Jornal - "MISSÃO JOVEM"
História da Igreja
A Revolução destruiu as estruturas político-sociais-econômicas vigentes e apresentou os fundamentos de uma nova sociedade, elaborados pelo Iluminismo. Em todo processo histórico, o início é confuso, violento, incoerente, não escapando de injustiças. Na França, são dezenas de milhares os mártires executados pelos revolucionários. O olhar da história, porém, deve ir além dos fenômenos transitórios e olhar os frutos duradouros. PRINCÍPIOS REVOLUCIONÁRIOS O princípio da igualdade estabelece que todos nascem livres e iguais em seus direitos, extinguindo assim o sistema baseado no sangue e no privilégio. Todos têm os mesmos direitos e deveres e devem contribuir para as despesas públicas. A Igreja e a nobreza perdem os privilégios: o que importa é o bem comum. A liberdade é definida como o direito de fazer tudo o que não prejudica os outros. Ao direito divino do rei sucede a soberania popular, da qual derivam os vários poderes, distintos entre si (legislativo, executivo e judiciário), para assegurar um equilíbrio estável e evitar arbitrariedades. O rei, ao invés de dizer “por graça de Deus”, dirá “por vontade do povo”. Não terá mais súditos e sim cidadãos, que gozam de garantias. A BUSCA DO EQUILÍBRIO Quem reage contra um abuso, dificilmente se mantém no justo equilíbrio. A Revolução foi muito idealista e abstrata, o que fez com que a França mergulhasse num período de violência, perseguição e condenações. A guilhotina tornou-se um símbolo revolucionário: nela, sob o aplauso da multidão, foram decapitados o rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta, fato que fala por si só: os reis, cujo poder tinha origem divina, não escaparam da justiça comum. PONTOS NEGATIVOS • Individualismo: livre iniciativa na economia. O operário ficou entregue aos empregadores, que fixavam o salário pela lei da oferta e da procura. A propriedade passou a ser destinada ao enriquecimento do proprietá-rio, causando acumulação nas mãos de poucos e miséria nas massas. • O mito da igualdade e da liberdade colocava em crise a autoridade do Estado. Os parlamentares mergulham em infindáveis discussões sem tocar nos verdadeiros problemas, deixando o governo incapaz de assegurar o bem comum e a segurança; freqüente a violação dos direitos das maiorias pobres por uma minoria poderosa que domina a política. VIDA DA IGREJA A liberdade de culto se transformou em luta contra o Catolicismo: - expropriações do patrimônio eclesiástico, perseguições às ordens religiosas. Dezenas de milhares de religiosos foram privados de seus meios de subsistência e constrangidos ao exílio. Foi o pagamento: - caiu o Trono e, como o Altar era aliado, necessariamente tombou junto.
A Igreja perdeu boa parte de suas riquezas. Esse caminho foi inaugurado na França e no século XIX foi trilhado por quase todos os países europeus. Na Alemanha desapareceram os Principados eclesiásticos e a figura do Bispo-príncipe, de origem medieval. Em 1801, os príncipes hereditários alemães receberam como compensação os feudos da Igreja. As conseqüências: - bispos e padres, de uma posição privilegiada e rica, foram reduzidos a uma condição econômica modesta. Muitos viram nisto um perigo para a Igreja. Mas, por outro lado, o empobrecimento material significou um enriquecimento espiritual e a possibilidade de dedicar-se mais à missão própria da Igreja SOCIEDADE NÃO-CRISTÃ A Igreja e o Estado caminham por trilhas separadas e até opostas. Cada uma tem seu interesse: - o Estado tem o bem comum e a Igreja zela pelo bem espiritual. A sociedade não pode violar as consciências e não lhe é permitido perguntar a religião professada pelo cidadão. A Revolução francesa conduziu à laicização completa da Europa cristã. Na nova linha, o Estado não pode conceder privilégios à Igreja Católica, o que ofenderia o princípio da igualdade dos cidadãos. Motivos desta separação é que a sociedade e a autoridade nascem do consenso dos cidadãos e não são de origem divina. A unidade política é conseqüência da unidade de interesses e não da unidade religiosa. Por isso mesmo, num mesmo território, podem conviver católicos, protestantes e judeus. Assim, termina o conceito de “Religião de Estado” e se afirma a plena liberdade de consciência: as ofensas a uma religião não mais são ofensas ao Estado, mas somente ofensas a um patrimônio espiritual, caro a um certo grupo de cidadãos. São abolidas todas as leis referentes à prática religiosa. O matrimônio civil é o que conta para o Estado, sendo permitido o divórcio.
Esse foi um dos pontos que mais causaram sofrimento à Igreja, que viu no divórcio a dissolução da família cristã. A liberdade de imprensa é garantida, sendo suprimida a censura. O combate que a Igreja dirigiu à liberdade de imprensa fez com que fosse vista como sufocadora da liberdade. O ensino, que antes da Revolução Francesa era monopólio da Igreja, passou a ser do Estado. Os professores sacerdotes foram substituídos por leigos: uma grande injustiça e ingratidão perante a história. Muitas outras atividades, antes nas mãos da Igreja, passaram para as mãos do Estado. As Universidades, fundadas e mantidas pela Igreja, onde a teologia ocupava o lugar de honra, transformaram-se em instituições completamente leigas e até focos de anticlericalismo. Os Tribunais eclesiásticos encerraram suas atividades. Com isso, os religiosos, sendo cidadãos como os outros, possuem os mesmos direitos e devem também se submeter às mesmas leis. A aceitação destes princípios, por parte da Igreja, foi muito lenta. CONCLUINDO Toda Revolução tem início violento, radical. Somente o tempo faz com que os princípios verdadeiros sejam aplicados de forma justa. No caso da Revolução Francesa, ao se espalhar pela Europa, e depois pela América latina, quase sempre a defesa da liberdade não incluía a defesa da Igreja católica, normalmente perseguida até de forma injusta.
PARA REFLETIR 1.º Quais os frutos que a Igreja colheu com o fim da "Religião do Estado"? 2.º O que significa "liberdade da Igreja"? |
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