Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Educação
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Clone, do grego "klon" (broto), é o conjunto de organismos geneticamente idênticos, derivados de um mesmo indivíduo e por métodos assexuados. Este processo está levantando um grande debate no mundo inteiro A OVELHA DOLLY Há 5 anos, pesquisadores escoceses do Instituto Roslim, de Edimburgo, liderados pelo Dr. Ian Wilmut, apresentaram o surpreendente resultado de suas pesquisas sobre clonagem: a ovelha Dolly, primeiro mamífero e primeiro animal superior gerado por clonagem. O mundo inteiro ficou impressionado com a clonagem da ovelha Dolly. Os cientistas conseguiram reproduzir um animal a partir de sua célula sem que acontecesse um encontro de um pai e de uma mãe com a respectiva troca de células.
Esta, no entanto, não foi a primeira experiência, já que sobre a nossa mesa os clones já chegam há mais tempo, embora não soubéssemos. Faz tempo que a agricultura produz vegetais a partir de mudanças genéticas, provocadas ou naturais. São seleções efetuadas sobre plantas nascidas de cruzamentos sucessivos de exemplares escolhidos para obter as características visadas, importantes para o mercado. Macarrão, pão, bolachas... que comemos vêm de trigos muito diferentes dos que nossos avôs cultivavam. Eles são mais resistentes ao frio, às doenças, aos parasitas. Intervenções genéticas já foram feitas também sobre o milho e a soja. Também as maçãs, os morangos e a alface vem sofrendo alterações e manipulações genéticas para agradar mais aos consumidores. As aplicações da clonagem são economicamente promissoras, mas comportam riscos. Permitem, por exemplo, obter um rebanho de alta qualidade a partir de um único exemplar. O clone resultante, no entanto, pode ser pouco resistente a algum fator natural que pode ameaçar todo o conjunto. Além disso, a reprodução assexuada, por repetir exatamente os mesmos caracteres, reduz as possibilidades evolutivas da espécie. O FURACÃO ITALIANO
Ultimamente, surgem notícias de algo mais concreto sobre a própria clonagem humana. No mês de agosto, o médico italiano Severino Antinori e seus associados afirmaram, durante uma reunião na Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, em Whashington, que a primeira clonagem humana terá início em novembro. Duas centenas de voluntárias, já contratadas, terão implantados no útero embriões produzidos artificialmente por um método que só há poucos anos vem sendo tentado em animais, com resultados estatisticamente desencorajadores. Mesmo assim, o italiano vai tentar produzir a cópia idêntica de uma pessoa a partir de uma célula comum retirada da pele. REAÇÕES Depois do anúncio, a França e a Alemanha pediram à ONU que inicie imediatamente um diálogo mundial para banir a clonagem de seres humanos. A Igreja também atacou, afirmando que tais experiências são nazistas, pois objetivam a formação de uma espécie de raça superior. Só para se ter uma idéia, as 200 mulheres selecionadas para a experiência de Antinori receberão, cada uma, três embriões implantadas no útero. Apenas 30 delas passarão da metade da gravidez. O resultado final é o seguinte: nascerão apenas 8 bebês. No entanto, somente 3 deverão sair sadios do berçário. Ian Wilmut, criador da ovelha Dolly, diante da notícia de que o médico italiano pretendia clonar seres humanos, falou o seguinte: A expectativa em torno da clonagem humana é abortos tardios, crianças mortas e sobreviventes com anomalias. A POLÍTICA NORTE AMERICANA A polêmica acentuou-se depois da declaração do presidente dos Estados Unidos sobre o financiamento federal de pesquisas com células-mãe embrionárias. Diversas vozes, muitas delas de Bispos norte-americanos, vêm se elevando contra essas pesquisas. Vejamos alguns depoimentos: Cardeal Bernard Law, de Boston: Apesar de ter assinalado certos limites, a linha traçada por Bush, a julgar por comentários políticos e científicos, vai ser muito difícil de ser mantida. Dom Sean OMalley, de Fall River: O presente dilema das células mãe embrionárias é a conseqüência direta de uma cultura na qual a criação de uma nova vida humana não se realiza pelo ato de amor conjugal dos pais, mas através do ato técnico em um laboratório. Dom Charles Chaput, de Denver: Aqueles que promovem a destruição de embriões para a pesquisa argumentam que os embriões humanos de clínicas de fertilização estão destinados à destruição, enquanto que podem ser igualmente destruídos em pesquisas úteis para a humanidade. Esta lógica revela uma ética utilitarista que trata as pessoas como um produto de exportação. Como nação, possuímos a inteligência e a criatividade científica para descobrir curas para as doenças de um modo que não assassine a outros neste processo. DISCUSSÃO ÉTICA Uma grande parcela da humanidade consome a cada dia os chamados Alimentos Transgênicos - geneticamente modificados. Este tipo de procedimento é, no mínimo, questionável, pois afirma-se que com a modificação dos genes de alimentos, como o arroz e a soja, se teria uma cultura mais resistente ao ataque de pragas e poderia adaptar-se melhor a determinadas partes do planeta, contribuindo para a queda nos preços dos alimentos. Isso possibilitaria o acesso dos mais pobres aos alimentos. Mas isso não aconteceu nem mesmo em países onde a venda de alimentos geneticamente modificados já é aceita: os preços continuam em alta e nações inteiras continuam a morrer de fome. E o pior é que falta um estudo sobre os efeitos destes alimentos no organismo humano. Para a clonagem humana, os elementos de discussão são muito mais fortes. Por exemplo: Quem definiria as características para perpetuar o extra-ordinário poder de que desfrutaria o grupo autorizado a manipular a evolução do gênero humano? Deve-se entender quantas implicações humanas estão envolvidas. A preocupação aumenta ainda mais pelo fato dos cientistas ainda não dominarem completamente a técnica. As lições da história provam que o uso da ciência também trouxe desastres para a humanidade: basta lembrar da bomba atômica e do nazismo, que tentou formar uma raça superior. Segundo o presidente da Igreja luterana da Argentina, não pertence aos cristãos dizer o que é permitido ou não no campo da pesquisa científica, e nem podem se opor ao avanço da ciência e da tecnologia. Quase todas as descobertas são ambíguas e podem ser utilizadas para o bem ou para o mal. No entanto, devemos nos questionar sobre o grau de consciência e responsabilidade dos cientistas e sobre sua capacidade de controlar as forças que eles podem liberar com seus inventos.
O fato de ser embrião significa o início de uma vida em expansão. Se não for interrompida, nascerá daí uma criança. Não há existência humana que não tenha começado por esse estágio. Portanto, essa nova vida não poderá depender da vontade ou da opção de outros. Não é intenção, de antemão, afirmar que toda a pesquisa envolvendo embriões é ruim. Mas queremos questionar os possíveis perigos da instrumentalização daquilo que já é humano. A vida é sagrada, sempre! Mauri Heerdt PARA REFLETIR: 1.º Você é contra ou a favor da clonagem humana? Por quê? 2.º Quais são as implicações éticas que você aponta? |
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