Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Educação

A reflexão sobre participação leva necessariamente a outro ponto importantíssimo: a cultura reinante. Sabe-se que somente o ser humano é portador de cultura; por isso, só ele a cria, a possui e a transmite.

As sociedades animais e vegetais a desconhecem. Os hábitos, idéias, técnicas, valores... compõem um conjunto, dentro do qual os diferentes membros de uma sociedade convivem e se relacionam.

Desde o momento em que é posta no mundo, a criança começa a receber uma série de influências do grupo em que nasceu: as maneiras de alimentar-se, o vestuário, a cama ou a rede para dormir, a língua falada, a identificação de um pai e de uma mãe e assim por diante. À proporção que vai crescendo, recebe novas influências desse mesmo grupo, de modo a integrá-las na sociedade da qual participa.

O professor Reinaldo Dias afirma que se realizarmos uma pesquisa sobre a história humana desde os tempos mais remotos, verificaremos que as pessoas sempre viveram em grupos. A própria existência fora do grupo é de difícil aceitação para o ser humano. Podemos afirmar com relativa segurança que a vida em grupo é que transforma o animal homem em um ser humano. Sem contato com o grupo social, o homem dificilmente pode desenvolver as características que chamamos humanas.

Individualmente o ser humano age como reflexo de sua sociedade, faz aquilo que é normal e constante nessa sociedade. Quanto mais nela se integra, mais adquire novos hábitos, capazes de fazer com que se considere um membro dessa sociedade. Esses padrões são justamente a cultura da sociedade em que vive.

Esses elementos culturais permitem mostrar que a cultura está ligada à vida do ser humano, de um lado, e, de outro, se encontra em estado dinâmico. A cultura se aperfeiçoa, se desenvolve, se modifica, continuamente, nem sempre de maneira perceptível pelos membros do próprio grupo. É justamente isso que contribui para seu enriquecimento constante.

Se vivemos numa sociedade individualista, é claro que a implantação de novas formas de organização não ocorre de um momento para outro. É um processo, às vezes de longa duração. No entanto, como pode se perceber no conceito de cultura, não é um processo impossível, pois a cultura é a tensão entre o que está posto e o que está por vir.

Esse processo é dificultado pela formação autoritária e burocrática inculcada pelo meio social (familiar, escolar, profissional, político etc). Por isso, sem nenhuma sombra de dúvida, uma das grandes dificuldades para o Brasil desenvolver o sistema participativo é cultural. A cultura brasileira, infelizmente, é centrada no indivíduo. E, no sistema participativo, é preciso aprender a colocar os interesses do grupo acima dos individuais.

Características do tipo:

algumas pessoas devem mandar e as outras devem obedecer, que uns sabem e outros não sabem nada... são realidades que foram construídas ao longo de anos de vida e a mudança exige tempo e acesso a uma educação participativa.

O trabalhador foi educado para obedecer ordens e não para pensar, para ser resignado e não criativo e competitivo.
Tudo isso se desenvolveu ao longo dos séculos de cultura colonial marcados pela escravidão.

Mas, poderia-se questionar sobre os motivos de uma pessoa participar em projetos coletivos, em organizações, na escola, na família, etc. Em primeiro lugar, a participação não é somente um instrumento para a solução de problemas mas, sobretudo, uma necessidade fundamental do ser humano, como o são a comida, o sono e a saúde.

A participação é o caminho natural para a pessoa exprimir sua tendência inata de realizar, fazer coisas, afirmar-se a si mesma. Além disso, sua prática envolve a satisfação de outras necessidades básicas: valorização, expressão, relacionamento...

Francis Fukuyama, cientista político, descreve em seu livro The Great Disruption que a desagregação social e o individualismo delirante que a acompanham já começam a declinar porque o ser humano é naturalmente um ser social, e encontrará soluções apropriadas por estar aparelhado geneticamente para formar comunidade com seus semelhantes.

A participação envolve também a satisfação de necessidades básicas, tais como a interação com os demais seres humanos, a auto-expressão, o desenvolvimento do pensamento reflexivo, o prazer de criar e recriar coisas e, ainda, a valorização de si mesmo pelos outros.

É importante lembrar que a prova de fogo da participação não é o quanto se toma parte, mas o como se toma parte. Aqui vale ressaltar um exemplo bem característico da sociedade brasileira: a insatisfação com o sistema político por parte da maioria do povo talvez se deva ao fato de os cidadãos “participarem mas não participarem efetivamente”, pois sentem que somente são procurados para participar em tempos de eleição.

Daí a necessidade do investimento maciço em educação. Pois a democratização cada vez mais intensa do conhecimento tem gerado uma demanda por massa de educação, entre outras coisas. Não há dúvida de que a educação é uma das premissas para a participação, seja educação técnica quanto educação de valores necessários à coesão e convivência de grupo.

Também é importante ressaltar que a participação é mais genuína e produtiva quando o grupo se conhece bem e se mantém bem informado sobre o que acontece dentro e fora do ambiente. A qualidade da participação fundamenta-se na informação veraz e oportuna. Isto implica num contínuo processo de criação de conhecimento pelo grupo, tanto sobre si mesmo como sobre seu ambiente.

A participação real, para concretizar-se e não ficar no plano simbólico, precisa também de certas ferramentas operativas, isto é, de certos processos através dos quais o grupo realiza sua ação transformadora sobre seu ambiente e sobre seus próprios membros.

Apxsar dx minha máquina dx xscrxvxr sxr um modxlo antigo, funciona bxm, com xxcxção dx uma txcla. Há 42 txclas qux funcionam bxm, mxnos uma x isso faz uma grandx difxrxnça.

Às vxzxs mx parxcx qux mxu grupo x´ como a minha máquina dx xscrxvxr. Qux nxm todos os mxmbros xstão dxsxmpxnhando suas funçõxs como dxviam.

Vocx dirá: “Afinal sou apxnas uma pxça sxm xxprxssão x sxm dúvida não farxi difxrxnça ao grupo. Xntrxtanto, uma organização para podxr progrxdir xficixntxmxntx prxcisa da participação ativa x construtiva dx todos os sxus componxntxs.

Na próxima vxz qux vocx pxnsar qux não prxcisam dx vocx, lxmbrx-sx da minha vxlha máquina dx xscrxvxr x diga a si próprio:

Xu sou uma pxça importantx do grupo x os mxus sxrviços são muito nxcxssários.

O defeito foi sanado. O texto da mensagem, agora, é claro e positivo. Sinta a diferença de uma “simples peça”.

Participe, integre-se, trabalhe em favor de seu grupo.

Pode-se destacar:

a) o conhecimento da realidade: como agir sobre uma realidade? Como transformá-la sem conhecê-la?
b) a organização: pode-se dizer que a participação tende para a organização e que a organização facilita e canaliza a participação.
c) a comunicação: a intervenção das pessoas na tomada de decisões requer pelo menos dois processos comunicativos: o de informação e o de diálogo.
d) a educação para a participação: como os demais processos sócio-humanos, a participação pode ser aprendida e aperfeiçoada pela prática e a reflexão.

Dentro de todo grupo existem diferenças individuais de comportamento participativo. Cada membro participa de uma maneira diferente. A variedade de maneiras de participar é uma força positiva para a dinâmica do grupo, mas, ao mesmo tempo, exige uma tarefa de coordenação e complementação, que é função de todo o grupo e, especialmente, de suas lideranças. Os líderes e agentes educativos precisam saber aproveitar as diferenças individuais construtivamente na participação.

Promover espaços participativos é educar para a vida. Somente assim será possível o respeito e a valorização das diferenças presentes em nosso território brasileiro. Se isso não acontecer, alguém será excluído, e esse alguém com certeza será o mais fraco.

Este é um desafio e um compromisso da escola e de outras intituições para a formação de uma sociedade democrática, justa, igualitária e solidária.

Mauri Heerdt

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