Jornal - "MISSÃO JOVEM"

História da Igreja

A história da evangelização na Ásia remonta aos primeiros séculos do cristianismo. Na Índia, os “cristãos de São Tomás” fazem sua história remontar ao apóstolo Tomás.

Em Tana, perto de Bombaim, pelo ano de 1321, o dominicano Giordano Catalã e companheiros batizaram 10 mil indianos.

Na Pérsia (Irã), em 1318, foi instituída a sede arquiepiscopal de Sultanieh, com nove sedes sufragâneas, mas a invasão mongol de Tamerlão, em 1387, destruiu tudo e interrompeu a comunicação entre o extremo Oriente e a Europa.

Na China, no século VII, temos a presença cristã nestoriana e, no século XIII, missionários dominicanos e franciscanos chegaram aos reinos dos Mongóis. Frei João de Montecorvino, foi o primeiro evangelizador dos chineses e, em 1307, foi eleito primeiro arcebispo de Pequim e se envolveu na organização da Igreja naquelas regiões. Guglielmo da Prato, seu sucessor, foi menos feliz em seu trabalho, pois a nova dinastia Ming sufocou as missões, destruindo-as completamente.

Desafios da Idade Moderna

Com a expansão colonial européia rumo ao Oriente, a missão cristã se deparou com novos desafios:

• os missionários ingressam nos grandes impérios, fechados a influências estrangeiras, e mergulham no mundo das grandes religiões mais antigas que o cristianismo: hinduísmo, confucionismo, budismo e xintoísmo;

• a missão católica enfrentou a concorrência comercial e religiosa das potências colonizadoras: Espanha-Portugal e França- Inglaterra-Holanda (catolicismo versus anglicanismo e calvinismo);

• as missões sofrem pelo desentendimento entre o Padroado português e a Santa Sé que havia concedido aos governos a responsabilidade de promover a atividade missionária nos territórios conquistados. Com isso, toda atividade missionária e eclesiástica devia passar pela aprovação governamental. Conseqüência: falta de liberdade para os missionários em suas atividades.

Em 1622, para superar estas dificuldades, Gregório XV funda a Congregação de Propaganda Fide (Propagação da fé). Era sua tarefa dirigir as atividades missionárias, distinguindo-as das atividades coloniais, formar os missionários, promover um clero indígena e o respeito pela cultura dos povos.

Em 1664 nasce o primeiro Instituto exclusivamente missionário: As Missões Exteriores de Paris, com o mandato de formar o clero nativo no Oriente.

Métodos de evangelização

Frente aos impérios orientais e às grandes religiões, o campo missionário foi objeto de duas metodologias, conflitantes: a dos mendicantes (franciscanos e dominicanos) e a dos jesuítas. Seu desentendimento, explorado política, religiosa e culturalmente na Europa, levou as florescentes missões à ruína, especialmente na China e no Japão.

Os mendicantes, no seu heroísmo e abnegação, destacavam a confiança na graça divina em detrimento dos meios humanos: os intelectuais e as ciências humanas. Eles acentuavam o Mistério da Cruz, a severidade na moral e no dogma, a aplicação literal dos ritos litúrgicos, mas transgrediam as leis que proibiam ou limitavam a pregação, não levavam em conta as leis que vetavam a entrada na China ou no Japão, desafiavam as autoridades pregando nas praças e sem ter em conta os costumes tradicionais.

A pedagogia dos jesuítas, por sua vez, era a da inculturação. Nisso destacaram-se Roberto de Nobili (1577-1656) na Índia e Mateus Ricci (1552-1610) na China. Roberto de Nobili: sua metodologia era ganhar os nobres para ganhar o povo; vestir-se e viver como os brâmanes (sacerdotes hindus); conservar (provisoriamente) o sistema de castas; no início, permissão de alguns ritos religiosos hindus (os ritos malabares); não usar certos gestos do ritual cristão, como o do sal e do sopro, contrários à cultura local.

Mateus Ricci: missionário na China, adota um método eficaz: veste-se como um bonzo, apresentar-se como filósofo-literato; valoriza a ciência (matemática, cartografia, astronomia), causando impacto entre os intelectuais; não insistência na superioridade do Evangelho sobre Confúcio; respeita as leis imperiais; atenção às classes dirigentes e não recusa de honras.

Os pontos principais, porém, foram esses, depois denominados ritos chineses: invocar Deus não com a palavra Deus, mas com a expressão Tien-chu (Senhor do Céu); aceitação de algumas homenagens aos antepassados e a Confúcio e certas honras à família imperial; mitigação do jejum e repouso festivo; oportunidade ou não de falar da Cruz no início da evangelização.

Somente após 21 anos de paciente e atento estudo da língua, entrou em Pequim, recebido com honras. Foi e continua a ser chamado de Li Madou (o Sábio do Ocidente).

A controvérsia dos ritos e o ocaso das missões

Devemos afirmar que a metodologia dos padres jesuítas foi muito eficaz: após um bom tempo de paciência, foram bem recebidos na Índia, no Japão e na corte imperial chinesa. Mas, em 1635, franciscanos e dominicanos denunciaram os ritos, apelando para Roma, que os proibiu em 1645. Os jesuítas apelam da decis ão e conseguem autorização para continuar.

As discussões continuam, prejudicando o andamento da missão, até que em 1742 o papa Bento XIV proibiu definitivamente os ritos. A tragédia definitiva acontece em 1773, ao ser suprimida a Companhia de Jesus. Caía por terra a extraordinária experiência missionária, seja da Ásia, como da América. Num novo contexto missionário e histórico, os ritos chineses foram aprovados em 1936 e os malabares em 1940.

Uma história de santos e mártires

Não se pode falar do Oriente sem trazer à memória a figura de São Francisco Xavier (1506-1552). Em sua breve existência, o missionário realizou uma obra ainda hoje difícil, mesmo com os meios de transporte disponíveis. Basta olhar as viagens que empreendeu: da Espanha até Roma e de Roma até a Índia, onde exerceu fecundo apostolado. Seguiu até às Ilhas Molucas e, em seguida, entrou no Japão, onde fundou comunidades.

Retornou à Índia e, de Goa, se preparou para realizar o sonho missionário: ingressar na China, mas, no dia três de dezembro de 1552, morreu em San-Xiang, no litoral chinês. Vivera 46 anos!

Os cristãos foram expulsos da China e do Japão. Sobretudo no Japão eles testemunharam com heroísmo a fé cristã. As perseguições começaram em 1587, quando lá viviam 300 mil cristãos. Apesar disso, em 1612 eram 500 mil!

O pior estava por vir: em 1614 saiu o Edito de expulsão e, de 1622 a 1637, as medidas duras, com martírio lento e sádico: o número de mártires canonizados ou canonizáveis chegou a 4.054.

Por que a perseguição? No caldeirão do ódio entram o papel dos mercantes calvinistas holandeses e ingleses, o medo da Espanha, o ressurgimento do nacionalismo e os conflitos metodológicos entre mendicantes e jesuítas. Foi necessário esperar o final do século XIX para um novo lance missionário.

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