Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Evangelização - Geral
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Evidentemente que a Igreja Primitiva era uma Igreja missionária, pois recebera uma ordem de Cristo neste sentido (Mt 28,19: Ide!).
Os cristãos tinham consciência de que deviam testemunhar e desempenhar uma missão no mundo. No entanto, não se pode falar que houvesse já uma atividade missionária geral e contínua organizada pela Igreja. No judaísmo também não havia tradição missionária, pois, basicamente, as atividades religiosas restringiam-se ao povo judeu. Jesus também, sobretudo na primeira parte de sua vida pública, limitou sua pregação aos discípulos e aos judeus (cf. Mt 10,5). Poucos foram os contatos com os pagãos. Paulo é um caso à parte: pela ordem recebida de Jesus na estrada de Damasco e movido pela sua própria personalidade, ele quer andar até os confins da terra, isto é, em todo o Império. Mas, num primeiro momento, ele também permaneceu junto aos judeus. O CONTÁGIO A propagação do Evangelho e a semeadura de igrejas não foi fruto de um movimento entusiástico, mas a conseqüência de duas pedagogias missionárias: o anúncio e o testemunho que acabaram contagiando muita gente. O anúncio direto foi obra dos apóstolos, de seus colaboradores, sucessores e do fervor dos recém-convertidos que procuravam convencer parentes e amigos. O contágio aconteceu também pela admiração provocada pelas pequenas comunidades e grupos cristãos que existiam no ambiente. A caridade, a alegria, a fraternidade, o cuidado pelos prisioneiros e a partilha que eles viviam, causavam admiração, curiosidade e acolhida pela nova mensagem. Não se pode também esquecer que a religiosidade romana vivia numa grande crise devido à sua artificialidade, multiplicação dos deuses, culto dos imperadores..., enquanto que a simplicidade e a pureza da fé cristã despertavam o interesse das pessoas que buscavam uma experiência religiosa mais séria e pessoal. QUEM ERAM OS CRISTÃOS? Os inimigos da Igreja, como o escritor Celso, diziam que o Cristianismo era a religião dos cardadores, sapateiros, lavadeiras, analfabetos, gente sem eira nem beira. Mas isso não corresponde à realidade. Muitos cristãos, de fato, eram gente pobre e simples, os doentes e sofredores curados e alimentados por Jesus. Mas também havia gente rica ou da classe média, como Mateus, Zaqueu, Lázaro, o funcionário da rainha da Etiópia, o centurião Cornélio, Lídia, comerciante de púrpura, mulheres nobres que acompanham Paulo, Priscila e Áquila, para citar alguns do período neotestamentário. Antes do ano 100, há cristãos na alta nobreza romana e na própria família imperial, como Flávia Domitila, mulher de Domiciano. O Pastor de Hermas, pelo ano 100, critica os cristãos romanos por causa de sua preocupação com os negócios e muito luxo. Tertuliano, um século depois, fala de senadores cristãos. Pelo século III, a maioria da comunidade cristã de Cartago não pertencia à classe inferior. Podemos afirmar que, pouco a pouco, a mensagem do Evangelho atinge a todas as classes sociais que, por sua vez, procuram contagiar seus parentes e amigos. O CRESCIMENTO DA IGREJA ATÉ O SÉCULO IV Se é justo afirmar que o período apostólico pode ser chamado de missionário, o mesmo não pode ser dito dos séculos seguintes. Parece que o mandato missionário de Cristo tenha sido interpretado como dirigido somente aos Doze e a Paulo. Após o ano 100, os bispos parecem não entender que sua sucessão apostólica incluía a missão. Acham que o mandato missionário de Mateus já tivesse sido realizado: havia cristãos nos confins da terra (os limites do Império). Deste modo estava cumprida a ordem de Jesus. Chama a atenção também o fato de que havia pouquíssimas orações pela conversão dos pagãos ou para a instauração de um império cristão. Após o ano 100 havia poucos missionários no sentido propriamente dito. Podemos citar alguns deles: Gregório o Taumaturgo, para as missões no Ponto e na Capadócia; Martinho de Tours para a Gália; Gregório o Iluminador para a Armênia.
A difusão do Evangelho foi condicionada e facilitada pela rede viária do Império. Também dependeu do conhecimento do grego. Como naquele tempo não havia estatísticas para o número aproximativo dos cristãos, pode ajudar as estatísticas da população do Império romano: 50/55 milhões no Iº século, 75/80 no IIº, 70 no final do IIIº. Partindo disso, o número dos cristãos pode ser assim estimado: Três milhões pelo ano 250, 6/7 milhões pelo ano 300, a grande maioria do Oriente. Eram 800 as comunidades locais, todas elas com seu bispo (naquele tempo, cada igreja, por menor que fosse, tinha seu bispo). Presença dos cristãos nas diferentes regiões do Império:
Fora do Império, desde o século II, havia cristãos na Pérsia, Mesopotâmia e Índia. A ORGANIZAÇÃO DA IGREJA Se no século I o governo da Igreja era colegial (apóstolos, doutores, missionários, bispos), pelo ano 110, em algumas regiões, começa a predominar o episcopado monárquico, isto é, surge a distinção entre presbíteros e bispos, passando estes a governar a igreja local. Perto do ano 220, essa será a forma normal de governo eclesial. Uma das causas foi a sucessão apostólica: os apóstolos, que eram bispos itinerantes, quando residiam numa localidade, eram chefes do presbitério local. O mesmo passa a suceder com seus colaboradores, como Timóteo e Tito, Inácio em Antioquia, Policarpo em Esmirna, Clemente em Roma. Seu raio de atuação é bastante limitado: uma região, uma zona particular. Ao mesmo tempo são bispos residenciais e bispos missionários. Surgindo heresias, como o gnosticismo, ganha importância o conceito de sucessão apostólica, que esclarecia melhor onde estava a verdadeira fé. Os hereges criam doutrinas, os bispos não: eles transmitem o que receberam dos apóstolos, não inventam nada. Neles há a garantia da sucessão da doutrina, a sucessão apostólica. Quem está com o bispo, está com a doutrina dos Apóstolos. O bispo é o centro de unidade, representa Deus, preside a catequese, os sacramentos e a disciplina. Os presbíteros ajudam e substituem o bispo, enquanto que os diáconos estão a serviço do bispo, ajudando-o na liturgia e na administração e cuidando da assistência social dos pobres. Inicialmente houve também diaconisas, com verdadeira ordenação, pertencendo à hierarquia. No século II ainda existiam os carismáticos, chamados de profetas, que ensinavam nas assembléias litúrgicas e ajudavam os diáconos na atividade caritativa. Mas, pelo surgimento de muitos falsos profetas, tendem a desaparecer. A Igreja, pelo ano 200, havia praticamente formulado o sistema de governo e pastoreio que, em linhas gerais, é semelhante ao de hoje. Pe. José Artulino Besen
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