Jornal - "MISSÃO JOVEM"

História da Igreja

A IGREJA NO IMPERIO DO ORIENTE

Há mais de 15 séculos os cristãos orientais contemplam este Pantokrator na Igreja de Santa Sofia, em Constantinopla.

A Igreja de Cristo recebe seu oxigênio de dois pulmões: oriental e ocidental. Duas tradições, dois modos complementares de viver o único evangelho.

O oxigênio através de dois pulmões: oriental e ocidental. Duas tradições, dois modos complementares de viver o único Evangelho,

Após quase um milênio de separação (1054), Roma e Constantinopla, Oriente e Ocidente buscam se conhecer melhor e se reconhecer na única e indivisível Igreja.

Mas, devemos lembrar a existência de outras Igrejas, que sobrevivem em circunstâncias heróicas, minorias entre pagãos e muçulmanos, como:

  • a Igreja nestoriana da Índia (que não aceitou o Concilio de Éfeso em 431)
  • a Igreja copta ou monofisita do Egito e Etiópia (que rejeitou o Concílio de Calcedônia em 451)

É o Corpo de Cristo dilacerado por divisões, mas se alimentando dos mesmos sacramentos e da mesma liturgia, há 16 séculos gerando santos e mártires.

Neste capítulo, porém, vamos nos deter na grande Igreja que tem como sede o patriarcado de Constantinopla (atual Ancara, Turquia), cidade fundada por Constantino no século IV.

A partir do deslocamento da capital do Império, assistiremos ao desenvolvimento de duas tradições cristãs:

  • a Igreja Católica Romana, centrada no sucessor de Pedro
  • a Igreja Católica Ortodoxa, centrada no patriarca da Nova Roma, Constantinopla, mais conhecida como Igreja bizantina (de Bizâncio, antigo nome de Constantinopla)

O território do Império do Oriente, pelo ano 600, abrange grande parte da Itália, parte da África do Norte, o Egito, a Palestina, a Síria, a Ásia Menor (atual Turquia), a Grécia e grande parte dos Bálcãs.

Os árabes, no século VIII, conquistam a África do Norte, o Egito, a Palestina e a Síria. A partir do século XI, começam as pressões dos turcos, que vão comprimindo as fronteiras até a conquista final em 1453.

O Império Romano do Oriente durou mil anos a mais do que o do Ocidente, criando uma forte tradição religiosa e política.

UMA IGREJA IMPERIAL

Herança do espírito romano, o imperador é a única autoridade e o representante de Deus na terra. Para expressar a aprovação divina, é coroado pelo patriarca e deve, como limite do poder, administrar segundo a justiça.

Representante de Deus é rodeado por um cerimonial sempre mais sofisticado, que o torna sagrado e venerável. Uma vez coroado, está acima do patriarca e deve proteger a Igreja e defender a fé. Não é bispo, mas cada vez mais tem poder na escolha do patriarca que assume após ele declarar: "Eu te promovo a patriarca". Ele deve aplicar as decisões dos Concílios, decidir sobre a criação de dioceses. Se o patriarca é imagem de Cristo, o imperador é imagem de Deus Pai.

Seu poder sobre a Igreja pode ser visto nesta estatística: entre 381 e 1453, Constantinopla teve 122 patriarcas. Desses, 33 são depostos e 20 renunciam; em 36 desses 53 casos, está por trás o poder imperial. Mas seu poder é controlado pela obediência à tradição eclesial: pode mudar o patriarca, mas não obrigar o povo a aceitar a heresia.

Sua autoridade foi controlada sobretudo pela enorme influência dos monges, corajosos defensores da teologia e da liturgia e com forte apelo sobre as massas. Numa palavra, pode-se dizer que o Imperador é Deus na terra mas, ai dele se fugir da tradição ortodoxa.

A espiritualidade no Oriente Cristão

A espiritualidade alimenta-se da Divina Liturgia (Eucaristia e Liturgia das Horas). A partir do século VIII, desenvolve-se de modo definitivo a liturgia bizantina, sempre mais voltada para guardar e mostrar o mistério.

Os ícones, o incenso, os paramentos, as cerimônias, tudo se dirige a levar o participante a sentir o céu na terra.

A celebração dos Mistérios (Sacramentos) deve envolver os cinco sentidos e, desse modo, possibilitar a experiência do mistério da Encarnação:

Deus desce à terra, o homem sobe a Deus. O cristão, ao dirigir-se para participar do Mistério (Eucaristia), tem clareza de que vai saborear realidades divinas, sair do tempo, ingressar na eternidade.

Na espiritualidade ortodoxa, o fim de toda a ação cristã é a divinização do ser humano. Porque Deus se fez humano, o homem deve se fazer divino. O canto, os ícones, os hinos e mosaicos, tudo está a serviço do mistério trinitário. Uma devoção central é aquela a Maria, a Toda Santa (Panaghia), obra perfeita da Trindade.

Grandes autores espirituais do Oriente: Basílio Magno (+ 390), Gregório de Nazianzo (+ 390), Gregório de Nissa (+ 394), Máximo o Confessor (+ 662), João Damasceno (+ 750), Simeão o Novo Teólogo (+ 1022), impulsionador da mística para todo o cristão.

O apego às leituras da vida de Santos que se salientaram pela caridade e piedade mostra como estas virtudes eram apreciadas pelo povo bizantino.

O Oriente também passou pelo declínio da moral cristã tanto nos clérigos como nos leigos. Um ritualismo que mal se distingue da superstição e o apego às práticas pagãs foram conseqüência da vida numa capital cosmopolita aonde acorriam povos dos mais diversos cultos e pensamentos.

A Vida Monástica

Alma da Igreja do Oriente sempre foram o mosteiro e seus monges, promotores de espiritualidade, conselheiros populares e defensores da ortodoxia. A vida monástica ocidental, em sua formação e renovação, dependeu do Oriente. Pelo fato de o clero poder contrair matrimonio, no Oriente, os bispos saem dos mosteiros, levando ao mundo leigo a espiritualidade monacal.

Os monges contribuíram para a arte, literatura e tradição litúrgica da Igreja. Davam conselhos e conforto espiritual a todas as classes. São testemunhas vivas da disciplina moral e da vida cristã, mantendo uma tradição de oração contemplativa.

Dois centros monásticos marcaram e reformaram a vida cristã medieval:

  • mosteiro de Estúdio, obra de São Teodoro Estudita (959-826), que reformou a vida cenobítica;
  • mosteiro do Monte Atos-Montanha Sagrada, fundado pelo monge grego Atanásio em 963. Foi ali que o monacato bizantino mostrou sua máxima vitalidade. O mosteiro do Monte Atos, hoje uma república protegida pelo governo grego, viu o erguimento de mosteiros de todos os povos da Igreja ortodoxa: gregos, georgianos, russos, sérvios e búlgaros.

O Monte Atos é o centro supranacional do mundo ortodoxo.

Lance Missionário ortodoxo

Nos séculos IX e X, a Igreja bizantina conheceu notável impulso missionário que levou à conversão dos búlgaros, sérvios, húngaros, tchecos, eslovacos, cujo apogeu se deu em 989, quando os russos aderiram à fé católica. Até hoje esses povos têm como referência o patriarcado de Constantinopla, mesmo estando organizados em Igrejas autocéfalas (com jurisdição própria).

Pe. José Artulino Besen
Prof: de História da Igreja - ITESC

PARA REFLETIR

  1. Como se relacionavam as autoridades civis e religiosas no império oriental?
  2. Em que se distingue espiritualidade ortodoxa?
  3. Qual a importância dos mosteiros na vida religiosa ortodoxa?

O PATRIARCA DE CONSTANTINOPLA
Se o bispo de Roma é o sucessor de Pedro, o patriarca é sucessor de André

O patriarca é a mais importante autoridade do Império. É ele o responsável pela Grande Igreja (Hagia Sofia), pela diocese, pela ortodoxia e a disciplina, pelos bens da Igreja e pelas causas jurídicas nas quais é a última instância.

Toda a Igreja bizantina, com seus mosteiros, bens, tribunais e paróquias, estão sob sua influência. É autoridade aceita pelo Sínodo permanente, pelos metropolitas, bispos e clero.É o papa da Nova Roma. Diferentemente da evolução da autoridade do Papa para uma autoridade pessoal, a Igreja do Oriente caminhou para a organização sinodal: a autoridade somente pode ser exercida na comunhão das igrejas.

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar