Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Evangelização - Geral
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ARTE DE EVANGELIZAR
Há alguns anos, a expressão de moda na Igreja era Pastoral Urbana. Parece que hoje não se houve mais falar tanto sobre este assunto. Poderíamos nos perguntar sobre os motivos disso, já que o assunto não pode deixar de ser relevante para a Igreja. Afinal, a maior parte da população mundial encontra-se nas grandes cidades.
Alguns dados: hoje mais de 50% da população do mundo vive nas cidades, enquanto que em 1950 a população urbana mundial era de apenas 16%. Em 1900, apenas a cidade de Londres tinha mais de um milhão de habitantes, agora já são 405 cidades com mais de um milhão de habitantes. No Brasil, a população urbana vem crescendo a cada ano. Vejamos pelo quadro a seguir como cresceu a população urbana no Brasil: O dramático é que a maioria das pessoas que chega à cidade não tem escolaridade nem experiência profissional, o que faz com que aceitem empregos mal remunerados e se sujeitem a trabalhos temporários ou a atividades informais para sobreviver, como as de camelô ou vendedor ambulante. Os baixos rendimentos levam esse trabalhador para a periferia das grandes cidades, geralmente em loteamentos irregulares, lugares de risco.
Norberto Rivera Carrera, Cardeal-arcebispo de Cidade do México, falando sobre este assunto, afirmou que o fenômeno da urbanização sempre vem acompanhado da emigração, da crescente desigualdade social e da insegurança pública. Por isto, citando a Exortação apostólica Ecclesia in America, evangelizar a cultura urbana é um desafio premente para a Igreja que, assim como soube evangelizar a cultura rural durante séculos, é chamada hoje a realizar uma evangelização urbana metódica, através da catequese, da liturgia e das suas estruturas pastorais.
A Pastoral Urbana continua sendo um grande desafio para a Igreja. Tudo o que foi refletido e feito até hoje, já mostrou a necessidade de adequar as pastorais ao que é próprio da cidade na sua organização, símbolos, culturas e relações. Descobriu-se claramente que são necessárias mudanças significativas na liturgia, na forma de administração das paróquias e na organização das Igrejas locais para que haja melhor acolhimento das pessoas que vivem na cidade. A Igreja não pode ser indiferente à cidade. Ao contrário, ela precisa estar presente na realidade urbana, cujas problemáticas exigem respostas diferenciadas e muita criatividade. Para que isso aconteça com eficácia, é necessário que os sacerdotes, os religiosos e as religiosas, como também os agentes de pastoral de uma mesma cidade estejam cada vez mais unidos na realização de uma ação conjunta, inteligente, criativa, afetiva e efetiva, não definindo limites, mas somando forças. A Pastoral Urbana só avançará na medida em que houver uma grande comunhão entre os operários do Senhor que lá trabalham.
Dom Angélico Sândalo, bispo de Blumenau-SC, afirma que a cidade é uma mistura da vida com a morte. Valores e contravalores andam pelas calçadas, invadem lares e igrejas. Cresce a consciência do valor da pessoa humana em muitos grupos, enquanto outros se isolam e a dignidade da pessoa humana é esmagada. No mundo religioso, há uma grande tendência para o individualismo e a busca de soluções imediatas para os problemas que afetam os indivíduos e a sociedade. Por outro lado, sente-se forte a fome de Deus, a procura de formas e expressões comunitárias onde pulse uma vida mais plena. José Comblin diz que para se falar de pastoral urbana, o primeiro passo é o conhecimento da cidade, de suas características e dos elementos que a compõem. Um breve esquema identifica como elementos componentes de uma cidade a geografia, as entidades sociais, as empresas, a política e a religião.
O fenômeno da urbanização, na verdade, colocou as pessoas numa situação de dispersão, cada um passou a pertencer a vários lugares: lugar de residência, lugar de trabalho, lugar de lazer, lugar de consumo etc, como se as pessoas habitassem espaços descontínuos e continuamente passassem de um para outro. Ora somos cidadãos, ora somos trabalhadores, ora somos clientes, ora somos paroquianos, e assim por diante. Na cidade não encontramos o sentido rural de pertença a um lugar a que corresponde uma população estável com a qual se estabelecem relações duráveis. Grande parte da organização eclesial foi organizada sobre esta coesão: uma população, um território delimitado, uma comunidade estável etc. Esta concepção deve ser reinterpretada. Um só exemplo nos convencerá disso. Pensemos nos lugares da cidade que deixaram de ser residentes, mas que têm uma enorme densidade de pessoas em situação de trabalho. É o caso de diversas paróquias urbanas onde o comércio e os serviços foram tomando conta do espaço residencial. Será que estas paróquias sem residentes podem reinventar a sua forma de inserção social, tendo em vista o modo de como essa população ocupa esse espaço urbano?
Mas é oportuno que, a este ponto de nossa reflexão, apresentemos mais algumas características da cidade: é uma realidade dinâmica, que se transforma mais rapidamente. as pessoas vêm a um centro maior para comprar, fazer tratamento médico etc. ineficiência dos serviços públicos que provocam o surgimento de um poder paralelo, muitas vezes violento. sendo a realidade social muito fragmentada, as pessoas buscam a sua identidade através da cultura de origem ou da adesão a grupos religiosos (ex.: religiões novas ou seitas). o consumismo é violentamente disseminado, principalmente pela televisão. a atividade intensa das pessoas faz com elas fujam da cidade no fim de semana para buscar isolamento e descanso, perdendo assim o sentido do Domingo como o Dia do Senhor. presença de uma religiosidade profundamente individualista, buscando respostas imediatas às angústias e necessidades do ser humano urbano. as grandes cidades refletem hoje situações humanas que estão acima do alcance das comunidades tradicionais, como as paróquias. pessoas muitas vezes desprovidas de tudo, afastadas da Igreja, feridas na sua cidadania etc.
O Pe. Luiz Gonzaga Lôbo aponta alguns desafios/pistas para a pastoral urbana: amar a cidade. Ver nela também os pontos positivos. Isto não impede o senso crítico para discernir as estruturas opressoras. descobrir os valores da cidade: proximidade, meios de transporte, escolas, hospitais, lazer, teatros, comércio etc. entender o jeito da cidade. O agente de pastoral não poder ser um moralista frente à cidade, mas buscar uma profunda inculturação nela. entender a linguagem e os símbolos da cidade. O ponto de referência são as coisas produzidas pelo homem. ir ao encontro: a cidade é dinâmica. Faz a gente sair de si mesmo. Faz a Igreja ser missionária. Ir para as praças, para os conjuntos habitacionais, para os locais de lazer, para as periferias. Será uma pastoral aberta, itinerante, peregrina, e não fechada nos escritórios pastorais. criar uma mística própria da cidade, baseada na fé autêntica, na Palavra de Deus, para que toda a cidade seja evangelizada. Atingir o coração das pessoas, provocar mudanças a serviço da vida, como foi a missão de Jesus: Eu vim para que todos tenham vida (Jo 10,10). acolher os que sofrem na cidade. A cidade também é a concentração dos que sofrem, dos que são excluídos (jovens, adultos, anciãos, mendigos, enfermos etc.).
desenvolver o exercício da cidadania. A prática da cidadania vem ao encontro de todos os outros desafios sobre os quais já falamos. valorizar, incentivar e solidaridarizar-se com as organizações populares da cidade. tornar a paróquia mais extrovertida, romper com os esquemas burocráticos (limites, poderes etc.) e torná-la um verdadeiro pólo de acolhimento, atendimento e irradiação do Evangelho. Isto implica mudar toda a programação tradicional da paróquia. Criar atendimento em horários que os trabalhadores possam ir até lá (por exemplo, horário de folga do almoço etc.). Criar atendimentos especiais (para casais) com psicólogos e advogados. Há muitos profissionais que se dispõem a prestar um serviço deste tipo, por algumas horas durante a semana. acreditar no aspecto missionário da Igreja. Ela é, na essência, missionária. Por isso deve ser uma Igreja extrovertida. Isso deve ser prioridade no Plano de Pastoral. criar organismos que evangelizem, atendendo todas as comunidades, usando os meios de comunicação, criando escolas ministeriais e de formação de leigos, promovendo conferências sobre temas urgentes, etc. valorizar a pastoral ambiental - por exemplo, pastoral nos hospitais, nas universidades, nos meios políticos etc. Pe. Paulo De Coppi |
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Leigo é sinônimo de cristão, discípulo, fiel, irmão, eleito, santo. Todos os batizados são chamados de santos pelo apóstolo Paulo. A laicidade dos leigos consiste em sua especial ligação com o mundo, tornando a Igreja presente como sal, fermento e luz, na economia, na política, na arte, na cultura. Esta é a índole peculiar dos leigos: estar no mundo, ordenar as coisas do mundo segundo a vontade de Deus, ser fermento de santificação nas veias da história. Os leigos e as leigas hoje não podem ser apenas católicos praticantes, mas missionários. A consciência da missão nos faz perguntas pertinentes, como: por que nossos fiéis se afastam da Igreja? Que espaços a Igreja não ocupa? Por que nosso povo procura batizar os filhos, mas não se preocupa em fazê-los participantes da comunidade? Por que após a primeira eucaristia e a crisma, nossas crianças e jovens não perseveram? Como repatriar os irmãos afastados? Para um leigo despertar para a missão, ele precisa participar da comunidade eclesial, ter uma visão pastoral da paróquia e da diocese e principalmente abrir-se para a dimensão social da fé. A Igreja, desde 1891, tem seu catecismo social que chamamos de doutrina social da Igreja. Precisamos sair da sacristia e ir ao povo, visitar as casas, criar grupos de reflexão, oração e de ação nas ruas. O primeiro lugar de atuação dos leigos é o mundo. Daí a necessidade de leigos atuantes nos conselhos comunitários, nas instituições civis, como também a necessidade de novos ministérios perante a sociedade: diálogo com os líderes da sociedade, presença nas universidades, acompanhamento da ação política, ministérios de acolhimento dos migrantes e dos turistas, etc. Mais do que nunca precisamos estar atentos à pastoral urbana, ao mundo urbano, à ação da Igreja na cidade. Toda a ação pastoral da Igreja tem um fim: a salvação. Os caminhos da salvação passam pela promoção humana, pela conversão ao Reino, pela vocação universal à santidade. Com leigos e leigas missionários, com leigos e leigas teólogos, com leigos e leigas santos, lançaremos redes em águas mais profundas. Dom Orlando Brandes, |
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