Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Educação

E os filhos chegam!

Na última edição, a partir do livro “Porque escolhi você”, conversamos sobre a conectividade entra as pessoas. E quando os filhos chegam? Qual a importância da chegada dos filhos? Para iniciarmos, vejamos o diálogo entre uma mãe e um psicólogo:

Ela: Ela é tão independente por ser uma menina de 6 anos. Maria é teimosa e rebelde: não faz nada sem discutir cada detalhe. Eu converso com ela até morrer de cansaço!

Ele: A meu ver, Maria é uma menina muito inteligente!

Ela: Ah, sim... Ela é mesmo!

Ele: Com quem você acha que ela se parece?

Ela: O quê?

Ele: De todos que você conhece, quem é mais parecido com ela?

Ela: Bem... Ora! (Ela sorri e suspira ao mesmo tempo.) É bastante óbvio, não é?

Ele: O que é óbvio?

Ela: Sou eu. Ela é exatamente como eu!

COMO OS FILHOS IRÃO FAZER VOCÊ CRESCER

Que bom que muitas vezes conseguimos perceber nosso próprio erro. Nossos filhos, muitas vezes, nada mais são do que o reflexo de nós mesmos. E nós caímos no erro de criticar neles certas atitudes que herdaram de seus próprios pais. Claro, este erro e outros ocorrem porque raramente estamos completamente “preparados” quando nossos filhos chegam. Na verdade, crianças pequenas parecem despertar as nossas mais profundas problemáticas e aflições.

Quando as pessoas têm filhos, parecem mudar do dia para a noite. Todos os tipos de emoções e fragilidades as perseguem. O motivo não é nenhuma surpresa: nós também já fomos crianças um dia. E nossa infância deixou muitas fendas e buracos. Agora que nossos filhos estão viajando pela mesma estrada, aqueles buracos, há muito esquecidos, são novamente um problema. Revisar a própria infância é como um remédio: faz bem a você, mas nem sempre o gosto é bom.

Assim, criar filhos, coloca-o numa jornada de desenvolvimento pessoal excitante e assustadora, a uma completa revisão de sua própria personalidade. Mas permita-nos lembrar-lhe: seus filhos vão fazer você crescer.

RECICLAGEM

Todos nós carregamos uma bagagem oculta. Ninguém chega à paternidade em um estado mental neutro ou sem algum tipo de esperança, medo ou expectativa. Sua infância tornou-o perito em, pelo menos, um tipo de paternidade: o adotado pelos próprios pais. Em todos aqueles anos de formação, você os “filmou”, gravando cada movimento, cada expressão, cada suspiro angustiado. Essas informações estão arquivadas em sua memória, esperando por alguém que aperte um botão para ligá-las.

E então os filhos chegam. Não é possível, mesmo com toda a terapia do mundo, resolver todos os seus conflitos primeiro (antes de engravidar) e, então, estar perfeito para seus filhos. Você pode tentar, mas estará velho demais! Tudo isso funciona de uma outra maneira: a paternidade por si só traz todo o tipo de coisas à superfície e, pensando nelas e conversando com amigos – ou, se estiver muito preocupado, procurando ajuda profissional -, você será capaz de compreender o que está acontecendo.

Uma boa dica é pensar “quantos anos tem meu filho? O que estava acontecendo comigo quando eu tinha essa idade?” E daí procurar descobrir as possíveis causas de suas preocupações. Dessa maneira, é possível ser mais racional e menos emocional. Isso pode ser chamado de paternidade “bem na hora”.

UM EXEMPLO

Uma vez numa clínica apareceu uma família. O filho de quatorze anos havia fugido de casa. Ele passou as noites na rua durante cerca de uma semana, pediu carona por um certo tempo e voltou para casa quando ficou sem dinheiro. Durante a conversa, o médico ficou sabendo que os dois irmãos mais velhos do rapaz – agora com dezessete e vinte anos – também haviam fugido de casa! Era como um ritual de passagem.

O chefe da clínica, um terapeuta familiar extremamente intuitivo, perguntou ao pai:

“Para onde o senhor fugiu quando tinha quatorze anos?”. O pai quase caiu da cadeira. Ele também tivera uma enorme briga com o pai aos quatorze anos de idade e saíra de casa – para sempre! Mas já havia se esquecido disso. “Mas, o que tem a ver isso com o que aconteceu agora?” Os rapazes discutiram e todos concordaram que, quando completavam quatorze anos, o pai se tornava alguém impossível de se conviver – exigente, implicante, deixando-os malucos.

Cada um deles decidiu:

“Tenho que sair daqui”. Depois que retornavam, o pai parecia acalmar-se, até que o próximo irmão chegasse aos quatorze anos! O conceito de “reciclagem” significa que qualquer que seja a idade de seus filhos, você ainda estará “reciclando” àquela mesma idade, aquele mesmo período – atravessando sentimentos similares e se lembrando do que foi feito a você. Isso é ainda mais real quando o filho é do mesmo sexo.

É também mais complicado quando os filhos são muitos. Reciclar pode acontecer até mesmo antes de seus filhos nascerem. A concepção e a gravidez são poderosos desencadeadores de experiências.

PARA TERMINAR...

Mas não é o fim. Isto que estamos colocando para você não se trata de uma cartilha, mas sim de uma chamada para reflexão. Se enquanto você o lia, automaticamente ia lembrando-se de fatos passados em sua vida, refletindo também sobre a educação de seus filhos, um bom caminho já foi percorrido e os efeitos já começaram a serem produzidos. Uma sementinha foi plantada.

Esperamos que você tenha entendido a mensagem. Suas atitudes podem ser reflexo daquilo que você viveu no passado. Então, tudo aquilo que você fizer em relação a seus filhos, poderá refletir no futuro. Muito cuidado com as atitudes e o diálogo na solução de problemáticas que possam surgir. Identifique personagens que podem ajudálo a reviver o passado. E o mais importante: Ame, ame e ame.

Cristian Goes
cristian@missaojovem.com.br

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