Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Educação
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PRETEXTOS Para justificar a ação militar no Iraque, foram utilizados os mais variados pretextos. Vejamos alguns: 1.º Saddam Hussem detinha armas de destruição em massa, sejam nucleares, como também químicas ou biológicas. Para Washington e Londres, Saddam não hesitaria em utilizar tais armas para impor seu domínio no Oriente Médio. Bush e Tony Blair insistiam na mídia, que as supostas armas de destruição em massa poderiam ficar à disposição de terroristas. A ação militar no Iraque era portanto justificada. No entanto, no dia 22 de abril do corrente ano, Hans Blix, Chefe dos inspetores de armas da ONU, denunciou que os Estados Unidos e o Reino Unido, através de seus serviços de inteligência, falsificaram documentos para justificarem a guerra contra Saddam Hussein. Entre os documentos falsos constava um que descrevia um suposto contrato entre Iraque e Niger, pelo qual o país africano exportaria 500 toneladas de urânio para o Iraque. O brasileiro Hugo de O. Piva, major-brigadeiro reformado que participou, no final da década de 80, do acordo de cooperação militar e tecnológica entre o Brasil e o Iraque, afirmou à Folha de São Paulo: Armas nucleares os iraquianos não têm. Tenho certeza. Guerra química e bacteriológica, sem dúvida nenhuma, têm capacidade de fazer. O que os iraquianos não têm, é veículo, vetor para lançar essas armas. 2.º Saddam Hussem era um déspota, que martirizava os iraquianos. No entanto, outros tiranos, como Saddam, governavam por exemplo a Arábia Saudita e o Kuweit. Só que o rei Fahd bin Abd al-Aziz as Asud, da Arábia Saudita, e o emir Jaber al-Alimad al-Sabä, do Kuweit, são, além de tiranos, dóceis e serviçais em relação aos Estados Unidos. 3.º Saddam Hussein abrigava no Iraque os maiores inimigos do Ocidente, os terroristas do Hizbollah e da Al Qaeda. Urgia, portanto, derrubar Hussem do poder e varrer do Iraque tais organizações criminosas. E o que dizer da Arábia Saudita? O governo saudita foi acusado de ter liberado altas quantias de dinheiro ao terrorista Osama bin Laden, para evitar ataques da Al Qaeda em seu território. Consta também que a equipe do saudita Bin Laden, que promoveu os atentados de 11 de Setembro, era constituída em sua maioria de sauditas. CAUSAS REAIS DA INVASÃO DO IRAQUE 1.º PETRÓLEO O Iraque possui a segunda maior reserva comprovada de petróleo do mundo. Além de contar com 11% do total das reservas petrolíferas conhecidas, o Iraque, segundo pesquisas recentes, dispõe de três campos gigantescos de petróleo, que ainda não foram explorados. Assim, as atuais reservas de petróleo iraquiano passariam, dos atuais 112 bilhões de barris, para 220 bilhões. Agora, com a conquista do Iraque, os Estados Unidos terão acesso privilegiado aos mananciais petrolíferos iraquianos. 2.º O EQUILÍBRIO DA GEOPOLÍTICA REGIONAL
A campanha atual é mais uma conseqüência da necessidade de manter o predomínio dos Estados Unidos nas relações geopolíticas. Ou seja, Washington não pode permitir que nenhuma das potências regionais, por própria conta, reorganize a área, como o Iraque tentou fazer ao invadir o Kuwait, há cerca de 12 anos. Derrubado Saddam Hussein, os Estados Unidos foram contundentes nos ataques verbais contra seus inimigos na região, a Síria, o Irã, o Hizbollah e a Al Qaeda. 3.º A DEFESA DA DEMOCRACIA: A JIHAD DEMOCRÁTICA Bush acredita que sua missão é levar aos povos do mundo as benesses da civilização americana, e que, inspirado por Deus, sabe o que é melhor para os outros países. Durante o cerco de Barsa, um iraquiano, atônito no meio dos escombros de sua cidade, perguntou a um repórter americano: Se vocês querem nos libertar, porque estão destruindo a minha cidade e a minha pátria?
A maioria dos islâmicos não aceita a democracia ocidental, que promove, segundo seus líderes religiosos, a pornografia, o homossexualismo, festas alavancadas com drogas, bebidas e sexo, e o ateísmo. Os islâmicos acreditam, em sua grande parte, que a verdadeira motivação do massacre e da destruição do Iraque foi a ambição dos Estados Unidos de se apoderar dos mananciais petrolíferos iraquianos. Aliás, o preço da liberdade e o preço da democracia não podem ser o holocausto de um povo e a destruição de um país. 4.º PROJETO PARA UM NOVO SÉCULO AMERICANO Segundo Bush, os Estados Unidos estão empenhados no esforço de proteger o mundo e mostrar o caminho do desenvolvimento e da prosperidade para a humanidade. Compete aos Estados Unidos comandar o mundo, impondo seus princípios através da força econômica e militar. A PAX AMERICANA, segundo os neoconservadores americanos, beneficiará todos os povos. 5.º A NOVA POLÍTICA DE SEGURANÇA NACIONAL AMERICANA Os neoconservadores, tendo à frente Dick Cheney, Condoleeza Rice, e Donald Rumsfeld, defendem uma postura realista, que privilegia o unilateralismo, sempre que necessário para a defesa dos interesses norte-americanos. Para eles, os Estados Unidos e seus aliados podem decidir os limites da soberania de outros Estados e impor sua vontade em nome da doutrina de Guerra Preventiva. 6.º AFASTAR O FANTASMA DA RECESSÃO QUE RONDA OS EUA Historicamente, a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) americano se acelera em períodos de guerra. Aconteceu nas duas Grandes Guerras Mundiais, na Guerra da Coréia, na Guerra do Vietnã e por certo agora. E só acompanhar na mídia, por exemplo, a disputa das grandes empresas pela reconstrução do Iraque e a corrida para a exploração e o controle do petróleo iraquiano. A GUERRA DA INFORMAÇÃO Os Estados Unidos e o Iraque transformaram a desinformação em arma. A desinformação foi bastante utilizada como arma de guerra pela coalizão anglo-americana e pelo Iraque.
As tropas americanas tinham sob seu comando centenas de jornalistas, que eram monitorados a escrever e a narrar supostas ações épicas e humanitárias de seus bravos e filantrópicos soldados. Peter Arnett, lenda viva do jornalismo mundial, estava a serviço da NBC. Foi demitido por dar declarações que contrariaram o Pentágono. Rupert Murdoch, dono de um império de comunicações, onde desponta a FOX NEWS, dirigiu seus jornalistas para que criassem uma cara patriótica aos noticiários sobre a invasão do Iraque. Para o ufanismo estadunidense, Murdoch foi o grande vencedor na guerra da mídia. Assim ficou mais uma vez comprovado que, durante uma guerra, a liberdade de imprensa é que sofre as primeiras baixas. Marco Aurélio Ramos Krieger PARA REFLETIR
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