Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Evangelização - Geral

pós ter apresentado progressivamente a história da Igreja e sua situação atual nos diversos continentes, me parece interessantes refletir sobre a NOVA EVANGELIZAÇÃO, termo que se tornou central na reflexão da Igreja sobretudo após o sínodo dos bispos de 1974 e da exortação Evangelii Nuntiandi, do papa Paulo VI (1975), que afirma:


Papa Paulo VI

“Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja e a sua mais profunda identidade”. (EN 14).

E explica:

“Evangelizar, para a Igreja, é levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude, e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro, tornando nova toda a humanidade” (EN 18).

DESAFIOS ATUAIS

      • Somos Igreja que vem perdendo “fiéis” de muitas maneiras.
      • Os católicos não são mais o maior grupo religioso, pois os muçulmanos já são mais numerosos e crescem mais rapidamente.
      • Num mundo com mais de seis bilhões de habitantes, os cristãos não superam os 2 bilhões.
      • A Ásia, o continente mais populoso, tem uma porcentagem mínima de Cristãos (2%).
      • Depois de 2.000 anos, “a missão está ainda no começo”. (RMi-Prefácio).
      • A Igreja não dispõe de missionários necessários para esta vastíssima missão.
      • Os católicos pouco conhecem sua fé, não vivem sólidas convicções e a maioria não se engaja na construção do Reino.

TOMADA DE CONSCIÊNCIA

Diante dessa situação, vem a pergunta: O que e como fazer para que os batizados recuperem a fé, o sentido de pertença à Igreja, o fervor e a capacidade de fazer missão?

Paulo VI, a esse propósito, questionou as comunidades cristãs:

Será que a asfixia espiritual, na qual se encontram tantos indivíduos e instituições católicas, não teria origem na prolongada ausência de um autêntico espírito missionário?

No Apocalipse, Deus assim falou aos cristãos da Igreja de Éfeso:

“Tenho uma queixa a fazer:

- não tendes mais o amor dos primeiros tempos!” (Ap 2,4). Cada vez mais sente-se a necessidade de recolocar a Igreja toda em estado de missão.


Karl Rahner

O teólogo Karl Rahner, já em 1972, falando aos bispos da Alemanha, fazia esta afirmação:

- “Não vale se encolher e se defender na pequena grei; ela não é mais que um abrigo inútil de resíduos de uma época histórica que está desaparecendo irreversivelmente. Num ambiente não mais cristão, a Igreja deve usar uma estratégia missionária. E se as energias à disposição forem limitadas, seria melhor deixar a defesa e enviá-las ao ataque”.

Rahner nos indica o caminho preferencial que a Igreja deve enveredar, com nova coragem, para os tais de areópagos, realidades novas e difíceis, onde as pessoas vivem, trabalham e geram cultura, mas onde a Boa Nova parece ter perdido espaço.

PROJETOS PARA UMA NOVA EVANGELIZAÇÃO

PROJETO EVANGÉLICO

Os evangélicos, em preparação ao Terceiro Milênio, fizeram um grande projeto:

- oferecer a Cristo um mundo mais evangelizado.

O projeto visava também a reevangelização dos 82% de católicos não praticantes.

Dizia um pastor:

- “Este é um trabalho que os católicos deveriam fazer, mas, já que eles não o fazem, ou não conseguem fazê-lo, nós cuidaremos disso”. Como o faremos? “A nossa força aérea é a TV e as nossas infantarias são todos os convertidos a Cristo que vão de casa em casa”.

PROJETO CATÓLICO

Graças a Deus, os católicos não ficaram para trás! Algo novo aconteceu e continua acontecendo também em nossa Igreja.

João Paulo II (Haiti - 1983) lançou aos seus apóstolos o desafio de uma Novaovaova Evanvangelização para enfrentar algumas realidades bem visíveis num mundo:

      • de profundas transformações, em que os próprios valores essenciais são postos em discussão, até nas famílias de tradição cristã;
      • em que a Igreja (de poucos fiéis) e o mundo (de muitos habitantes) não se entendem, vivendo com desconfiança e falando linguagens diferentes;
      • onde poucos batizados se entusiasmam pela sua fé e para a construção do Reino;
      • urbanizado, onde destaca-se o anonimato, a solidão, a violência e a droga, fazendo perder as referências religiosas.

É evidente que uma época findou e, infelizmente, pouco e mal conhecemos as exigências do “novo” que já iniciou.

UMA NOVA MISSÃO


A união e o entusiasmo fazem de uma Nova Evangelização

Paulo VI: “O mundo reclama evangelizadores que falem de Deus. É necessário, portanto, evangelizar de forma vital, em profundidade, até atingir as culturas dos homens.

- Não se trata somente de pregar o Evangelho em faixas geográficas cada vez mais vastas, mas também alcançar e transformar, com a potência do Evangelho, os critérios de juízo, os valores determinantes, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade que contrastam com a Palavra de Deus e seu plano de salvação”. (EN)

O Papa Paulo VI quer nos convencer da grande exigência de uma nova formação missionária dos cristãos, para que todos aqueles que se gloriam deste nome, se convençam de que, pela força de seu batismo, não podem delegar a ninguém a tarefa de anunciar Jesus Cristo. Trata-se de algo pessoal, irrenunciável! Como falar de “Povo de Deus”, ou de “uma Igreja por sua natureza missionária”, se não agíssemos para que esses conceitos correspondam à realidade?

CONFIANÇA

A imensidão da tarefa e a fragilidade de nossas forças podem levar-nos ao desânimo. Quando falou de Nova Evangelização, João Paulo II citou o dever de anunciar a Boa Nova também nos lugares e situações (areópagos da sociedade moderna) mais difíceis.

Entre eles enumera:

  • O mundo das comunicações, que está unificando a humanidade, transformando-a em aldeia global. Este meios alcançam tal importância que, para muitos, são o principal instrumento de informação e formação, de guia e inspiração dos comportamentos individuais, familiares e sociais.
  • O compromisso pela paz, o desenvolvimento e a libertação dos povos, a promoção da mulher e da criança, a proteção da natureza, os campos da cultura, da política, da economia, da pesquisa, da bioética, etc. São desafios que a Igreja precisa enfrentar para que a Boa Nova transforme a sociedade. O trabalho não é fácil. Ele exige conversão, rompimento, mudança de mentalidade e novos métodos. Caso contrário estaremos apenas dando uma nova roupagem à velha evangelização.

Contudo, não devemos nos amedrontar: Não estamos sozinhos! Jesus Cristo mesmo assegurou:

“Estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20).

João Paulo II, ao beatificar Pe. Paulo Manna-PIME, nos animou dizendo:

“Ao iniciarmos um novo milênio, ouçamos o convite que parece uma ordem: VAMOS AVANÇAR MAR ADENTRO!” (Lc 5,4).

Dificuldades e obstáculos não poderão deter os nossos passos”.

PARA DIALOGAR E AGIR:

1.º Por que o Papa, em 1983, em Haiti, lançou a Nova Evangelização?
2.º Quais as características da Nova Evangelização?
3.º Qual seria a maneira mais indicada para evangelizar os “areópagos” modernos, as situações e os lugares mais desafiadores

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