Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Evangelização - Inculturação
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Parece que, não raras vezes, há uma transferência de responsabilidades, pois é comum as pessoas se perguntarem: qual o segmento da sociedade que deve se preocupar com esta missão tão nobre, urgente e importante na vida das crianças e adolescentes? Seria a escola? A família? Os meios de comunicação social? A rua? A Igreja? Enfim, tantas perguntas e poucas respostas convincentes. No entanto, na África, da cultura tradicional e iletrada, esta responsabilidade é da... bem, vamos conferir isso nessa reflexão. A MULHER E A EDUCAÇÃO Diz um provérbio africano: Quem educa uma mulher (menina), educa um povo. A sociedade africana, apesar de machista (esta é uma herança cultural), delega a responsabilidade da educação dos filhos à mulher. Isso porque a mulher (mãe) convive com as crianças mais tempo do que os homens. Até na hora das refeições, a mãe come em separado com as crianças e o pai fica com os seus filhos adultos ou amigos do outro lado.
Outro fator importante é o fato da criança acompanhar a mãe em todos os lugares. É no caminho da roça, quando vai buscar água na bomba, na execução dos trabalhos domésticos, etc. A criança é a companheira fiel da mãe em todas as suas ações durante o dia e, à noite, ainda dorme no chão encostadinha na mãe. Podemos relacionar ainda um outro aspecto que é estritamente cultural: o sistema matriarcal. Esse sistema determina que a herança vem do lado maternal e não do paternal. Logo, a criança é bem educada e orientada pela sua família do lado maternal. Na sociedade africana a criança é verdadeiramente a glória da mãe. A mulher será bem estimada pelo seu marido e seus familiares pelo número de filhos que ela colocar no mundo. A mulher, por este motivo, sempre deseja ter muitos filhos. No entanto, ela evita de dar a luz todos os anos, para não fazer sofrer o último filhinho que ainda está sendo amamentado no peito. Como não existe nenhum método contraceptivo na tradição africana, então o marido evita de ter relações sexuais com a sua mulher durante os oito meses que seguem o parto. A FAMÍLIA E A EDUCAÇÃO Na África, o conceito de família é bem diferente do nosso mundo. Para o africano, a família tem uma conotação mais alargada. Os laços de sangue ou de tribo são mais abrangentes do que a própria filiação paterna ou materna. Logo, a responsabilidade na educação das crianças ou adolescentes é de todos os membros da família. É bastante comum ouvir uma criança ou adolescente chamar a tia de mãe, ou o tio de pai. Em relação a todos os adultos existe sempre o respeito e a aceitação da correção educacional. A família é a elemento base da estabilidade da sociedade africana, porque tudo o que diz respeito a uma pessoa envolve toda a família. Um rapaz não se casa com uma moça (ou vice-versa), mas ele (ela) se casa com toda a família. Se no futuro houver um problema entre o casal, será também problema de toda a família, que intervirá de todos os lados para ajudá-lo a superar a desavença. Nesse caso, ninguém dirá que é intromissão ou invasão de privacidade. É justamente o contrário: na hora do julgamento popular, o casal não falará nada e serão os outros membros da família que falarão em seu nome. Os filhos, educados nesse ambiente, saberão como orientar as suas vidas no futuro, porque terão como ponto de referência a tradição familiar herdada de seus pais, avós e antepassados. A MÃE E A CRIANÇA Nas duas primeiras semanas que seguem ao parto, a criança não pode sair para fora do quarto e nem ver a luz do sol. Isso porque ela ainda é fraquinha e precisa adquirir imunidade física e espiritual para enfrentar o combate contra o espírito do mal e as intempéries do tempo. Ao término desse período, uma senhora idosa pega a criança e a faz aparecer em público e na luz do sol. Em seguida, coloca a criança deitada debaixo de uma calha. A água escorre e cai sobre a criança, que evidentemente começa a chorar. Em seguida, um grupo de senhoras sai andando pela aldeia agradecendo a toda a população pela solidariedade no momento do parto. De volta à casa da mãe, dizem à criança: Você veio a este mundo, não mate o seu pai e nem a sua mãe. A mãe se rejubila com as outras mulheres pelo filho que foi apresentado aos aldeãos. Todos saúdam a mãe, dizendo: mo ni ba, que quer dizer: Felicitação pelo(a) filho(a) que você colocou no mundo. Pe. Toninho Nunes - PIME PARA REFLETIR 1 - O que mais
lhe impressionou sobre a educação na cultura tradicional
africana?
Mãe África Do meu peito ainda escorre leite, e esse alimento ninguém pode calar. Ninguém pode roubar, contrabandear, explorar.
Mesmo que eu não coma, não beba, meu leite não vai acabar. Podem tirar todo o meu sangue, rasgar nossas terras em busca de diamantes. Rasgar nossas vísceras e nos contaminar. Meu leite continuará a jorrar e será alimento de todos os filhos dessa terra. Mesmo se esse país virar um deserto e nada restar de pé,
meu leite ainda escorrerá, E mesmo que o homem destrua o homem, que o homem negue três vezes a sua origem, meu leite ainda assim escorrerá e não será branco, pardo, amarelo, vermelho ou negro. Meu leite será puro e transparente. Correndo nas veias da Terra. Abençoando todos os filhos sofridos da Mãe África. Christiane Jatahy |
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