Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Educação

No vasto e, muitas das ve- zes, problemático mundo adolescente encontramo-nos (educadores, pais e os próprios adolescentes) submersos em situações desconcertantes.

Como já anunciou o Pe. Paulo na edição passada do Missão Jovem, esta página, em 2003, afrontará temas ligados ao mundo adolescente. Iremos interagir com você, nosso(a) caro(a) leitor(a), catequista, educador(a), pai/mãe e com os próprios adolescentes, com a ajuda de estudos feitos pela professora Tânia Zagury, Mestra em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, e outras pesquisas, depoimentos, livros, filmes, músicas, etc.

Renato Russo, vocalista da banda Legião Urbana, hà alguns anos cantava e emocionava milhares de jovens e adolescentes, que com ele seguiam as baladas do momento, como a música Pais e Filhos “
...É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar na verdade não há... sou a gota d’água, sou o grão de areia, você me diz que seus pais não o entendem, mas você não entende seus pais... você culpa seus pais por tudo... isso é um absurdo... são crianças como você... o que você vai ser quando você crescer...”

Ainda hoje esta e outras músicas do renomado cantor fazem sucesso e continuam sendo cantadas por muitos jovens e adolescentes.

PAIS E FILHOS... RELAÇÃO CONTURBADA

Os questionamentos dos adolescentes, bem como as decisões a serem tomadas pelos pais em determinadas situações, são complexos e muitas das vezes difíceis de se resolverem.

Ambientes onde não se deixa espaço para o diálogo e a mútua compreensão dificultam ainda mais a relação.

Muitos pais, buscando ser “amigos dos filhos” e não sabendo como agir para não caírem no liberalismo extremo ou no autoritarismo, perdem o canal de diálogo com os mesmos.

MAS POR QUE ISSO?

Ao contrário dos adolescentes, as crianças solicitam bem mais aos pais, no que diz respeito a quantidade de solicitações. Já os adolescentes não o fazem com a mesma intensidade. Exigem, todavia, bem mais em termos de qualidade de seus pais e educadores. Um menino de sete anos, por exemplo, pede ao pai que o ajude no dever de casa, conserte a sua bicicleta e, em seguida, que lhe faça um lanche... tudo em menos de meia hora!

O adolescente, por sua vez, não pede muito. Passa semanas sem fazer nenhum tipo de pressão sobre os pais, mas, chegando o fim do mês, pede aos pais para ir passar “uns dias” na praia com “uns amigos”... e então, neste ponto, inicia-se todo um processo que pode resolver-se através do diálogo, da abertura, da confiança, ou terminar em proibições, discussões, insatisfação, revoltas, etc.

O pai/mãe “manero(a)”, “beleza”, “legal” muito facilmente é aquele(a) que concorda com o adolescente. Já o “carrasco”, o “ditador”, o “antidemocrático” é o pai e/ou a mãe que discorda.

Os pais, mesmos movidos pelos melhores propósitos, são muitas vezes bruscamente afastados pelos filhos. O pai/mãe se aproxima com aquela paciência, com aquele jeitinho que aprendeu da vida, ou lendo muito sobre psicologia e comportamento do adolescente, e pergunta docemente:

“Meu filho, que é que você tem? Algum problema, alguma coisa que eu possa ajudar?” Resultado? Freqüentemente recebe por resposta coisas como: “Não tenho nada, pô! Ou: “Num tô a fim de falar...”, ou ainda: “Será que você poderia respeitar a minha privacidade?”

O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

Não é fácil, às vezes, compreender que se trata de uma fase de mudanças e de difícil adequação para o adolescente. O acentuado desenvolvimento físico, o amadurecimento sexual, as modificações, também em nível social, entre outras características deste período, geram insegurança, agressividade, carência.

É bom, contudo, que os pais tomem consciência de que sua relação com seus filhos adolescentes pode ter sido fortemente condicionada já desde os primeiros anos de vida. Se desde pequena a criança é acostumada a fazer tudo aquilo que quer, se nunca aprendeu o sentido de ter um limite e se não se habituou a, eventualmente, levar um “não”, certamente terá uma conturbada relação na adolescência com os pais.

O que gostaríamos de ressaltar é que, mesmo em todos os conflitos, a busca pelo respeito recíproco é primordial para que haja crescimento.

Renato Russo já cantava:“Você me diz que seus pais não o entendem, mas você não entende seus pais...” Como então poderíamos colaborar mutuamente para que o respeito e o equilíbrio na relação pais e filhos possa prevalecer?

ALGUMAS INDICAÇÕES

• Cada um saiba reconhecer que, além de direitos, existem deveres a serem cumpridos no âmbito familiar;

• Cada um (adolescente) assuma algumas pequenas tarefas de responsabilidade em casa, como: buscar a correspondência, levar o irmão menor ao dentista, ir ao banco fazer um pagamento, fazer uma compra na padaria. Enfim, dividir responsabilidades para crescer e viver em harmonia com os pais;

• Rezem juntos! Impossível oferecer uma boa educação aos filhos adolescentes deixando de lado esta prática essencial. Da mesma forma os filhos chamem a atenção dos pais para este valor.

• Vivam dentro de certos parâmetros e limites de acordo com a realidade familiar. Nem o(a) filho(a) deve pretender que os pais assumam despesas maiores que as possibilidades do orçamento familiar e nem os pais se sacrifiquem para criar expectativas econômicas que não são as reais da família. Por exemplo: a menina ao completar os 15 anos recebe dos pais uma festa esplêndida, ficando por isso endividados. Isto é, no mínimo, uma incoerência.

• Tornem a família um ambiente de co-participação, envolvendo e ouvindo a opinião de todos nas decisões.

Aconselhamos o subsídio Fortíssimo Jesus para aprofundar este assunto.
Veja a página 11 do MJ.

O GRUPO PODE AJUDAR

Para oferecer uma continuidade à maravilhosa experiência realizada na Infância Missionária, estão surgindo, em todo o Brasil, numerosos grupos de adolescentes e de jovens missionários. É sobretudo para ajudar estes grupos que nós estamos oferecendo esta página do Missão Jovem. Temos certeza de que eles têm a capacidade de realizar encontros e atividades que os ajudarão no crescimento humano e missionário. Como então aproveitar os quatro encontros do mês de março para estudar o tema proposto?

AQUI VÃO AS DICAS

I.ª Semana: FORMAÇÃO. Realizem um encontro/debate juntamente com seus pais, se puderem, ajudados por alguém capacitado na área, sobre as dificuldades do relacionamento entre pais e filhos.

2.ª Semana: ESPIRITUALIDADE MISSIONÁRIA. O grupo poderá organizar, com a finalidade de interiorizar os conteúdos refletidos no encontro anterior, um momento de oração, enriquecido com testemunhos.

3.ª Semana: EMPENHO MISSIONÁRIO. O grupo poderá se dividir em equipes e visitar famílias realizando entrevistas com pais e adolescentes sobre as dificuldades encontradas em seus relacionamentos. O resultado será apresentado no quarto encontro.

4.ª Semana: VIDA DE GRUPO. Nesta semana poderá ser realizado um passeio, organizado e realizado com os pais, ou realizando diversas atividades recreativas e dinâmicas relacionadas ao tema.

Cada Equipe traga o resultado da pesquisa.

CONCLUINDO

Neste campo do relacionamento entre pais e filhos teríamos muito, mas muito mesmo a escrever... Ficamos por aqui. O importante é que vocês se empenhem a descobrir novos rumos para um melhor relacionamento, feito de abertura e respeito recíprocos. Gostaríamos que nos enviassem algo sobre como foi a experiência realizada em março sobre o assunto.

Temas dos próximos meses:

Adolescentes por um mundo unido
Adolescência e drogas
Adolescência e política
Adolescência e vida profissional
Adolescência e sexualidade
Adolescência e religião.

Mande o quanto antes suas opiniões e questionamentos sobre estes temas.

Pe. Cláudio M. Cassiano Cordovil - PIME
pe.claudio@missaojovem.com.br

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