Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Espiritualidade

Para os judeus, a Páscoa (chamada de Pessach) é a festa em que se comemora a saída do povo que era escravo no Egito.

Já os cristãos, na Páscoa, celebram a ressurreição gloriosa de Cristo: “Ele ressuscitou como havia preanunciado - Aleluia!”
Os cristãos ortodoxos russos, na Páscoa, se cumprimentam com esta significativa saudação: “Cristo ressuscitou”. E a resposta: “Ressuscitou realmente”.

Na Igreja Católica, os preparativos para a vigília pascal obedecem a um esquema no qual todos os temas e simbolismos são gradativamente apresentados.

A Páscoa é a festa maior do ano litúrgico. Ela é preparada pela Quaresma e pela Semana Santa que começa com o domingo de Ramos, em que revive-se a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.

AMOR EUCARÍSTICO

Na Quinta Feira Santa, o bispo com todos os seus sacerdotes e diáconos celebra solenemente a Instituição da Eucaristia e do Sacerdócio. Mais tarde, cada sacerdote celebrará o mesmo gesto do AMOR de Jesus com seu querido povo.

É o Amor de Quinta Feira Santa.

Amor humilde e servo que se ajoelha e lava os pés dos discípulos.
Amor feito alimento, que se dá a nós em plenitude.
Amor que faz alguns participarem do sacerdócio eterno.
Amor que pede que nos amemos como Ele nos amou.
Amor que pede ao Pai: “Pai, que todos sejam um”.
Amor que gera comunhão, que reclama generosidade e partilha.
Amor que nos alimenta do Pão Vivo descido do Céu.

AMOR CRUCIFICADO

Na Sexta Feira Santa, num clima de grande luto, a Igreja celebra o sacrifício de Cristo na cruz.

Ninguém ama mais do que aquele que dá a vida pelos irmãos”.

Amor Crucificado. Jesus é o grão de trigo que morre para que tenhamos a vida.
Amor que se torna “verme” para carregar nossas culpas.
Amor feito vítima imolada pelos pecados de toda a humanidade.
Amor que pede perdão para os que ali estão para matá-Lo.
Amor que tem sede de nós, do nosso amor, do nosso tempo, da nossa amizade.
Amor com o coração aberto, sempre pronto a nos acolher, nosso repouso e nosso refúgio.
Amor que nos ensina a tomar a cruz de cada dia, carregando-a em paz e com sentido redentor.

AMOR GLORIOSO

Finalmente, na noite do Sábado Santo, depois de uma série de celebrações significativas, anuncia-se, com o canto do glória e o bater dos sinos, que o AMOR ressuscitou.

É alegria total. Aleluia!

Amor vitorioso sobre a morte e o pecado, fonte de paz e de alegria.
Amor agora e sempre, presente, vivo, atuante, em nós e no meio de nós.
Amor que consola os discípulos prostrados na tristeza e na amargura.
Amor que envia o Espírito Santo para ser nossa força, alegria e paz.
Amor que aparece aos amigos, para lhes dar ânimo e enviá-los em missão, concedendo-lhes o poder de perdoar pecados.
Amor vivo em cada sacrário, vivo na Palavra e vivo em sua Igreja.
Amor que partilha conosco a felicidade eterna: a festa que não terá fim.
Celebrar a Páscoa é entrar na revelação mais profunda daquilo que Deus é: Amor infinito.

Podemos então ser aquelas criaturas novas, com “vida em abundância”, sonhadas por Deus ao nos enviar seu Filho Jesus. Será a Páscoa no mundo!

Dário Pedroso

 

A cerimônia do lava-pés é um dos pontos altos da comemoração. Na Quinta-Feira Santa, os padres convidam mendigos a entrar e lavam seus pés e lhes dão presentes, para lembrar o gesto de Jesus Cristo.

Na Bélgica e na França os sinos das igrejas não tocam entre a Sexta-feira da Paixão e o Domingo de Páscoa. Diz uma lenda local que os sinos voam para Roma até a Páscoa e, quando voltam, deixam cair ovos para todo mundo! Por via das dúvidas, as crianças belgas fazem ninhos de palha e os escondem na grama para que o coelho da Páscoa os encha de ovos.

A Páscoa da Suécia faz lembrar o dia das bruxas americano. Na quinta-feira Santa ou na véspera da Páscoa, as crianças suecas vestem-se de bruxos, visitam seus vizinhos e deixam um cartão decorado para conseguir doces ou dinheiro! Os cartões são deixados nas caixas de correios ou debaixo das portas, sem que ninguém veja quem os colocou!

A tradição mais forte é a decoração de ovos com os quais serão presenteados amigos e parentes.
A tradição diz que, se as crianças forem bem comportadas na noite anterior ao domingo de Páscoa e deixarem um boné num lugar escondido, o coelho deixará doces e ovos coloridos nesses “ninhos”.

Na Bulgária, há o costume de colorir ovos cozidos após a missa na Quinta-feira Santa.
Os pães e ovos, levados à igreja na madrugada de sábado, são abençoados e dados aos amigos, padrinhos, madrinhas, pais e parentes. Após o almoço de Páscoa, cada pessoa da família pega um ovo e todos começam a batê-los uns com os outros. Quem ficar com o ovo inteiro terá um ano de sorte.

A Igreja continua afirmando que Jesus, filho de Deus, morto e ressucitado, continua sendo o único Salvador da humanidade. Afirma São Pedro:

“DEBAIXO DO CÉU NÃO EXISTE OUTRO NOME, DADO AOS HOMENS, PELO QUAL POSSAMOS SER SALVOS” (At 4,12).

Com isso não se excluem outras mediações, principalmente a das outras religiões, através das quais, pela ação do Espírito, há salvação.

Contudo, resta sempre urgente o anúncio da Boa Nova da Salvação, pois Cristo é o revelador do Pai.

Em certos países da América Latina existe o costume das crianças montarem seus próprios ninhos de Páscoa. Eles podem ser feitos de vime, madeira ou papelão, com dentro palha ou papel picado.
Os ninhos são deixados para o coelhinho colocar doces e ovinhos na madrugada de Páscoa.

No México é popular a “malhação de Judas”, o apóstolo que traiu Jesus.
Ao meio-dia do Domingo de Páscoa, bonecos representando Judas são socados, enforcados e queimados.

Na Costa do Marfim, e particularmente no grupo Annoh, aonde eu vivi minha experiência missionária, a Páscoa é a Festa da vida. Porque Cristo  ressuscitou, Ele nos libertou e está presente entre nós. Então faz-se festa na família e nas comunidades. No dia da Páscoa, os cristãos almoçam juntos e, em seguida, dançam, visitam as casas dos cristãos e não cristãos para manifestar a alegria pela ressurreição do Senhor Jesus. Num dia de Páscoa, eu estava em casa quando um grupo de cristãos chegou à casa paroquial e lá começou a cantar e a dançar com tanto entusiasmo que, contagiado, eu também entrei na roda com eles, festejando Cristo Ressuscitado com aquela alegria com que as primeiras comunidades celebravam a vitória da vida sobre a morte.

Pe. Carlinhos da Silva - PIME

Índia - Nas segundas e nas quartas feiras da Quaresma cada família prepara um pão sem fermento, que o pai corta e partilha com todos os outros membros. Este momento é acompanhado com orações e leituras de passagens bíblicas relacionadas com a Páscoa. O povo indiano, durante a Quaresma, muito se esforça para viver intensamente a paixão e o sofrimento de Jesus. No Domingo de Ramos, o povo vai a procissão carregando palhas de coco. Até os elefantes participam desta procissão!
Biju e Sobin (Seminaristas do PIME)

Era a primeira Páscoa que vivia no Bangladesh e, não conhecendo a língua, limitei-me a observar. Fiquei surpreendido quando, ao chegar num vilarejo, para a missa de Quinta Feira Santa, vi ajoelhar-se diante de mim uma mulher com uma bacia de água e uma toalha. Sentado na melhor cadeira da casa, observei-a atentamente enquanto, com um gesto tipicamente de boas vindas, me lavava os pés. Tratava-se de um gesto cheio de calor humano, gesto que eu faria pouco depois na Igreja, lembrando o que Cristo fez há 2000 anos atrás.

O que Jesus fez não foi só um gesto de humildade, mas muito mais: a revelação de como Deus age com os homens. Ele é o Amor que serve, que não tem medo de perder seu prestígio, posição e poder.

O interessante é que Jesus continua lavando-nos os pés e fazendo-se pão para nós todos os dias. A mulher me fez entender melhor a grandeza do gesto que Jesus fez na Quinta Feira Santa.

Pe. Fabrizio Calegari - PIME

Para falar em Páscoa na Camboja, é bom ter presente a história deste país - em particular do período do governo dos khmer vermelhos, com o seu líder Pol Pot. Neste período, mais de dois milhões de pessoas foram assassinadas ou morreram por falta de alimento. Sacerdotes e religiosos também foram expulsos do país.

É neste contexto que renasce a Igreja em Camboja. Uma Igreja ainda criança que, no dia 9 de dezembro 2001, ordenou os 4 primeiros sacerdotes cambojanos depois de quase 30 anos de espera.

A celebração Pascal entra neste contexto como um momento de festa e agradecimento. Trata-se de uma celebração muito simples e que tem o seu apogeu na encenação do Evangelho. Os trajes são típicos cambojanos e aquilo que me impressionou muito foi ver o como interpretaram as formas de torturas sofridas por Jesus.

Um dos jovens que interpretou um soldado  comentou, “maltrataram o Senhor Jesus quase da mesma forma como maltrataram a minha gente.” Milhares de cambojanos morreram sem saber o porquê de tanta violência. Por que um grupo de khmer torturava e matava outros da mesma raça?

Um forte abraço a toda a equipe do “Missão Jovem”.

Mariângela Paim (Leka)
Missionária Leiga

 

DA MORTE...

Foi em Abril de 94 que o reencontrei, um ano após o vendaval de vingança e morte, que ocorreu em Sumbe, Angola, em 1992.

Ele vinha acompanhado da filha mais velha, uma menina frágil de treze anos. Conheci sua coragem e sua fé ao saber da ameaça de morte que lhe fizeram por ser o líder cristão responsável do morro de São Paulo.

Ao ver ameaçada toda a sua família, ele suplicou: “Podem me matar, mas não façam mal à minha mulher e aos meus filhos. Não tenho medo de morrer, já que sou inocente e sei que o fazeis por eu ser cristão”.

Esta súplica não adiantou muito, pois um dos homens armados, descontrolado e furioso, atirou contra a sua família para que ele visse, com os próprios olhos, que não estavam brincando.

Quem mais sofreu foi a filha mais velha. Atingida nas pernas, ficou prostrada e gritava de dor.

Os outros, rastejando às escondidas, conseguiram afastar-se. Perante a calma e a corajosa firmeza deste Catequista, um dos homens armados, mais comedido e humano, afirmou: “Deixemos o homem em paz. Há por aí muitos piores do que ele. Vamos pegar os outros”. E deixaram-no vivo, mas muito ferido.

...PARA A VIDA

A menina estava ali, agora, diante de mim, amparada por uma muleta de madeira. Feliz por tornar a ver o “senhor Padre” e dizer-lhe: “Não tive medo de morrer. Só tive pena do meu pai”.

Depois me contaram a longa e dolorosa via sacra que haviam percorrido. Com medo de serem novamente importunados, saíram de Luanda, a pé, pelos caminhos da mata, com a menina nos braços.

Com muitos sacrifícios, lá chegaram depois de 22 dias, sem documentos, sem roupa e sem dinheiro. Felizmente encontraram familiares que os receberam e acolheram por algumas semanas.

Restabelecido, logo se apresentou à comunidade católica como cate-quista. Mas, o que mais impressionou o povo foi a felicidade que ele e a família mostravam por terem sofrido por causa da fé.

Ao cumprimentar aquele cate-quista, e ao beijar aquela menina fran-zina, tive a sensação viva e palpável de estar diante de dois mártires de hoje, verdadeiros pilares do testemunho anônimo, bem mais eficaz pelo engrandecimento do Reino de Deus do que muitos programas de pastoral.

Percebi também que a melhor Páscoa é aquela que se vive no dia-a-dia.

Pe. Artur de Matos

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