Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Educação
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O fato da ONU ter reconhecido que a luta contra a fome no mundo está sendo um enorme fracasso tem realmente suas razões. Basta fazer as contas: o mundo possui uma quantia de alimentos mais do que necessária para atender às necessidades de todos os seus habitantes. No entanto, apenas no sul da África, 13 milhões de pessoas correm o risco de morrer de fome.
O quadro mundial da fome é muito triste. Conforme números da própria ONU, dois bilhões de pessoas não têm acesso à água potável e, o que é pior, a cada ano 23 milhões de pessoas morrem de fome: oito milhões são crianças. Mas o que nos deixa ainda mais indignados é este dado: morre-se de fome num mundo capaz de alimentar o dobro da atual população. Conclui-se, portanto, que o problema da fome não é somente uma questão de produção de alimentos, mas uma questão política de distribuição dos alimentos. Basta olhar para estes números: os 20% mais ricos detêm 63,4% dos recursos mundiais, deixando apenas 2,5% para os 20% mais pobres.
Um estudo feito pela FGV-SP (Fundação Getúlio Vargas), divulgado no ano passado, revelou que 50 milhões de brasileiros são miseráveis, vivem com menos de R$ 80,00 por mês. O estudo conclui dizendo que são necessários R$ 1,69 milhões/mês para acabar com a fome no Brasil. Para se chegar neste número, bastaria que cada brasileiro 'não-miserável' cedesse R$14,00 por mês para os indigentes. Os valores a serem destinados aos miseráveis varia de Estado para Estado. No Piauí, por exemplo, cada cidadão teria que ceder R$ 24,35 para os indigentes, enquanto que cada paulista poderia transferir somente R$ 4,15. O estudo considerou indigentes os mais de 50 milhões de brasileiros que não conseguem juntar R$ 80,00 mensais para sobreviver (29,3% da população).
Mas o que estes números tem a ver com a minha, a sua e a nossa vida?
Como podemos nos reeducar para que todos possam viver melhor? Comecemos refletindo sobre um fato que acontece conosco: Vamos às compras e quanto mais abarrotado o carrinho de supermercado, melhor. O mesmo vale para a sacola da feira ou o prato do almoço feito no restaurante.E, na hora de planejar o cardápio do jantar para os amigos, invariavelmente surge a clássica afirmação: "È melhor sobrar do que faltar!" Esse hábito tão característico do brasileiro de adquirir - e não necessariamente consumir - alimentos de forma exagerada, deu ao país o título de um "dos dez mais" do mundo a desperdiçar alimentos.
A comida descartada representa mais da metade do lixo produzido por Além de pecar pelo excesso e pelo não aproveitamento de todos os alimentos, outros fatores influenciam o consumidor ao jogar fora alimentos: comprar em grandes quantidades em épocas de promoções, a falta de planejamento etc. Isso para não falar das perdas que já começam durante a plantio,o cultivo, o transporte e o armazenamento. Enquanto isso, não é difícil encontrarmos filas de pessoas para revirar as lixeiras de supermercados em busca de comida. Esta situação desumana poderia ser evitada s houvesse uma conscientização das pessoas.
Falamos anteriormente que a fome é também uma questão política. Com certeza ninguém duvida disso! Portanto, neste tempo de eleições,reflitamos sobre a situação de fome de boa parte da população e escolhamos candidatos que tenham uma história de compromisso com estas pessoas: os famintos, os excluídos da sociedade. Afirmam os bispos do Brasil: Diante desta visão apocalíptica
provocada pela ganância humana e pela maldade institucionalizadas
e fortalecidas pelas leis,nenhuma pessoa de bons sentimentos pode permanecer
insensível: É preciso criar uma Mauri Luiz Heerdt |
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A África tem o maior número de pobres do mundo. Quase metade de sua população - cerca de 300 milhões de pessoas - vive com menos de um dólar por dia. A quantidade de africanos, que vive em extrema pobreza, cresceu 25% entre 90 e 99. Se esta tendência continuar, a pobreza e a desnutrição vão piorar, embora a ONU tenha adotado como meta reduzir o número de famintos pela metade até 2015. (Andrew mac Millan) Perguntamos: se com 6 bilhões de habitantes não conseguimos acabar com a fome, o que será deste mundo quando estiver com 12 biIhões ? Não se atribua o fenômeno à superpopulação, mas sim, às máfias capitalistas e à globalização por elas instituída; cada pessoa nasce com uma boca, é verdade, mas também com dois braços e uma boa cabeça. Portanto, trata-se de implantar neste planeta uma organização solidária, em vez das dominações e hegemonias que aí estão. (Andrew Mac Millan) O problema da fome e da miséria não se resolve com cestas básicas e nem com sopões dados num dia da semana, onde se juntam centenas de mendigos, e nem tampouco com as sobras que as redes de supermercados dão para a Igreja nas vésperas em que os produtos estarão com data vencida..., tudo isto é eticamente incorreto. A coragem dos nossos bispos chega a chamar o sistema atual de "iníquo". E por isso deve ser "vencido e superado através de uma política que respeite a dignidade da pessoa humana". É necessário que todas as forças de bem "diluídas",se unam numa grande corrente de amor e de fraternidade para vencer a praga da fome que atinge tantos de nossos irmãos. (CNBB)
A ONU resolveu fazer uma grande pesquisa
mundial. Os europeus não entenderam o que é "escassez". Os africanos não sabiam o que era "alimentos". Os norte americanos perguntaram o significado de "o resto do mundo". Os cubanos estranharam e pediram maiores explicações sobre "opinião".E o congresso brasileiro ainda está debatendo o que é "honestamente". |
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