Jornal - "MISSÃO JOVEM"
História da Igreja
LUTERO, TESTEMUNHA DE CRISTO E DA FRAGILIDADE HUMANA Lutero vivia uma autêntica religiosidade. Teve uma experiência pessoal de Deus, um autêntico sentido do pecado e da própria nulidade, a qual vencia por uma entrega total a Cristo e uma confiança cega nele e em sua redenção. Possuía um sentido trágico da miséria humana, um grande apego à oração e uma imensa confiança na graça. A tudo isso, unia um grande amor pelos pobres. Lutero tinha sido feito para inflamar as massas populares e convencer e agitar os ouvintes.
Tornou-se reformador na luta contra uma interpretação do catolicismo que de fato era cheia de deficiências. Deixou a Igreja para descobrir aquilo que é o centro da própria Igreja: o primado da graça. A Reforma foi provocada pelos católicos, pois Lutero era católico, monge sério e sincero, que nunca quis deixar de ser católico. Séculos de aversão a Roma, envolvida na política internacional, mergulhada no Humanismo, a decadência da própria vida católica alemã, fizeram com que boa parte da população alemã visse na pregação de Martinho Lutero o renascer do verdadeiro Cristianismo. DADOS BIOGRÁFICOS DO REFORMADOR ALEMÃO Martinho Lutero (Martin Luther) nasceu em 1483 em Eisleben,
de pais camponeses. Vencendo Lutero, por uma formação religiosa deficiente, onde contava muito o peso e o medo da condenação eterna, sofria o pavor do inferno, era escrupuloso. Alcançou a paz interior entre 1512-1513, na famosa Experiência da Torre (Turmerlebnis): após muita oração, Deus lhe permitiu descobrir que a salvação é dada ao homem somente pela fé em Cristo, como puro dom, e não como recompensa pelas obras (Rm 1,17). Sentiu paz interior e nunca mais a perdeu, mesmo no ardor do combate reformador. A PREGAÇÃO DAS INDULGÊNCIAS E O INÍCIO DA REFORMA O príncipe Alberto de Brandenburgo, arcebispo de Magdeburgo e de Halberstadt, estava necessitando de grande soma financeira, pois, não satisfeito com as duas dioceses, queria uma terceira, a poderosa e rica Mogúncia (Mainz). Para adquirir o direito, o papa Leão X facultou-lhe a venda das Indulgências, pois também precisava de dinheiro para a construção da Basílica de São Pedro. A Indulgência, na doutrina da Igreja, é a remissão das penas devidas pelos pecados já perdoados e podem ser alcançadas pela oração dos fiéis. No clima do final da Idade Média, essa doutrina tinha-se corrompido e neurotizado, a ponto de se achar possível “comprar” a salvação mediante pagamento. Dizia-se: “Mal o dinheiro tilinta no cofre, uma alma respinga do purgatório”. Um horror para as almas sensíveis, como a de Lutero! Em 1515, o dominicano Johann Tetzel iniciou a pregação das Indulgências em Juterborg, com grande sucesso nas massas católicas, ansiosas por adquirirem a sua salvação e a de seus queridos. Lutero tomou contato com esse negócio e resolveu solicitar uma discussão com os teólogos e doutores.
Em 1519, há uma discussão entre o teólogo católico J. Eck e o amigo de Lutero, Karlstadt, em Leipzig. Os dois lados consideraram-se vencedores, pois os dois campos não tinham mais um ponto de partida comum. Houve teólogos, humanistas e artistas que desejavam permanecer na fé católica, mas viam no movimento luterano um modo de renovar a fé cristã e os costumes eclesiásticos. ROMPE-SE
A COMUNHÃO ENTRE O ano de 1520 marcou o ponto culminante da impossibilidade de um retorno à unidade eclesial. Lutero, influenciado pelos amigos humanistas, assume uma linguagem sempre mais radical e se erige em herói da revolta nacional alemã contra Roma. A linguagem religiosa mistura-se com o nacionalismo alemão e a atração sobre as massas torna-se quase irresistível. São do período os três escritos programáticos da Reforma: “À nobreza cristã da nação alemã”, “O cativeiro babilônico” e “A liberdade cristã”, nas quais expõe o novo ideal de vida de um cristão: livre de todas as coisas terrenas, mas servo de todos na caridade.
Não havendo acordo, em 15 de junho de 1520 sai a bula papal “Exsurge Domine”, condenando como heréticas 41 Teses luteranas, que Lutero queima em praça pública. Em 3 de janeiro de 1521, é proclamada a excomunhão e, em 25 de maio, por ordem do imperador Carlos V, frei Martinho Lutero foi banido do Império. Para fugir do processo inquisitorial, nos anos 1521-1522 se refugiou no castelo de Wartburg, com o falso nome de Junker Jörg, onde procurou examinar sua consciência e sua vida, ver se não tinha ido longe demais. Sentiu-se em paz para continuar. Ali iniciou a tradução da Bíblia para o alemão, partindo do texto original e cotejado com a Vulgata e a tradução de Erasmo. Uma grande obra, terminada em 1534 e que uniu mais ainda o povo alemão nos ideais da Reforma. Em 1522, organizou a “Missa alemã” e o novo culto da comunidade, com imenso sucesso popular: o culto é na língua alemã e os hinos seguem o espírito musical alemão. Lutero era também poeta e compositor e ele próprio compôs alguns hinos. UM PONTO SEM RETORNO No seu “exílio” em Wartburg, Lutero lançou um livro contra os votos religiosos, que conquistou para a causa luterana um grande número de monges e monjas. A Igreja parecia estar a caminho da autodestruição: muitos padres começaram a casar-se, os monges e monjas, primeiramente os agostinianos de Wittenberg (que depois dissolveram a Ordem), abandonaram os conventos. Em 1525, Martinho Lutero casou-se com a exmonja Catarina Bora. A debandada nos conventos foi o sinal mais claro e doloroso da decadência de mosteiros e conventos, onde muitos se encontravam constrangidos. A Missa privada foi suprimida, a comunhão ministrada sob as duas espécies, as imagens afastadas do culto. No meio tempo surgiu um movimento radical, o dos anabatistas: julgando nulo o batismo das crianças, rebatizavam os adultos. A situação se agravava a cada dia. Cidades inteiras aderiram à Reforma e alguns príncipes o fizeram por interesse, pois os bens de mosteiros e conventos passariam para as suas mãos. A convulsão social fez com que muitos intelectuais, príncipes e teólogos passassem a se opor a Lutero e, retornando à Igreja católica, lutar por sua reforma, mas permanecendo nela. Os papas do período não parecem ter-se dado conta da gravidade da situação. Alguns viram a necessidade de uma reforma na “cabeça e nos membros”, da convocação de um Concílio Ecumênico, mas isso esbarrava no desejo de se conservarem todos os privilégios eclesiásticos. A Cúria romana queria uma reforma, mas sem nada perder.
|
Visite as outras páginas
[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]
Voltar