Jornal - "MISSÃO JOVEM"
História da Igreja
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Jubileus Marcam a Missão A missão da Igreja marca o seu ritmo no tempo e no espaço. Tudo começou no dia em que Jesus enviou seus apóstolos por todo o mundo para que levassem seu feliz anúncio a todos os homens. Foi o início de uma peregrinação sem precedentes, destinada a cruzar-se com a história do homem e dos povos. Neste alternar-se de acontecimentos, também os jubileus são marcos no caminho da evangelização. China e Mongólia No ano de 1300, quando acontecia, em Roma, a abertura do primeiro jubileu da História, convidando os fiéis à conversão, a missão descobria o caminho da China e da Mongólia: foram os primeiros anos da evangelização dos mongóis, dos tártaros e dos armenos, pela ação de poucos missionários franciscanos e dominicanos. O nascimento das primeiras comunidades cristãs e dioceses asiáticas foram logo marcadas pelo sacrifício e pelo sangue. Os jubileus de 1400 ostentam as marcas do martírio de muitos missionários e cristãos leigos pelas mãos dos mongóis, muçulmanos, chefiados por Tamerlano. As dioceses, há pouco estabelecidas, foram destruídas. Não bastasse isso, em meados do século, eclodiu uma epidemia - a peste negra - que eliminou quase todos os missionários, mas não apagou a fé dos cristãos. Relata a história que alguns deles chegaram a empreender uma peregrinação a Roma e a Santiago de Compostela para usufruir dos benefícios do jubileu. Portugal e Espanha À medida que os horizontes da Igreja missionária se alargavam, as forças evangelizadoras experimentavam seus limites diante de tanto trabalho. Diante disso, a Igreja chegou ao ponto de, excepcionalmente, entregar a Portugal e à Espanha a tarefa de evangelizar os territórios do Oriente e do Ocidente. Pedia o Papa: Nós vos impomos o dever, em virtude da santa obediência, como prometestes,... de enviar, às terras firmes e ilhas, homens virtuosos e cheios de temor de Deus, sábios e experimentados, para instruir os indígenas na fé católica e incutir-lhes os bons costumes. Novos mundos O jubileu, que abriu o ano de 1500, pareceu não dar a devida atenção e importância ao descobrimento das novas terras e de novos povos. Muitos peregrinos, que afluíam a Roma naquela ocasião, estavam mais preocupados em obter o perdão dos pecados e em lucrar as indulgências, do que indagar o que estava acontecendo do outro lado do Atlântico. Temos que reconhecer, apesar de todas as limitações, que o século XVI foi de uma extraordinária expansão missionária, e que a peregrinação da Igreja pelo mundo foi compensada com uma colheita de abundantes frutos. As primeiras comunidades cristãs implantadas nas índias
orientais coincidiram com o jubileu de 1500: Haiti e São Domingos
em 1502, Antilhas em 1510, Panamá em 1513, México em 1523,
etc. Os descobridores e os missionários de 500 anos atrás não possuíam a mentalidade missionária de hoje, fruto de uma longa aprendizagem. A mancha da escravatura Bem diferente teria sido o caminho da evangelização se não tivesse havido a escravatura. Por um lado, ela uniu a África à América, mas, por outro, acabou por lançar o descrédito sobre os missionários europeus e sobre a sua religião. Nem as intervenções dos papas mudaram o rumo dos acontecimentos, mas contribuíram para formar a mentalidade de que a escravatura é incompatível com a evangelização (Bula Sublimis Deus, de 1537). Os índios, com toda a evidência, são verdadeiros homens e não devem ser privados da sua liberdade. - A escravatura não pertence ao direito natural, pelo contrário, o homem nasceu livre. - Não se pode, com consciência tranqüila, comprar e nem vender escravos: há injustiça neste comércio (Debate sobre a escravatura, Valladolid, 1550-1551). Surgem as Igrejas locais Os jubileus de 1600 e de 1625, realizados depois da reforma de Lutero, foram os jubileus da contra-reforma. É a Igreja que começa a se organizar melhor e a tomar consciência da urgência de se expandir por todo o mundo. A Santa Sé, em vista disso, conferiu plenos poderes à Congregação de Propaganda Fide para que assumisse a organização da evangelização dos povos recém descobertos, até então nas mãos dos imperadores católicos (Padroado). O pulso da Igreja missionária começou a bater com maior vigor: Novas metodologias indicaram novos rumos à evangelização, acelerando os tempos do surgimento das Igrejas locais. Será sempre ao ritmo dos jubileus que a Igreja medirá sua fidelidade ao mandato de Jesus: Ide pelo mundo... e fazei discípulos meus todos os povos.... Este jubileu oferece a João Paulo II a oportunidade para recordar as grandes etapas da evangelização de muitas nações, mas particularmente do Brasil que, junto com a celebração do Jubileu, está comemorando seus 500 anos de evangelização. Entre tantas dificuldades, a nossa Igreja tem motivos para se alegrar: ela cresceu a ponto de ser considerada, pelos últimos papas, a grande esperança missionária do mundo! João Tebaldi - adaptação |
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