Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Educação

Amigos do Missão Jovem Tenho um filho adolescente com 13 anos. É um menino normal, estudioso e gosta muito de futebol. No entanto, ando um pouco confusa, pois há algum tempo algumas pessoas começaram a implicar com ele pelo fato de gostar de ficar em casa com a família e de dormir cedo. Muitas vezes, ele pede a nossa companhia para dormir, o que geralmente não ocorre com os meninos da mesma idade.

Será que estamos errando na sua educação, deixando-o livre para decidir se quer ou não sair? Será que o fato de não querer namorar precocemente, como a maioria dos garotos, deve ser considerado como algo estranho? Conversamos abertamente com ele, mas parece estar muito tranqüilo. Será que estou errada em não empurrar meu filho para a rua? Ficarei agradecida se me orientarem.

Daniela, Pouso Alegre/MG

Caríssima sra. Daniela,

A sua carta me dá a oportunidade de apresentar um problema delicado hoje em dia: a relação pais e filhos adolescentes. Nesta relação, é normal que os pais sintam dificuldades em acompanhar o crescimento de seus filhos.

Educar uma criança, em muitos casos, é prazeroso, enquanto que é tarefa difícil educar um adolescente. Se a criança quer ser acolhida, o adolescente quer autonomia, sendo assim mais difícil que o filho adolescente se deixe influenciar. Vou apresentar-lhe dois modelos de “pais” e depois lhe darei um conselho.

PAIS CÚMPLICES

Neste contexto, em que os filhos não são mais crianças, mas também ainda não são adultos, é difícil para os pais buscarem um equilíbrio de educação entre estes dois pólos. Os pais cúmplices ficam para trás, não conseguem se atualizar e continuam sendo pais das suas “crianças”.

Neste modelo, eles acreditam que o adolescente tem sempre razão e, às vezes, ficam com receio de negar os pedidos dos filhos “pretensiosos”. Eles têm dificuldades para fixar limites e controles necessários. Têm medo de magoar, de traumatizar seus “nenéns” e, por isso, delegam suas responsabilidades de controle aos próprios adolescentes.

PAIS A AUSENTES USENTES

Outras vezes os pais se adiantam e tratam o adolescente como se fosse um “pequeno adulto”. “Agora você já é grande e pode fazer suas escolhas!”, “Nós discutimos tudo e não impomos nada se ele não estiver convencido”. Levam em consideração a vontade, importante para a autonomia, mas esquecem que ele ainda não tem a capacidade de agir como adulto. Adiantar-se é o erro do “adultomorfismo”, ou seja, tratar o adolescente como se tivesse alcançado a capacidade do adulto, esquecendo de ajudá-lo a fazer aqueles passos intermediários que são necessários para alcançar a maturidade.

Daniela, no seu caso, seu filho está passando de um mundo para outro, está aos poucos olhando o mundo adulto, mas por hora com saudades do mundo infantil (quer alguém perto antes de dormir). Como ele se sente bem amparado pelo seu afeto e do seu marido, está com um pouco de incerteza sobre o que irá escolher e, por isso, prefere o lugar onde se sente muito bem aceito. O fato de não querer sair significa que está muito bem em sua casa. Um pouco de timidez pode favorecer esta atitude. Não dramatize esta situação já que, por enquanto, é normal que um adolescente se sinta bem em sua casa.

Ajude-o a criar uma certa confiança também com o mundo fora de casa, alertando-o das dificuldades que ele pode encontrar, mas tenha esperança porque ainda existem bons amigos e companhias que procuram valores verdadeiros. Acredito que você e seu marido serão de grande ajuda para o filho de vocês, não tomando as decisões no lugar dele, mas orientando-o a escolher o melhor para ele.

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