Jornal - "MISSÃO JOVEM"
História da Igreja
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500 Anos: Continua a Paixão pelo Evangelho
Desde 1500, missionários se encarregaram de cumprir, em nossas terras, o mandato de Jesus: "Ide, e fazei que todos os povos se tornem discípulos" (Mt 28,19).
Os relatos e as cartas dos primeiros missionários parecem ser a continuação das cartas que o apóstolo Paulo escrevia às suas comunidades: "Somos atribulados por todos os lados, mas não esmagados; postos em extrema dificuldade, mas não vencidos" (2Cor 4, 8). Pe. José de Anchieta escreve: "Quase sem cessar andamos visitando várias povoações (...) sem fazer caso das chuvas ou grandes enchentes de rios. Muitas vezes, de noite, por bosques mui escuros (...). Muitas vezes estamos fatigados de dores, mas nada é árduo aos que têm por fim somente a honra de Deus e a salvação das almas, pelas quais não duvidamos dar a vida." Os missionários pioneiros, que aportaram em praias brasileiras, evidentemente eram filhos de seu tempo. Se analisarmos seu empenho do alto de nossas cátedras deste final de milênio, perceberemos claramente neles atitudes que hoje não repetiríamos. Vieram ao "Novo Mundo" ("novo" do ponto de vista europeu) com categorias e critérios europeus, e lutaram pela implantação de uma Igreja com a roupagem da velha Europa. A expressão "Inculturação do Evangelho" não constava do vocabulário eclesiástico daquelas épocas e, muito menos, foi meta da empreitada missionária realizar uma evangelização "a partir das culturas" autóctones. Mesmo assim, emociona-nos o fervor que os motivou a se doarem, até às últimas conseqüências, para o anúncio do Evangelho em nosso Brasil. Os tempos mudaram e a Igreja amadureceu na compreensão do mandato do Senhor. A antropologia e a experiência missionária ensinaram-nos a reconhecer, em todas as culturas, mediações possíveis para uma nova evangelização. Falamos hoje de inculturação, de novos métodos..., mas é bom ter cuidado para que a paixão e o ardor, que devem acompanhar e motivar o anúncio e o testemunho, não passem de um "marketing" religioso superficial. Igrejas-irmãs, um projeto corajoso Já no quinto século de evangelização do Brasil, a maioria dos missionários que evangelizam nas imensas e mais carentes regiões do Norte e Nordeste ainda são estrangeiros. Raramente eles são nativos ou provém das regiões do país mais estruturadas e religiosamente privilegiadas, como: Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul... Mas, como aconteceu em todas as Igrejas particulares do mundo, sobretudo após o Concílio Ecumênico Vaticano IIº, a Igreja do Brasil também sentiu forte o dever e a urgência de assumir a sua vocação evangelizadora, lançando-se para os caminhos do mundo não cristão. No entanto, os bispos brasileiros se perguntaram: Por que, a título de experiência e preparação, não verificar a nossa paixão missionária em regiões mais carentes do nosso país? Foi assim que, em 1972, após uma visita da presidência da CNBB ao norte do país, surgiu o projeto "Igrejas-irmãs", visando despertar a solidariedade entre as Dioceses e Regionais. Disseram os bispos, dirigindo-se às Igrejas do Brasil: "Aquelas que têm maiores recursos, colaborem com as menos favorecidas. Todas as dioceses, ainda que pobres, sempre podem contribuir em favor de outras mais pobres". O projeto "Igrejas-irmãs" conheceu experiências bem sucedidas e, até hoje, colhemos frutos maduros, sobretudo quando se valorizou a reciprocidade: receber e enviar. Foi uma importante iniciativa missionária que despertou as Igrejas do Brasil para a Amazônia e para as regiões do Oeste e Nordeste.
Empenho missionário "além-fronteiras" Embora a Igreja do Brasil mostre grande preocupação com os enormes problemas internos, os bispos brasileiros se mostram sempre mais sensíveis à ação missionária "além-fronteiras". O "Ad Gentes", documento missionário do Concílio Vaticano II (1962-1965), relaciona a missionariedade da Igreja à sua catolicidade: "Enviada por Deus a todos os povos para ser sacramento universal de salvação, por exigência íntima de sua catolicidade e obedecendo ao mandato do seu Fundador (cf. Mc 16,16), a Igreja esforça-se por anunciar o Evangelho a todos os povos" (AG 1). A Igreja assume a Missão Hoje, é a Igreja toda, e cada Igreja particular, que, diante dos desafios missionários, deve responder aos apelos urgentes de áreas e situações missionárias bem definidas, tanto dentro do próprio país como além-fronteiras. Trata-se de converter cada vez mais a nossa espiritualidade e a nossa práxis pastoral, conferindo-lhe os critérios da catolicidade e da escolha preferencial pelos mais pobres, primeiros destinatários da Missão (Lc 4,18-21). O Decreto "Ad Gentes" deixou claro: "A evangelização missionária não pode ser exclusivamente de Institutos ou Organismos, mas tem de envolver toda a Igreja. Os Institutos e Organismos missionários são instrumentos especializados da missionariedade da Igreja e conferem-lhe um conteúdo específico, mas o sujeito da missão é a própria Igreja". Cada bispo, enquanto membro do Colégio episcopal e sucessor legítimo dos Apóstolos, é responsável pela evangelização do mundo inteiro. A Igreja no Brasil solidária com o mundo A ação missionária "além-fronteiras" da Igreja no Brasil, embora com uma certa lentidão, está em andamento. Mais de mil missionários estão trabalhando fora do país. A imensa maioria é constituída de religiosas, mas há também um bom número de presbíteros, alguns diocesanos. Pequena é ainda a presença de missionários leigos. Grande esforço está sendo desenvolvido também para que haja uma maior comunhão e intercâmbio com as Igrejas dos outros continentes. Interessantes projetos missionários de ajuda às Igrejas locais da África estão sendo implantados por diversos Regionais da CNBB. Esta iniciativa começou com o projeto "Igrejas Solidárias", do Regional Sul 3 (RS), seguido pelo Regional Sul 2 (PR) e Nordeste 5 (MA). Sem dúvida, essas iniciativas muito contribuirão para que a nossa Igreja abra cada vez mais seus horizontes, assumindo sua responsabilidade com a evangelização do mundo inteiro. Dom Paulo Moretto, bispo de Caxias, RS, afirmou: "Estou convicto
de que a dimensão missionária é o grande desafio
que, no marco dos 500 anos da Igreja no Brasil, nos interpela a todos,
tanto dentro das fronteiras nacionais como além delas. Ao concluirmos
meio milênio de Evangelização, está na hora
de rompermos definitivamente com o egoísmo eclesiástico
que só nos permite girar ao redor da igreja paroquial ou da catedral
diocesana, do nosso convento ou casa provincial. São estruturas
que, não raramente, amarram e impedem, aos apaixonados pelo Reino
de Deus, de alçar vôo". Para Refletir 1.º "A América Latina deve dar de sua pobreza" (Puebla). O que significa concretamente esta afirmação? 2.º O que ainda impede uma maior abertura missionária das Igrejas particulares do Brasil? 3.º De que maneira a Igreja do Brasil pode realizar comunhão com as outras Igrejas do mundo? |
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