Um grande santo!
A equipe do Jornal MISSÃO JOVEM apresenta alguns depoimentos sobre
o grande amigo, Dom Luciano
Dom Luciano, grande pastor
que muito ajudou a construir
a história da Igreja e
do Brasil no 20º século, nos deixou
para voltar para o Pai. Padre
João Roque Rohr, provincial dos
jesuítas, ao se despedir de Dom
Luciano, disse que não se tratava
só da despedida a um amigo,
mas “a um grande santo”.
Dom Cláudio Hummes não
duvidou também em afirmar que
“Dom Luciano é um santo, porque
soube amar a todos sem distinção”.
E para que não fiquem
esquecidos os muitos e valiosos
testemunhos de admiração
manifestados por este homem
de Deus, apresentamos alguns
depoimentos que nos dizem o
quanto Dom Luciano foi importante
em sua passagem terrena.
DEPOIMENTOS
Acabo de voltar da Missa de Dom
Luciano... Emocionante, triste e
lindo ao mesmo tempo! Os pobres
estavam lá, estavam os simples, os
preferidos de Deus e de Dom Luciano.
Senti FORTE a vontade de
gritar: é Santo! O povo gritou e de
sua convicção mais profunda saiu o
grito: Santo!
Estou triste, mas sinto uma
força interior que me diz: Nós não
o perdemos, mas o ganhamos e
sabemos que quando o desânimo
vem ele nos ajudará.Quando tivermos vontade de
abandonar tudo, porque achamos
que não tem jeito, ele nos dirá: não
desanimem!
O DOM que foi o grande DOM
para a nossa igreja e para o Brasil estará
conosco nas nossas lutas.
Falando ao irmão, recomendou:
“não esqueçam os pobres”. Eis o seu
testamento!
Ir. Laíde Sonda
Assessora de Arte Sacra da CNBB
Para muitos de nós, religiosos e
religiosas, que construímos e alimentamos
nossa consagração a partir do
testemunho de pessoas como Dom
Luciano Mendes, fica um
sentimento de orfandade.
Já percebíamos, mas
ainda não tínhamos sentido
na pele com tanta
intensidade como hoje, o
fato de que estamos começando
uma nova era
na vida da Igreja. A morte
de Dom Luciano aviva em
nós esta percepção.
Será melhor ou pior?
Ainda não podemos afirmar.
A única coisa que afirmamos
é a certeza de que
Dom Luciano, como tantos
outros e outras, souberam
viver com criatividade sua
fidelidade a Deus. A coroa
de glória a eles é garantida
(1Pd.5,4)! Esta é a nossa fé e disto não
abrimos mão!
Mas, como ficamos nós que tanto
apostamos, aplaudimos, curtimos com
a presença corajosa, profética e esperançosa
deste homem consagrado?
O que vai ser dos pobres, dos marginalizados,
dos excluídos (...), do diálogo
ecumênico, da luta pela vida...?
Mas, “é chegada a hora” (Mc.14,41),
é chegada a nossa hora!...
É Deus nos questionando, é
Deus nos convocando. Até quando
vamos ficar sentados, de braços cruzados,
nos limitando a bater palmas
para pessoas como Luciano? Não é
chegada a hora de darmos continuidade
a esta luta, ou vamos deixar
que a vida e a morte deste homem
se torne vã?
A diretoria da CRB/BH
Confirmando sua presença na
cidade de Mariana para o sepultamento
de Dom Luciano, afirmou:
“Foi com grande tristeza que recebi
a notícia da morte de Dom
Luciano. Ele desempenhou papel
relevante na luta pela redemocratização
e dedicou toda a sua vida à
população carente do Brasil. Quero
manifestar minha solidariedade
à família, à Igreja Católica e aos
amigos de Dom Luciano, e prestar
a mais sincera homenagem a estehomem de obra e coração extraordinários
».
Luiz Inácio Lula da Silva
Dom Luciano está na palma da
mão de Deus. A sua vida foi uma
dedicação total aos pobres e, por
que não dizer, à causa dos/as negros/
as. A Pastoral Afro-brasileira
é devedora a esse amigo de todas
as horas. Desde o seu início, foi
ele quem sempre apoiou e tinha
palavras firmes, amigas, proféticas
em defesa de nossa causa e dizia:
“sempre em frente com coragem,
não desanime”.
Foi um autêntico pastor com
um novo jeito de ser
Igreja! Um jeito novo
de ser gente, de ser
cristão, de ser padre,
de ser bispo. Por que
não Pai dos pobres, negros,
marginalizados e
excluídos?!
Pe. Jurandyr
Azevedo Araujo, sdb
Pastoral
Afro-brasileira
“O milagre que meu
irmão queria está se
realizando hoje: uma
onda de muito amor
em todo o Brasil. Meu
irmão hoje fecha um círculo de muito
amor, serviço, doação e desprendimento
em favor do outro. Apesar
da dor da separação, ele conseguiu
trazer para nós, neste dia, a festa do
céu: a alegria e o calor humano estão
presentes aqui, entre nós”.
Cândido Mendes de Almeida
irmão de Dom Luciano
MINHA HOMENAGEM A DOM LUCIANO
Querido Dom Luciano amigo e companheiro, pastor e profeta,
talvez o silêncio, respeitoso e reverente,
seja a homenagem mais apropriada
para relembrar a tua presença tão querida entre nós
e para celebrar a tua partida para a Casa do Pai.
Só ele, o silêncio respeitoso e reverente,
será capaz de expressar, ao mesmo tempo,
tua energia profética e tua doce ternura.
Sinto que as palavras, quaisquer palavras,
estão muito aquém desse mistério
que é o dom de tua vocação e tua entrega;
noto que elas, as palavras, quaisquer palavras,
mais escondem do que revelam
a força incontida de tua ação missionária.
Como descrever esse coração paterno e materno,
em que todos se sentiam em sua própria casa?
Como falar desse olhar alegre, vivo e atento
reflexo de uma alma onde a paz encontrou morada?
Como fazer justiça a esse sorriso afável e aberto,
que a nada e a ninguém deixava do lado de fora?
Que dizer dessa inteligência arguta e lúcida,
luz viva em meio à escuridão de nosso tempo?
De que forma traduzir a habilidade dessas mãos incansáveis,
capazes de transfigurar o que tocavam e acariciavam?
Com que cores pintar essa imagem simples e profunda
que a exemplo do Mestre “passou pelo mundo fazendo o bem”?
As palavras, quaisquer palavras, são pequenas diante de tua grandeza,
não dão conta de explicar os segredos ocultos de tua sabedoria.
Homem de Deus, homem da Igreja, homem do Mundo,
pastor e pai dos pobres, dos pequenos, dos indefesos;
amigo e companheiro de todas as vidas ameaçadas,
voz profética dos silenciados de todos os tempos,
presença fiel ao lado das vítimas da história.
Mesmo assim, não resisto à vontade de dizer-te “adeus”!
e a todos dizer que partes, mas ficas para sempre entre nós:
a “Casa do Pai” é tua morada definitiva e eterna,
porque a ela encaminhaste tantos corações que se haviam
perdido;
mas nenhum vento ou tempestade poderá jamais apagar
as pegadas de teus passos na face desta terra que tanto amaste;
tua memória será luz em nossos caminhos,
como o foram teu testemunho, tuas obras e tuas palavras.
Não, as palavras não alcançam tudo o que quero dizer,
mal conseguem esboçar os contornos de tua imagem!
Por isso volto ao silêncio respeitoso e reverente.
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