Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Educação

ue tal aproveitar o dia 7 de Setembro para um exame dos conceitos de pátria e educação em vigor no Brasil?

A época é bastante propícia, tendo em vista que vamos logo vivenciar a temporada em que nossa atenção é focada, sobretudo nas escolas e nos veículos de comunicação, nos significados dos símbolos nacionais, como a Bandeira, a Constituição e as Instituições.

LIBERDADE

O texto que segue tem o propósito de examinar as opiniões de pátria da atualidade e conclamar a todos para a prática da pedagogia que garante a liberdade.

As pistas são fornecidas por diversas fontes. Uma delas é a afirmação feita por um dos grandes pensadores brasileiros, o sociólogo Roberto DaMatta: “O brasileiro gosta do Brasil”.

Outra pista é uma indagação, em forma de manifesto, do professor e escritor Leonardo Boff:

“Que Brasil queremos?”. Ou do saudoso poeta brasileiro Vinicius de Moraes, que em seus versos chama a atenção para o tom intimista, o carinho expresso em imagens como a pátria “sem sapatos e sem meias, tão pobrinha”.

E o que dizer do magnífico verso do poeta português Fernando Pessoa, “minha pátria é a Língua Portuguesa”: é a frase de alguém que manteria uma bandeira na fachada do lar, doce lar? Ouça também a canção Língua, de Caetano Veloso, e destaque a passagem “Minha Língua é minha pátria / E eu não tenho pátria: tenho mátria / Eu quero Frátria”.

EDUCAÇÃO E ESPERANÇA

O brasileiro gosta do Brasil, não há dúvida alguma quanto a esta afirmação. O importante é saber de que Brasil estamos nos referindo. É verdade que temos dificuldade de gostar do Brasil das estatísticas do desemprego, das regras econômicas que ninguém entende, de políticas e políticos discutíveis e de leis que não “pegam”.

É com justificado desencanto que falamos mal do Brasil das burocracias estatais que ainda hoje deixam as pessoas morrer e mofar nas filas.

Houve avanços? A qualidade de vida aumentou? Os índices de escolaridade subiram? Sim, indiscutivelmente, mas apesar de tudo o que tem sido feito nos últimos tempos, ainda restam muitos paradoxos neste amado país que surge poderoso mas que é freqüentemente injusto e distante.

Isso justifica, na situação atual, a crescente importância da educação. Mais que uma estratégia de desenvolvimento, ela é mesmo proposta como prioridade diante dos atrasos históricos da cidadania plena e democrática, diante do clamor dos desempregados e da marginalização da infância e da juventude.

Dom Murilo Krieger, Arcebispo de Florianópolis, como muito bem já disse, a educação é um caminho urgente de esperança.

ÉTICA E MISÉRIA

Os bispos católicos, em seguidos documentos, insistem no interrogativo ético que surge do contraste entre a abundância de recursos econômicos e técnicos, de uma parte, e a miséria clamorosa, de outra parte.

Daí a impaciência dos cidadãos brasileiros com o Brasil oficial e duro. E há mesmo uma tendência, muito comum entre todos nós, de atribuir culpa apenas ao “governo”, deixando de fora outros componentes da máquina administrativa da sociedade.

Mas será que existe realmente em nós a decisão de superar a miséria, oferecendo ao povo sofrido dignidade de vida?

A Igreja tem a missão de contribuir para a formação da consciência ética responsável e solidária, à luz dos valores do Evangelho. Quanto mais presente tivermos essa lembrança, maior impulso terá a força propulsora da esperança de um povo em marcha em busca da prática da justiça, da fraternidade e da paz. Essa é a pedagogia que garante a liberdade e leva à comunhão com o próprio Deus da vida presente na história brasileira.

QUE BRASIL QUEREMOS?

Disse com sabedoria o estudioso Roberto DaMatta: “O Brasil é mais que um país amado, é uma terra que vale a pena e que vai dar certo”. É nesse contexto que a educação ganha relevo.

Nem todos, no entanto, têm a mesma compreensão do processo educativo. Para alguns, trata-se de instrumento de controle social ou condicionamento regulado para manter a organização social desigual e excludente.

Há também quem pense que a educação é uma influência coletiva dos meios de comunicação social sobre as pessoas, determinando a conduta dos indivíduos na sociedade.

Quanto a nós, podemos recorrer aos ensinamentos do Papa João Paulo II para lembrar que a educação é exercício da liberdade e processo de libertação dos oprimidos. Trata-se de ato de conhecimento criativo que aproxima a pessoa da realidade social e política de maneira crítica.

Ao celebrar o 7 de Setembro, devemos nos perguntar o que significa o Hino Nacional. A própria letra desse cântico é uma conclamação e ponto de partida para a compreensão de tudo o que foi dito acima.

Na verdade, como um dos símbolos máximos da nacionalidade, o Hino é, em síntese, a celebração do ato de libertação. Façamos, pois, da celebração cívica, uma importante partilha, momento especial de diálogo e compreensão da realidade nacional a partir do testemunho de cada um.

Ir. Ana Besel
Diretora Geral do Colégio
Sagrada Família Blumenau - SC

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