Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Estatística

O Conselho Missionário Nacional (COMINA) publicou o resultado de uma pesquisa realizada durante o ano de 2001. O objetivo desse trabalho era verificar quantos e quais seriam os missionários brasileiros que


Miriângela Paim - Florianópolis - SC
Leiga Missionária no Camboja

trabalham em frentes missionárias de evangelização ou de promoção humana no além fronteiras. Depois de muito e não fácil trabalho com quase 1000 entidades: congregações, projetos missionários, dioceses, etc, a pesquisa chegou às seguintes conclusões: As missionárias e os missionários brasileiros são 1556.

Os pesquisadores caracterizaram como “missionários(as)” as pessoas que estão totalmente engajados num trabalho eclesial pastoral ou de promoção humana, sem outros importantes vínculos com organizações não governamentais (ONGs) ou com projetos profissionais em instituições não-religiosas ou empresas.

Por isso, as entidades contatadas foram exclusivamente congregações religiosas, projetos missionários ligados à CNBB e dioceses que haviam enviado seus agentes como missionários para outra diocese fora do país.

Não foram contemplados, nos resultados finais da pesquisa, os membros destas entidades que estão no exterior exclusivamente a serviço da entidade no governo-geral da congregação ou por motivos de estudo e formação.

Mais de 80% da presença missionária brasileira além-fronteiras é feminina. Portanto, as mulheres são 1248, ao passo que os homens são 308. A pesquisa revelou que 98,5% dos missionários pertencem a uma congregação religiosa, 1% é padre diocesano e 0,5% é leigo. Cerca de 15% deste total é sacerdote, o que corresponde a 75% da presença missionária masculina.

Entre as dez entidades femininas que mais enviam missionárias, cinco são de fundação brasileira. uma, em cada três congregações de origem brasileira, envia alguns de seus membros à Missão Além-Fronteiras.

Quanto à origem, 47% dos missionários é originário do Sul do país, 31% do Sudeste, 13% do Nordeste, 4% do Centro-Oeste e 3% do Norte.


Pe. Darci Alves PIME, do Paraná, missionário na Guiné Bissau

Em termos de idade, 70% dos missionários têm entre 30 e 60 anos de idade, o que significa que a Missão é vivida na época da maturidade da pessoa.

Do total dos missionários brasileiros no exterior, 60% foram enviados nos últimos 10 anos. Temos cerca de 100 missionários que estão trabalhando fora do país há mais de 20 anos e outros 77 que estão no exterior há mais de 30 anos.

Cerca de 55% do total dos missionários enviados além-fronteiras - 47% das mulheres e 87% dos homens - têm grau de formação superior.

Os missionários brasileiros além-fronteiras estão presentes em 89 países.

Entre os primeiros dez países estão quatro de língua portuguesa, três que fazem fronteira com o Brasil e outros três com evidentes ligações com a irmandade latino-americana.

A primeira impressão é que os projetos e as obras missionárias, envolvendo 60% dos missionários brasileiros, orientam-se para âmbitos de certa forma familiares.

Em termos de continentes, os nossos missionários estão presentes: 40% nas Américas, 35% na África, 19% na Europa, 5% na Ásia e 1% na Oceania.

Segundo as informações recebidas pelas entidades, 74% dos missionários brasileiros estão envolvidos em atividades de caráter propriamente religioso, enquanto 25% em ações sociais, educativas e culturais.

A formação das comunidades cristãs parece ser o trabalho para o qual os brasileiros e as brasileiras são mais solicitados. No entanto, em continentes como Ásia e Europa, prevalece o serviço parcial à entidade à qual pertencem: formação de candidatos(as) à vida religiosa, cargos de direção na congregação ou para “serviços gerais”.

Na América do Norte é forte a presença dos missionários em meio aos migrantes latino-americanos (40%).

Na África, 32% dos missionários estão empregados em obras assistenciais e educativas.

Infelizmente, apenas 6% dos missionários estão envolvidos num trabalho especificamente missionário de primeiro anúncio. E isso acontece sobretudo na Ásia (13%) e na África (7%), continentes de maioria não-cristã.

Interessante é também verificar que apenas 7% dos missionários brasileiros trabalha em contextos exclusivamente rurais. Isso questiona um lugar comum que imagina o missionário atuando sobretudo em lugares longínquos e perdidos na selva. Ao contrário, 57% atua em áreas urbanas e 25% em áreas urbanas e rurais.

A atividade missionária, como se nota, acompanha o movimento mundial da mobilidade humana: o esvaziamento do campo e a concentração da população nas cidades.

A revista MISSÕES perguntou a Cristina M. Galvão, leiga de São Paulo, que trabalhou nesta pesquisa:

Os missionários e missionárias além fronteiras andam meio esquecidos?


Um grupo de seminaristas do PIME se preparando para a missão, com eles, D. Murilo Krieger - Arcebispo de Florianópolis

É triste, mas é preciso dizer que, em alguns casos, andam mesmo. Isso, porém, é um reflexo do esquecimento de toda a Igreja, de nós católicos que sofremos de miopia em relação ao mundo e às missões.

Este cadastro, sem dúvida, nos ajudará a viver nossa catolicidade e o amor pelo mundo inteiro onde homens e mulheres brasileiras estão doando sua vida pelo Reino. Também nos convencemos como é importante nos comunicarmos com os nossos missionários além fronteiras. Eles gostam de ser lembrados por suas Igrejas locais.

O trabalho muitas vezes é difícil, os desafios são muitos. Uma carta de solidariedade transmite ânimo a estes nossos irmãos e irmãs, nos quais sempre fica a saudade da sua terra natal.

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