Jornal - "MISSÃO JOVEM"
História da Igreja
- cada um – Igreja e Estado – possui sua esfera de competência, meios e fins. No regime liberal, que substituiu o absolutismo, encontramos três classes de separatismo: • Separação pura: o Estado não professa uma religião particular e todos os cultos gozam de igual tratamento perante a lei. O Estado exonera os eclesiásticos do serviço militar e reconhece os efeitos civis do matrimônio religioso mantendo-se bem distante do laicismo europeu. O exemplo de sua aplicação foi o dos Estados Unidos, cujo artigo VI da Constituição Federal de 1787 determina: “Jamais será pedida alguma declaração de fé para se obter algum ofício ou cargo público” • Separação mista (ou parcial): o Estado se professa incompetente nas questões religiosas, considera a Igreja como sociedade privada, reconhecendo-lhe alguns privilégios que a lei concede em vista do bem comum. Salários e pensões de ministros da religião são pagos pelo Estado e se estabelece a liberdade de instrução e de culto. • Separação hostil: o Estado se separa da Igreja masnão lhe dá liberdade. Neste sistema, o Estado controla a Igreja por julgá-la perigosa. Foi a situação que se verificou, no decurso do século XIX, nos países latinos: Espanha, Portugal, França, Itália, América Latina. Este regime comporta cinco fenômenos, em todos os países, com acentos diferentes:
• Confisco do patrimônio eclesiástico • Suspensão ou supressão das Ordens religiosas. • Introdução do matrimônio civil e do divórcio com o conseqüente desconhecimento do matrimônio religioso. • Laicização da escola. • A expulsão do clero secular em alguns casos. O exemplo mais típico desta separação foi a França, já considerada como a “filha primogênita da Igreja”. Ali, a luta entre a Igreja e o Estado se prolongou até 1905 quando, finalmente, foi confiscado todo o patrimônio da Igreja, mas recuperada a liberdade. Em Portugal, em 1911, deuse perseguição e ruptura semelhantes. UMA IGREJA MAIS PURA E MAIS JOVEM Após a Revolução, a Igreja perdeu sua influência política anterior, mas intensificou sua ação pastoral. Isto se vê pelo despertar de novas ordens religiosas: 40 novas fundações somente no pontificado de Pio IX (1846-1878). Atingida nos interesses materiais e na liberdade, a Igreja soube tirar da perseguição a sua purificação. Teve novos mártires e, através de seu testemunho, adquiriu nova autoridade e prestígio perante as consciências. Em 1870, com a unificação italiana, desapareceram os Estados Pontifícios e o Papa Pio IX foi, deste modo, o último Papa-Rei. Perdidaa autoridade temporal e dedicando-se a uma missão inteiramente espiritual, o Papa cresceu em estima e autoridade em todo o mundo. O século XX vê o Papado crescer sempre mais em força moral. Com João XXIII, a humanidade acreditou ter um pai comum: todos os povos choraram a sua morte (1963); Paulo VI fez-se ouvir na própria ONU (1965), e suas palavras foram acolhidas como uma mensagem que transcende a política e os interesses humanos. João Paulo II, com suas peregrinações pelo mundo e o compromisso com a paz e a justiça, tornou-se a única força moral ouvida em toda a terra. A Igreja tornou-se mais pobre e mais espiritual Foi uma transformação lenta e penosa. Em Roma, ainda vivia-se em formas exteriores imponentes e os diplomatas, creditados junto à Santa Sé, sentiam-se em apuros financeiros para adequar-se aos luxuosos costumes romanos. Enquanto isso, a pobreza do povo romano era crônica. Porém, após a separação, a Igreja foi se purificando, e os leigos assumindo a sua missão. Melhorou a qualidade do clero com o desaparecer de vocações interesseiras e com a fundação de seminários regionais, exigida por Pio X em 1906. O trabalho pastoral e o apostolado passaram a tornar-se o fim a que devia tender a vida do sacerdote. Um maior compromisso
Os bispos passaram a ser pastores dedicados ao governo de sua diocese e o clero mais unido ao seu pastor. As Ordens e Institutos religiosos, que tiveram de recomeçar do zero, aumentaram seus efetivos com as novas fundações. Permite-se a vida ativa dos religiosos e religiosas, com a possibilidade de levar uma vida de perfeição também fora da clausura, no contato direto com o mundo (Pio XII, em 1950). O laicato, contemporaneamente, assumiu uma parte sempre mais decisiva na vida da Igreja: ninguém mais se escandaliza com a afirmação de que o amor conjugal pode ser um meio de santificação e elevação a Deus. Aprofundou-se a piedade, que se torna mais íntima, pessoal. Pio X, em 1905, estimulou a comunhão diária e antecipou a idade para a primeira comunhão. A devoção mariana foi favorecida com os dogmas da Imaculada Conceição (1854), da Assunção (1950), pelas aparições em Lourdes (1858) e em Fátima (1917). Em l841, nasceu o Apostolado da Oração e, em 1856, estendeu-se ao mundo inteiro a devoção ao Coração de Jesus. Deram-se os primeiros passos para a renovação litúrgica com a unificação das liturgias, a reforma do canto gregoriano (1903), que se completaram com o Concílio Vaticano II (1962-1965): quer-se romper o muro de divisão entre o clero e o laicato, entre o sacerdócio e o povo. A Igreja mais tolerante A pastoral passa a se apoiar mais na persuasão, na conversão, na eficácia da graça do que no uso da força e da ameaça, numa lenta evolução. Diminuiu sensivelmente o número de participantes, mas a massa de antes, com o grande número de conformistas e hipócritas, foi substituída por um número de pessoas animadas por uma fé mais pessoal. O exercício da liberdade é lento e penoso, mas necessário. PARA REFLETIR
2. Como aconteceu a purificação da Igreja? Isso continua hoje? |
Visite as outras páginas
[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]