Jornal - "MISSÃO JOVEM"
História da Igreja
As grandes descobertas, que depois se transformaram em conquista e destruição de povos e culturas, causaram enorme espanto na Europa: achavam os europeus que conheciam tudo e todos, que o mundo só se expandia para o Leste, a Ásia, donde provinham tantas riquezas. Mas, surge no horizonte europeu um novo mundo, a Oeste: o Continente americano. Causou furor a notícia da existência de povos estranhos, com religião e línguas diferentes, alguns em avançado estágio cultural nas comunicações, na organização estatal e na agricultura, como os astecas, incas e maias.
A história européia, que parecia tão completa e bem costurada, deveria recomeçar, influenciada por esses povos estranhos e pelas riquezas que possuíam. A Europa vai receber da América uma quantidade de ouro e prata maior do que toda a quantia acumulada anteriormente. E os impérios comerciais europeus (Inglaterra, França, Holanda, Espanha, Portugal) procuram tirar o melhor proveito de tudo. Os três primeiros acumulam capitais para a revolução industrial, enquanto que Portugal e Espanha se contentam em pilhar, comprar e viver no fausto sem trabalhar. O projeto existencial do homem moderno foi o do enriquecimento. Na Idade Média se ansiava por outros ideais: estar-na-nobreza, estar-na-santidade, estar-na-cultura. Agora o europeu se contentava com o estar-na-riqueza. Sua avidez pelo ouro foi tanta, que os índios começaram a achar que seu deus fosse um metal. CONQUISTADORES O papa Alexandre VI, pela Bula “Inter Coetera” (1493), concedeu a soberania sobre todas as ilhas e terras recém-descobertas à Coroa espanhola, ressaltando que a finalidade mais importante dessa concessão era “levar os habitantes daquelas terras a adorar o Nosso Redentor e a professar a fé católica”. O Tratado de Tordesilhas (1494) dividiu as terras descobertas ou a serem descobertas, entre Portugal e Espanha, e proibiu viagens às Ilhas ocidentais com objetivos exclusivamente comerciais e lucrativos. A Igreja, após a perda da Europa central e setentrional para a Reforma protestante, conhecerá uma expansão impressionante por obra de Espanha e Portugal nas Américas central e do sul, Ásia e África. Enquanto a Espanha tinha como objetivo conquistar novos territórios, iniciando logo as missões, Portugal tinha outros objetivos: interessava-lhe o comércio com as Índias e as Molucas. O Direito de Padroado foi concedido aos reis de Espanha e Portugal. Toda a preocupação com a evangelização e administração eclesiástica passa a ser direito e dever dos soberanos. Criação de dioceses, apresentação de candidatos ao episcopado, fundação de seminários e nomeação de seus professores, criação de paróquias e provisão de párocos, tudo sai do domínio eclesiástico para entrar na esfera do Estado, que corre com as despesas, é verdade, mas tem o direito de recolher os Dízimos. As conseqüências para a liberdade da Igreja foram danosas. OS MISSIONÁRIOS E
O Juntamente com os conquistadores, chegaram à América os evangelizadores: padres diocesanos e religiosos da ordens tradicionais. No século XVI chegaram ao México vários missionários: em 1524, os franciscanos; em 1526, os dominicanos; em 1533, os agostinianos; em 1552, os Irmãos da Misericórdia; em 1572, os jesuítas; em 1585, os carmelitas; em 1589, os beneditinos.
Inicialmente, foi grande o esforço de inculturação. Pe. João Dekker, sacerdote belga que chegou ao México dois anos antes dos franciscanos, aprendeu o idioma nahuatl e compôs algumas partes do Catecismo. Completada por Frei Pedro de Gant, a obra foi impressa em 1528. Para a catequese, no período de 1564 a 1585 foi impresso em Lima o Catecismo del Tercer Concilio de Lima, em três línguas: castelhana, quéchua e aymara. Era constituído de diversos livros, alguns destinados aos sacerdotes e outros aos índios. O missionário, ao partir de sua terra, tinha consciência de que devia obediência às leis de seu Rei, ao qual presta juramento de fidelidade. É missionário, mas é súdito! O primeiro encontro da América com o Evangelho sofreu desta ambigüidade: juntamente com o anúncio cristão da fraternidade universal e de um Deus Pai de todos, chegou a espada do Rei que a todos quer sujeitar a seu Reino e Lei. Mesmo assim, o missionário foi o único agente protetor do indígena. Muitos missionários, não querendo ser infiéis a seu juramento e, ao mesmo tempo, querendo ser fiéis ao Evangelho, não concordando com tantas arbitrariedades e pecados, decidiram pelo retorno ao Reino. Entre eles, podemos citar: Antônio de Valdivieso, Bartolomeu de lãs Casas, Antônio Vieira. Eles se serviram de todos os instrumentos disponíveis, mas com escasso sucesso, para defender os povos americanos. Grandes conventos foram abertos nas cidades principais. Isto favorecerá uma certa acomodação: Muitos religiosos em conventos e, paradoxalmente, poucos religiosos para a evangelização. O SER E O NÃO-SER: Os espanhóis e portugueses, ao chegarem à América, se defrontaram com o indígena (asteca, tolteca, maia, chibcha, araucano, tupi, inca, guarani, etc.), que falava outra língua, possuía outra religião, outra cultura. Para o europeu ele é o “bárbaro”, o “não-ser”. Só podia existir dignamente se fosse inserido no mundo europeu, com sua cultura e fé. O europeu não foi capaz de imaginar, e muito menos admitir que outros povos pudessem ter existência própria. Estavam tão convencidos de sua centralidade universal, que logo encararam o homem americano como não-homem, como perigoso. O único caminho seria reduzi-lo à cultura européia. Se ele reagisse, seria justo o emprego da violência, da “guerra justa”, pois estaria renegando a possibilidade de ser transformado em um ser humano. Juntamente com a dominação econômica, chegou até a América a dominação cultural. O preço da negação da existência do “diferente” foi a escravidão que praticou um dos grandes genocídios da História. Num espaço de 76 anos (1532-1608), a população original do México caiu de 16.871.408 para 1.069.255. Ao americano ofereceu-se o dom da fé cristã e o trabalho escravo: um inferno na terra, depois o céu.
Se para o índio houve uma séria preocupação com a evangelização, com sua defesa, a mesma sorte não teve o negro: batizado ao chegar no porto, era já considerado cristão. AS “TROCAS”
ENTRE A saúde européia melhorou substancialmente com alimentos recebidos da América. Através do contato com o mundo americano, os europeus puderam enriquecer sua dieta com novos produtos: milho, tomate, cacau, batata, abóbora, mandioca, abacate, amendoim, abacaxi. A América, por sua vez, recebeu da Europa: banana, alface, limão, laranja, azeitonas, repolho, trigo, arroz, café e cana de açúcar. Os italianos ganharam o tomate (tomatl em asteca) para seus molhos, e os alemães as batatas (potatl) que se tornaram sinônimo de sua dieta alimentar! Quanto aos animais: a Europa recebeu o peru, e enviou para cá cavalo, porco, boi, ovelha, galinha, abelha melífera. No tocante às doenças, o saldo para o americano foi trágico: recebeu do europeu: varíola, tifo, malária, sarampo e difteria. O europeu, em troca, recebeu a sífilis.
Pe. José Artulino Besen PARA REFLETIR 1 - Qual a importância da descoberta das Américas para a Europa e para a Igreja? 2 - Quais reflexões suscita este encontro de civilizações? |
Visite as outras páginas
[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]
Voltar