debate os grandes temas humanos, incentiva os cidadãos para os ideais mais nobres... ESMERALDA Numa sociedade, o começo de tudo está na mente. Também as situações econômicas e sociais têm início na mente e na alma das pessoas. Esmeralda é calor e luz que vivifica as mentes e, conseqüentemente, as ações. Esmeralda é a interioridade contemplativa, a alma em oração, a virtude individual, a ternura solidária, o sorriso salutar, a gentileza cordial, a ação política, a união comunitária. Podemos ter certeza de que um novo dia despontará no Brasil, quando este se reconciliar com sua alma, quando Esmeralda despontar. Mauri Heerdt PARA REFLETIR: 1- O que você acha das idéias aqui expostas por Antônio Marchionni, visando mudar a situação do Brasil? 2- Quais seriam as suas propostas? |
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