Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Evangelização - Ecumenismo
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ECUMENISMO: BUSCANDO a UNIDADE Giovani Alberton Ascari O termo Ecumenismo, derivado de ecumenia, etimologicamente significa a tendência a fazer de todo o mundo uma só família (cristã). No decreto Unitatis Redintegratio de Paulo VI, Ecumenismo é o conjunto de atividades e iniciativas que visam a unidade dos cristãos. Trata-se portanto de um diálogo permanente entre as diversas igrejas, para que cada uma apresente sua doutrina e se disponha a colaborar na promoção do bem comum vivendo a unidade na diversidade. Os grandes grupos ou famílias cristãs são: 1. Católicos 2. Ortodoxos 3. Anglicanos 4. Protestantes O CORAÇÃO ECUMÊNICO DE JESUS Se o Ecumenismo é o esforço para reconduzir os cristãos à unidade, estudando os evangelhos podemos descobrir quão grande é o coração ecumênico de Jesus. Alguém, certa vez, disse a Jesus: Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e desejam falar-te. Jesus indagou: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E conclui: Todo aquele que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe (Mt 12,46-50). Embora sendo judeu, Jesus visitou os samaritanos e passou alguns dias com eles. Numa das mais belas parábolas, Ele chegou a colocar um samaritano como exemplo de bondade, solidariedade e misericórdia (Mt l0, 25-37). É a uma mulher samaritana que Jesus pede água e, num belo diálogo ecumênico, abre-lhe seu coração (Jo 4,7-30).Ele freqüenta as casas dos publicanos e almoça com os pecadores (Mt 9, l0). Vai, por sua iniciativa, à casa de Zaqueu, onde acontece a conversão do cobrador de impostos (Mt 19,l-l0). Jesus dialoga com os mais diversos grupos: fariseus, saduceus, essênios, samaritanos, herodianos..., mantendo sua liberdade e sem se deixar manipular por interesses contrários à concretização do Reino de Deus. Jesus corrige os discípulos quando estes se fecham ao ecumenismo. Certo dia eles lhe disseram: Mestre, vimos um homem que não anda conosco expulsar demônios em teu nome e nós lhe proibimos. Jesus, porém, disse; não o proibais, porque não há ninguém que faça um milagre em meu nome e que possa falar mal de mim. Quem não é contra nós, está conosco (Mc 9,38-40). Jesus, ao contemplar a cidade de Jerusalém, chora e diz: Jerusalém, Jerusalém, tu que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes quis juntar os teus filhos como a galinha recolhe os pintinhos debaixo de suas asas, mas tu não o quiseste! (Lc l3,34; 19,41). Toda a vida de Jesus foi uma busca para incluir todos no plano de amor que a Trindade Santa preparou. Só não participa desta família quem, por própria opção, se exclui e se fecha à dinâmica da Boa Nova que Jesus nos trouxe. UNIDADE NA DIVERSIDADE Como Jesus, nós também precisamos exercitar a capacidade de convivermos com o diferente. Só assim poderá crescer o Reino. Um dia Ele alertou para o perigo da divisão: Todo reino dividido contra si mesmo será destruído (Mt 12,25; Mc3,24). É verdade que somos diferentes, temos maneiras diferentes de cantar, de rezar, de expressar nossa fé..., porém, apesar das diferenças, não devemos trabalhar divididos. O jardim tem flores de tantas cores diferentes, mas todas elas nasceram para embelezar o jardim do Senhor. As diferenças não devem ser motivo de afastamento e divisões, mas de enriquecimento entre as diversas denominações cristãs. É claro: precisamos ter prudência com as ervas daninhas! Os próprios apóstolos Pedro e Paulo tiveram discussões e diferentes maneiras de compreenderem a caminhada cristã, mas, o bonito é que, em ambos, havia uma grande paixão pelo Reino de Deus. HISTÓRIA O ecumenismo remonta aos primórdios da igreja, que sempre se preocupou com a unidade ameaçada pelos cismas e heresias que acompanharam sua história. As maiores divisões aconteceram com o grande cisma que separou o Ocidente do Oriente, a cisão do cristianismo saxão, as crises do galicanismo na França e as ameaças de divisão no próprio seio de Roma. O protestantismo, após a Reforma, começou também a se dividir em numerosas confissões, de posições doutrinárias tão antagônicas quanto as da Reforma em relação a Roma. Diante disso, os próprios protestantes se preocuparam com uma maior unidade. A Igreja Católica defende a unicidade da igreja, como organismo necessário, que tem sua origem no Colégio Apostólico. Continua acreditando que a salvação se consegue através da fé e das obras, fruto da própria vivência da fé. Em 1962, João XXIII convocou o Concílio Ecumênico Vaticano II, cuja tônica foi o empenho dos católicos pela unificação de todas as forças cristãs e a convivência fraterna com as demais religiões, em face do mundo moderno. NOVAS TENDÊNCIAS No século XX, as bases das grandes religiões viram-se abaladas pela proliferação de um novo ecumenismo, surgido de uma nova realidade cultural e religiosa do mundo. Todas as religiões cristãs tiveram que tomar posição. Três posições se evidenciaram em relação ao novo ecumenismo: - A exclusivista: para a qual só há salvação no cristianismo. Foi combatida e criticada no Concílio Vaticano II e em todos os encontros ecumênicos das diversas religiões cristãs. Esta posição sobrevive nas correntes religiosas mais tradicionais. - A inclusivista: embora a salvação esteja, por definição, em Cristo, ela está à disposição de todos os seres humanos, sejam ou não cristãos. - A pluralista: segundo a qual todas as grandes religiões da humanidade são esferas válidas de salvação, embora em diferentes formas. O VALOR DO DIÁLOGO Para fazer acontecer um diálogo frutífero entre as diferentes denominações cristãs, preciso saber quem sou, qual a minha identidade, qual a identidade da igreja à qual pertenço. Como é que eu identifico um católico? Vivemos, talvez, uma certa crise de identidade. O pluralismo religioso, as diferentes denominações cristãs, neste sentido têm um benefício purificatório para percebermos melhor nossa própria identidade. Sabendo quem somos, estabeleceremos a base para um diálogo transparente e verdadeiro com o outro, o diferente. No diálogo ecumênico devemos ter a atitude de quem estende a tenda para acolher, mas também, de quem firma as estacas no sentido da sinceridade, da transparência do que se é e do que se crê, intuindo de que a verdade cristã é mais ampla do que a limitação de nossas próprias buscas, e que, portanto, o mistério de Deus jamais se esgota. Nos últimos tempos, na dimensão ecumênica, temos respirado novos ares, novos desejos, novo alento: de diálogo, respeito, amadurecimento, abertura de coração e boa vontade entre as principais igrejas cristãs. Um grande exemplo é a Campanha da Fraternidade/2000 que, pela primeira vez, é organizada e se realiza ecumenicamente. QUAL O MELHOR TIME? Fazendo uma comparação com o futebol, a pergunta central não é saber sobre qual seja o melhor time, mas, nos perguntarmos o que todos os times de futebol podem fazer para que a violência seja retirada dos campos e das arquibancadas e o futebol seja praticado com arte e beleza. Do mesmo modo, em se tratando do fenômeno religioso e da busca do ecumenismo, a pergunta central, e mais oportuna, não é sobre qual seja a melhor igreja, mas sim, o que todas as igrejas cristãs podem fazer para que a família humana alcance a plenitude do amor e da felicidade, à qual, foi chamada. Dizia um pensador: De uma árvore que tomba, todos notamos e comentamos a sua queda, mas não nos damos conta de toda uma floresta que cresce silenciosa. Freqüentemente somos tentados a observar e comentar um ou outro aspecto mais doloroso nas relações entre as igrejas, mas não nos damos conta de que aquilo que nos une, que nos faz crescer e permanecer juntos, de pé, é muito mais forte e maior que tudo o mais. Para refletir: 1 - Existe trabalho ecumênico entre as igrejas cristãs de sua cidade? 2 - Você é aberto e amigo de pessoas de outras igrejas? 3-O que fazer para acelerar o caminho da unidade? O juízo final Fico a imaginar a passagem do juízo final (Mt 25,31-46), as inspirações que este texto bíblico nos trás, e sou levado a intuir de que quando estivermos diante de Deus, naquele dia, certamente Ele não nos perguntará: - Qual era a sua Religião, ou a sua Igreja? - Ah, eu era católico. - Então, entre, estás salvo! Mas, provavelmente Ele nos indagará: - Você amou o seu próximo (católico, de outras denominações, religiões, ateus...)? Você visitou os doentes, os presos, foi solidário com os famintos, os sem-teto, os sem-terra, os despidos de sua dignidade e de seus direitos? Você colocou seus dons a serviço do amor, da vida, da justiça e da felicidade humana? O que responderemos naquele dia? Ou, talvez ainda, ouviremos alguns ais: Ai de você que se dizia católico, mas explorou, abusou e compactuou das injustiças contra teu próximo. Ai de você que manipulou meu Nome, para justificar as guerras, o fanatismo, as divisões, as injustiças, o racismo e tantos outros absurdos contrários à vontade do Pai. Ai de você (pelo qual dei minha vida na cruz, nu, despido de tudo), que usou da religião para manipular consciências e movido por interesses mesquinhos e egoístas explorou economicamente as pessoas. Por isso, se acreditamos que o Banquete Divino, foi preparado com amor por Deus para toda família humana e se vamos passar toda uma eternidade juntos (ou achamos que o céu será feito só de católicos, ou só de protestantes, ou...?) Por que então não começar desde já a nos acolhermos mutuamente e a nos amarmos uns aos outros independente de religião, de sexo, de raça, de ideologias... e começarmos a experimentar um pedacinho do céu desde já, aqui na terra? UNIDOS PARA QUE O MUNDO CREIA FRATERNIDADE ENTRE AS IGREJAS CRISTÃS No dia 18 de janeiro, em Roma, realizou-se o maior encontro de Igrejas cristãs da história. BASÍLICA HISTÓRICA Na basílica romana de São Paulo, o Papa concelebrou com patriarcas, metropolitas, bispos e pastores de todo o mundo. O rito religioso ultrapassou a fisionomia católico-romana ligada ao Jubileu do Ano Santo para inserir-se na vida religiosa de todos os cristãos. Foi nesta basílica que, em 25 de janeiro de 1959, o papa João XXIII anunciou o Concílio Ecumênico (1962-1965), assembléia que incentivou o empenho católico pela união dos cristãos. 32 IGREJAS PRESENTES Fizeram-se representar 32 Igrejas, englobando quase 2 bilhões de cristãos, ou seja, 80% dos seguidores de Cristo. O Papa evidenciou a gravidade e os sofrimentos provocados pela divisão entre os cristãos: um verdadeiro escândalo no anúncio de Cristo. Que cada um, insistiu o Papa, tome consciência da própria responsabilidade: Todos têm culpa! No mesmo dia, numa celebração em Milão, um padre católico pedia perdão ao pastor luterano porque nós católicos nos achamos os únicos justos, os que conservam a verdadeira tradição. Para surpresa de todos, o pastor luterano disse: nós também devemos pedir perdão, porque pensamos a mesma coisa. Unidade, Unidade, exclamou o Papa. Quem sabe, ao sairmos desta basílica, poderemos dizer unidade, unidade. O BEIJO SANTO DA PAZ Em seguida, o grande momento de reconciliação: todos se saudaram com o beijo santo da paz. Se não estão ainda unidos, que todos os cristãos saibam ao menos conviver fraternalmente. Depois da celebração, como anfitrião, o Papa convidou todos para o almoço: um ecumenismo que uniu oração com caridade e amizade. O Encontro cristão em Roma demonstrou aquilo que a maioria dos teólogos do século 20 parecia não ter percebido: a unidade da Igreja se faz pela escuta comum do Evangelho e pelo encontro fraterno na oração. |
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