Jornal - "MISSÃO JOVEM"
História da Igreja
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O grande esforço dos Pais da Igreja no Oriente foi o de explicar teologicamente os grandes dogmas da fé cristã: a Trindade e a Encarnação. 0s quatro primeiros Concílios ecumênicos ofereceram uma clarificação quase que definitiva. Quanto aos Pais do Ocidente, não significa que não tivessem interesse dogmático: eles têm, é claro, mas se inspiram no Oriente. O grande tema ocidental situa-se no campo da graça: como conciliar o poder da graça divina com a vontade humana, a liberdade que se origina no livre arbítrio? Eu sei que sou livre, mas sou pecador e dependente de Deus. Como fica a liberdade do homem e a necessidade da graça para poder fazer o bem? Pelágio (+ 422 aprox.), Um asceta britânico, afirmava que através do esforço, da ascese, o homem pode atingir a santidade. Deste modo, convidava os cristãos a levarem uma vida séria, esforçada para atingirem a vida perfeita. É o esforço, mais que a graça, que realiza a salvação. Esta doutrina, o Pelagianismo, espalhada logo para o norte da África e Ásia Menor, foi muito sedutora. Ela destrói o núcleo central do cristianismo, que é a salvação pela graça. Agostinho e todo o Ocidente enfrentaram este perigo.
O papa Leão Magno (+ 461) foi defensor não só da doutrina, mas também da civilização ocidental, evitando que Roma fosse saqueada pelos hunos comandos por Átila. Hilário de Poitiers (+ 367), retórico e filósofo, buscando o sentido da vida, abraçou o cristianismo e, eleito bispo, buscou reconquistar a Gália para a fé católica, pois estava tomada pelo arianismo. Pastor zeloso, procurou oferecer a seu rebanho o que de melhor aprendera em seu exílio de três anos no Oriente.
Jerônimo (+ 419/420), de rica família da Dalmácia, logo dirigiu-se a Roma para estudar. Secretário do papa Dâmaso, viajante e peregrino, por onde se preocupa em estudar a língua, ouvir teólogos, filósofos e entabular contato com judeus. Duas são suas preocupações: a vida monástica, que estimula em toda parte, construindo e governando quatro mosteiros, e o estudo da Sagrada Escritura; Em 386 fixa residência em Belém, onde permaneceu até a morte. Ali completa sua obra principal: a revisão do texto latino e depois a tradução de todo o Antigo Testamento, confrontando-o com outras versões e o original hebraico. Desde o século XIII, sua tradução Iatina é conhecida como "Vulgata".
A cidade de Milão, residência imperial, vivia um grande
problema: morrera o bispo ariano Auxêncio.
Ambrósio protestou: estava com 30 anos e nem batizado era... O povo não deu bola e forçou-o ao episcopado. Foi batizado e oito dias depois consagrado bispo, interrompendo uma carreira rápida e brilhante, iniciada em Roma. Homem sério, assume sua missão: doa sua fortuna aos pobres, inicia os estudos teológicos, 1ê com fervor as Escrituras e segue a escola dos Pais gregos. Ambrósio é sobretudo um pastor. Vive cercado pela multidão dos pobres, embora sendo difícil falar com ele. Seu prazer é comentar as Escrituras, os Evangelhos. É um catequista nato e orador de qualidade, pois chegou a convencer o próprio Agostinho. Preocupado com a participação dos fiéis na liturgia, introduz em Milão o canto alternado dos salmos, escreve hinos, compõe melodias populares, sempre inspirado no Oriente. Destacou-se pela sua ação social, numa capital de pouco
ricos e muitos pobres. Denun "Não são os seus bens que distribuem aos pobres, são apenas os bens de Deus que vocês destinam. O que fazem, é usurpar só para uso pessoal, o que é dado a todos é para ser utilizado por todos". Ambrósio defendia a liberdade da Igreja frente ao Estado, não tendo medo de chamar o imperador à obediência. O grande Teodósio tinha mandado massacrar sete mil pessoas em Tessalônica. Vingança! Ao querer entrar na Igreja, Ambrósio o excomunga e manda para a rua: que fizesse primeiro penitência! Dias depois, o imperador mais poderoso da terra entra na igreja vestido de penitente, pedindo que Ambrósio o recebesse! Sendo grande escritor, o que mais revela este Santo é sua sensibilidade, alimentada pela oração. Nisso manifesta o segredo de sua vida: um ardente amor a Jesus. São as suas U1timas palavras: "É duro arrastar por tanto tempo um corpo já envolvido pelas sombras da morte, Levanta-te, Senhor, por que dormes? Irás, porventura, rejeitar-me para sempre?"
Nascido em 354 em Tagaste (na atual Argélia), este homem, filho da fervorosa Mônica, torna-se a mais influente personalidade do Ocidente cristão. Agostinho é poeta, filósofo, teólogo, pastor, místico e santo. Síntese de toda a sabedoria da Antiguidade, Agostinho marcou indelevelmente a Igreja ocidental, a ponto de não haver campo na vida cristã que não tivesse recebido sua influência. De rara inteligência, foi a maior preocupação para sua mãe que queria protegê-lo e conservá-lo na fé crista.
Mas, algo arde nele: a sede da verdade, pois sentia a angustia de uma vida sem sentido. É um peregrino da verdade. Vai para Roma, acompanhado pela mãe. Já professor famoso, mas ainda insatisfeito, vai para Milão. Ali Deus o pescou com sua rede, através da escuta dos sermões de Santo Ambrósio. Encontrou a Verdade. Aos prantos, pediu o Batismo e decide voltar à áfrica Depois chorando, confessou: "Amei-te tarde, ó beleza, tão antiga e tão nova, amei-te tarde demais. Ah! Estavas dentro de mim; o caso, porém, é que eu estava fora... Tocaste-me, e fiquei inflamado da paz que tu dás". No porto de Roma, infelizmente, morre sua mãe, Santa Mônica. Chegando em Hipona, quer dedicar-se à contemplação, mas é logo escolhido para bispo desta cidade, tomando-se chefe do episcopado africano. Passou a viver com seus padres em vida monástica. Sua vida de pastor não é tranqüila: missa diária, prega até duas vezes ao dia, dá catequese, administra os bens temporais, resolve questões de justiça (cerca, muro, dívidas, brigas de família...), atende os pobres e órfãos, enfim, uma vida consumida pelo zelo pastoral.
Agostinho e o Doutor da Graça. Salva assim a Igreja ocidental do Pelagianismo, afirmando que a salvação é fruto da graça, da encarnação e da redenção. Ele sentiu isso na pele: era um pecador orgulhoso e Deus o alcançou: pura graça, puro amor! Pe. José Artulino Besen |
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