|

Devagar se vai longe, diz o povo. Mas só chega quem
sabe para onde ir. O planejamento, sobretudo se for participativo, embora
não seja uma solução mágica, é, sem
dúvida, um processo que ajuda a crescer e trabalhar sabendo para
onde se vai.
Planejamento, diga-se logo, não é somente decidir
uma listagem de ações a serem executadas em determinadas
datas e prazos. Este nós chamamos de cronograma. Planejamento
é o processo de tomar decisões a respeito do trabalho a
ser feito.
Planejamento envolve muita reflexão antes, durante e depois.
É um processo que não tem fim. Pode até chegar a
exigir que se mude o plano proposto se o andamento do trabalho mostrar
que é preciso fazê-lo. Pe. Agenor Brighenti oferece algumas
dicas que poderão ajudar os que se preocupam em realizar, neste
2002, uma ação evangelizadora mais séria e organizada.

É preciso parar de brincar numa atividade tão importante
como é a ação evangelizadora. O ditado popular diz:
o barato sai caro!
Por que então um planejamento? Eis algumas das razões mais
importantes:
1)
O planejamento ajuda a superar o amadorismo: a pastoral muitas vezes sofre
com improvisações.
2) Não basta planejar, mais importante é como planejar.
Existe o planejamento empresarial, mas, na Igreja, o planejamento tem
características diferentes.
3) Planejar para e, às vezes, com os outros, é uma
forma autoritária de conduzir a ação, pois não
basta ouvir os outros e, na hora, decidir sozinho, sem levar em consideração
as outras opiniões.
4) Planejar sem mística é obrigar o Espírito
Santo a fazer o que a gente quer. O planejamento, portanto, exige espiritualidade.
O Espírito Santo não está aí para carimbar
o que decidimos.
5) Na igreja só tem sentido o planejamento quando a comunidade
é sujeito dele. A igreja é o clero e os leigos juntos.
6) O planejamento participativo leva à desconcentração
do poder e evita as centralizações, pois cada âmbito
eclesial decide dentro de sua especificidade, sempre porém tomando
as iniciativas em comunhão.
7) Por outro lado, deve haver um discernimento comunitário,
decisão partilhada e ação desconcentrada. Quem não
participa do processo de tomada de decisão não tem nenhuma
obrigação de participar da execução dos resultados.
8) Privilegiar o processo e não os resultados. Os resultados
são a conseqüência.
9) Nem paroquialismo, nem universalismo generalizante. É
a igreja local a unidade básica do planejamento pastoral. Não
cabe mais pensar eu e a minha paróquia.
10) O planejamento parte da base, num processo ascendente. O novo
acontece de baixo para cima: a rotina tende a se estabelecer de cima para
baixo, quando, quem já sabe, aplica o que aprendeu.

O planejamento pastoral também exige alguns requisitos básicos:
1) Pés no chão: planejar é, antes de tudo,
não ignorar a realidade. Não existe começar do zero,
sempre há uma realidade. Pés no chão significa ler
a realidade.
2) Olhos no horizonte: planejar é projetar resultados a
alcançar, projetar um futuro desejável. Olhar longe é
também sentir as tendências da realidade para onde vai o
mundo. É vislumbrar a utopia evangélica para o próprio
tempo e contexto.
3) Sujar as mãos: o futuro desejável precisa traduzir-se
em ações concretas no presente, exige imaginação
e criatividade no ensaio de buscas de respostas.

Um
processo exige uma preparação e, muitas vezes, é
mais importante o antes que o durante. Quanto aos passos preparatórios,
começa-se por consultar as pessoas para elaboração
de uma proposta.
Sensibilizar as pessoas, motivá-las e fazer com que descubram o
valor. Não importa muito quem faz o convite. O importante
é o como, para que a pessoa assuma e se comprometa.
O processo exige uma coordenação. Coordenador é
aquele que harmoniza e faz acontecer sem andar na frente, convicto que
é preferível gastar tempo se educando e crescendo, do que
fazer tudo rapidinho mas sem que ninguém aprenda nada.
Constituir os organismos que vão tomar as decisões. Fazer
assembléias com pessoas verdadeiramente representativas da paróquia,
conselhos e serviços.
Capacitação na metodologia. O método também
faz parte do processo. Preparar as pessoas dando-lhes condições
para serem sujeitos.

Os possíveis passos de um processo de planejamento
participativo podem ser estes:
- A sociedade e a igreja que temos (marco da realidade). Ver as realidades
eclesial e social.
Lembrar que a igreja atua no mundo. De fato, a realidade é local
de manifestação do Espírito.
- A sociedade e a igreja que queremos. O futuro não é
pré-determinado (marco doutrinal).
- Nossas urgências de evangelização e prioridades
pastorais (diagnóstico).
- O que fazer para que a realidade que temos se aproxime da realidade
que almejamos (prognóstico).
- O que vamos fazer? (programação) Não inventar
objetivos fora da realidade. Ter critérios de ação.
Cada contexto exige ações próprias.
- As estruturas que darão suporte à ação
(marco organizacional). Temos de considerar a instituição
e, até muitas vezes, repensar a instituição. A
instituição, a estrutura, é meio, não é
fim.
Concluindo: sempre vai ter quem prefira não mudar nada e continuar
carregando, ano após ano, as mesmas queixas sobre o que não
deu certo. Mas também muitos são os que querem acertar.
A estes apresentamos estas breves reflexões.
Pe. Agenor Brighenti
|