Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Educação
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Por séculos o número de analfabetos cresceu porque o ritmo do crescimento populacional do mundo ultrapassava a possibilidade de acesso à educação.
Atualmente, cerca de 25 paises continuam com 50% ou mais de analfabetos. Contudo, o analfabetismo continua sendo um fenômeno de grande amplitude. Como sempre, a grande maioria dos adultos analfabetos são mulheres! A alfabetização, além de ser um valor em si, intimamente ligado à dignidade humana e ao exercício da cidadania, é também um meio para se assegurar outros benefícios e alcançar outros objetivos. A alfabetização realmente tem o poder de transformar a realidade em que vivemos, ou seja, um passaporte para a vida.
No Brasil, com absoluta certeza, prevalece a sensação de que ainda temos um longo caminho a percorrer na área da educação: 13,6% da população com 15 anos ou mais é analfabeta.
Mas o Brasil começa a se preocupar também com um indicador de analfabetismo mais recente: o analfabetismo funcional. Analfabetos funcionais são aqueles com mais de 15 anos de idade e menos de quatro anos de escolaridade. Eles conseguem ler e escrever de uma maneira rudimentar, mas são incapazes de entender textos mais longos, como um manual de trabalho de uma fábrica. Estes analfabetos representam 30,5% da população brasileira com mais de 15 anos. O analfabetismo funcional é justamente o produto desta escolarização sem qualidade que as crianças e jovens do nosso país recebem e que leva a um novo tipo de exclusão social. São jovens e adultos que receberam apenas um verniz de escolarização, e um monte de frustração.
Segundo Antonio Góis, a desigualdade da sociedade brasileira,
retratada pelo Censo 2000 do IBGE, fica mais evidenciada quando são
analisados alguns indicadores de alfabetização entre as
crianças nos bairros ricos e pobres do Para a educadora Regina de Assis, "as crianças que vivem em famílias de baixa renda têm que lutar com mais dificuldades porque seus pais são menos escolarizados e têm menos recursos para comprar livros, por exemplo. E por isso "que é importante estarem na escola desde cedo". "A desigualdade já começa desde que a criança nasce. Investir na primeira infância é vital para reduzir a pobreza e aumentar a inclusão social", afirma Maria Dolores Kappel, especialista em educação.
Uma outra forma de analfabetismo, bastante comentada atualmente, é a exclusão digital ou analfabetismo digital. O fenômeno diz respeito ao recente avanço tecnológico, principalmente da informática, associado aa surgimento de novas formas de telecomunicações, cujos reflexos estão cada vez mais presentes na vida cotidiana de milhões de pessoas em todo o mundo. Com a chegada da Internet, por exemplo, em meados dos anos 90, assistimos a um aumento jamais imaginado no volume de informações que circulam em escala mundial, outrora restritas a uma pequena elite de intelectuais, que oportuniza a integração das mais diferentes culturas e dos mais longínquos povos, desde que exista acesso à tecnologia necessária para tal, ou seja, um computador e uma linha telefônica.
Um gigantesco fosso divide uma minoria plugada da massa dos sem Internet, à margem da principal mudança tecnológica das últimas décadas. Sendo assim, fica evidente que atualmente não é possível refletir sobre alfabetização e analfabetismo sem incluirmos mais dois conceitos: o de analfabetismo funcional e o de exclusão digital. Mauri Luiz Heerdt |
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A primeira presença em meu aprendizado escolar que me causou e causa impacto até hoje, é uma jovem professorinha. É claro que eu uso esse termo, professorinha,com muito afeto. Chamava-se Eunice Vascon-celos (1909-1977). Foi com ela que eu aprendi a fazer o que ela chamava de "sentenças".
Não houve ruptura alguma entre o novo mundo que era a escolinha de Eunice e o mundo de minha velha casa do Recife. A minha alegria de viver, que me marca até hoje, se transferia de casa para a escola, ainda que cada uma tivesse suas características especiais. Isso porque a escola de Eunice não me amedron-tava, não tolhia minha curiosidade. Eunice era ainda uma meninota, uma jovenzinha de 17 anos, quando me ensinou. Sem que eu ainda percebesse, ela me fez o primeiro chamamento com relação a uma indiscutível amorosidade que eu tenho hoje com a linguagem brasileira, a chamada língua portuguesa no Brasil. Com certeza ela não me disse, mas é como se me tivesse dito, ainda criança pequena: "Paulo, repara bem como é bonita a maneira que a gente tem de falar!...". Eu me entregava com prazer à tarefa de "formar sentenças". Eunice me pedia que colocasse numa folha de papel tantas palavras quantas eu conhecesse. Eu ia dando forma às sentenças com essas palavras que eu escolhia e escrevia. Então, Eunice debatia comigo o sentido e a significação de cada uma. Fui criando naturalmente uma intimidade e um gosto com as ocorrências da Iíngua -os verbos, seus modos, seus tempos... A professorinha só intervinha quando eu me via em dificuldade, mas nunca teve a preocupação de me fazer decorar regras gramaticais. Mais tarde ficamos amigos. Mantive um contato próximo com ela, sua família, sua irmã Débora. Com o golpe de 1964 eu fui para o exílio e, de lá, me correspondia com Eunice. Ela ficava muito contente! Não se casou. Talvez isso tenha alguma relação com a abnegação, a amorosidade que a gente tem pela docência. Ela agiu um pouco como eu, ao fazer da docência o meio e o fim da minha vida. Eunice morreu, em 1977, eu estava ainda no exílio. Hoje, a presença dela são saudades, são lembranças vivas. Me faz até lembrar daquela música antiga do Ataulfo Alves: "Ai, que saudade da professorinha, que me ensinou o bê-á-bá Paulo Freire (1921-1997) |
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