Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Educação

“Tenho uma filha de dezesseis anos que, como todos os amigos dela, de um tempo para cá pede com insistência para se divertir, aos sábados à noite, na danceteria.

No começo, nós adiávamos a licença, mas depois tivemos que ceder. Os primeiros fins de semana foram terríveis: até que ela não voltasse para casa nem conseguíamos dormir.

Quando chegava o sábado o ar se tornava irrespirável. Devíamos encontrar uma solução, para não morrermos de angústias ou obrigá-la a não freqüentar seus colegas.

Veio-me então à mente o carro do meu marido... A intuição foi brilhante”.

No sábado à noite, a senhora toma o carro com a filha e as duas vão para a danceteria. Ali estacio-nam, a moça vai com os amigos e a mãe veste seu pijama e pega num livro até adormecer. Pela madrugada, a moça bate à porta do carro, a mãe acorda e juntas voltam para casa, felizes e contentes.

O psicólogo Paulo Crepet comenta assim o episódio: “Pergunto àquela senhora: Até quando durará esta história? Haverá um dia no qual não poderá levar a filha à danceteria com o carro. Como então passará aquela noite? Confiará nela? Ela se tornou autônoma e responsável, capaz então de se governar sozinha? Estimar-se, querer-se bem, quer dizer ter alcançado um justo nível de autonomia, saber quando pode contar com as próprias forças.
Talvez aquela mãe pense mais na própria angústia do que no crescimento da moça”.

Educar os filhos à responsabilidade é, para os pais, uma tarefa lógica e importante, tornada hoje mais difícil pelo fato de os jovens parecerem filhos do prazer, acostumados a ter tudo e logo, convencidos que a transgressão é sinônimo de liberdade, o dever uma prepotência e a moralidade uma forma de fraqueza.

O importante é que a educação ajude os filhos a formarem uma consciência e a dar-lhes o instrumento mais importante para viver como seres humanos. É este o verdadeiro “centro de gravidade” da pessoa, uma indispensável bússola interior para a viagem da vida. No entanto, constata-se que uma boa parte dos adolescentes hoje são simplesmente “inconscientes”.

A consciência é a zona mais íntima, mais profunda e secreta onde o ser humano vê as coisas com sua inteligência, onde as avalia: “Isto é bom... aquilo não é; isto é justo... aquilo é injusto”.

A consciência é o núcleo mais secreto e o sacrário do ser humano.

Para iniciar a construção de uma casa tão delicada, são necessários andaimes firmes. Daí a necessidade que os filhos descubram a existência dos deveres. Estes não são imposições autoritárias, não mortificam, mas fazem a grandeza do ser humano.

Todos se apressam para explicar e evidenciar os direitos, mas, geralmente, sem referência aos deveres.

O dever, no entanto, se encaixa numa dinâmica de desenvolvimento e de crescimento.

Na construção de si mesmo, os deveres se tornam pilares seguros e pontos de orientação. São o instrumento mais apto para tornar os filhos felizes e autenticamente autônomos.

Os pais precisam ter um projeto para os filhos, idéias sobre seu desenvolvimento e caminhos para lhes indicar.

É difícil para uma pessoa que cresce e que ainda pouco conhece do mundo que o circunda, construir-se como pessoa autônoma sem que alguém lhe dê indicações, lhe apresente possibilidades ou indique estratégias de comportamento. E isso não somente em relação a si mesmo e às próprias exigências, mas também em relação aos outros, à família, ao grupo e à comunidade.

Os âmbitos de responsabilidade devem ser estabelecidos com serenidade e sabedoria. Certamente algumas regras não escapam de ser outras tantas proibições, sendo destinadas a manter os meninos e adolescentes longe de comportamentos potencialmente destrutivos, em nível físico ou emocional, para si e os outros.

Os pais sejam claros pelo que concerne os deveres de escola, os relacionamentos com os amigos, o outro sexo, o automóvel, a gestão do dinheiro, o álcool, as drogas, etc.

Numa família sadia, cada um tem deveres que devem ser cumpridos para a vida correr bem. Os adolescentes também tenham responsabilidades que facilitem a vida dos demais componentes da família.

É de suma importância que os pais acompanhem sempre as demonstrações positivas de responsabilidade dos filhos com manifestações de confiança e de estima.

Bruno Ferrero

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