Jornal - "MISSÃO JOVEM"
História da Igreja
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A IGREJA NO IMPERIO DO ORIENTE Há mais de 15 séculos os cristãos orientais contemplam este Pantokrator na Igreja de Santa Sofia, em Constantinopla. A Igreja de Cristo recebe seu oxigênio de dois pulmões: oriental e ocidental. Duas tradições, dois modos complementares de viver o único evangelho. O oxigênio através de dois pulmões: oriental e ocidental. Duas tradições, dois modos complementares de viver o único Evangelho, Após quase um milênio de separação (1054), Roma e Constantinopla, Oriente e Ocidente buscam se conhecer melhor e se reconhecer na única e indivisível Igreja. Mas, devemos lembrar a existência de outras Igrejas, que sobrevivem em circunstâncias heróicas, minorias entre pagãos e muçulmanos, como:
É o Corpo de Cristo dilacerado por divisões, mas se alimentando dos mesmos sacramentos e da mesma liturgia, há 16 séculos gerando santos e mártires. Neste capítulo, porém, vamos nos deter na grande Igreja que tem como sede o patriarcado de Constantinopla (atual Ancara, Turquia), cidade fundada por Constantino no século IV. A partir do deslocamento da capital do Império, assistiremos ao desenvolvimento de duas tradições cristãs:
O território do Império do Oriente, pelo ano 600, abrange grande parte da Itália, parte da África do Norte, o Egito, a Palestina, a Síria, a Ásia Menor (atual Turquia), a Grécia e grande parte dos Bálcãs. Os árabes, no século VIII, conquistam a África do Norte, o Egito, a Palestina e a Síria. A partir do século XI, começam as pressões dos turcos, que vão comprimindo as fronteiras até a conquista final em 1453. O Império Romano do Oriente durou mil anos a mais do que o do Ocidente, criando uma forte tradição religiosa e política. UMA IGREJA IMPERIAL Herança do espírito romano, o imperador é a única autoridade e o representante de Deus na terra. Para expressar a aprovação divina, é coroado pelo patriarca e deve, como limite do poder, administrar segundo a justiça. Representante de Deus é rodeado por um cerimonial sempre mais sofisticado, que o torna sagrado e venerável. Uma vez coroado, está acima do patriarca e deve proteger a Igreja e defender a fé. Não é bispo, mas cada vez mais tem poder na escolha do patriarca que assume após ele declarar: "Eu te promovo a patriarca". Ele deve aplicar as decisões dos Concílios, decidir sobre a criação de dioceses. Se o patriarca é imagem de Cristo, o imperador é imagem de Deus Pai. Seu poder sobre a Igreja pode ser visto nesta estatística: entre 381 e 1453, Constantinopla teve 122 patriarcas. Desses, 33 são depostos e 20 renunciam; em 36 desses 53 casos, está por trás o poder imperial. Mas seu poder é controlado pela obediência à tradição eclesial: pode mudar o patriarca, mas não obrigar o povo a aceitar a heresia. Sua autoridade foi controlada sobretudo pela enorme influência dos monges, corajosos defensores da teologia e da liturgia e com forte apelo sobre as massas. Numa palavra, pode-se dizer que o Imperador é Deus na terra mas, ai dele se fugir da tradição ortodoxa. A espiritualidade no Oriente Cristão A espiritualidade alimenta-se da Divina Liturgia (Eucaristia e Liturgia das Horas). A partir do século VIII, desenvolve-se de modo definitivo a liturgia bizantina, sempre mais voltada para guardar e mostrar o mistério. Os ícones, o incenso, os paramentos, as cerimônias, tudo se dirige a levar o participante a sentir o céu na terra. A celebração dos Mistérios (Sacramentos) deve envolver os cinco sentidos e, desse modo, possibilitar a experiência do mistério da Encarnação: Deus desce à terra, o homem sobe a Deus. O cristão, ao dirigir-se para participar do Mistério (Eucaristia), tem clareza de que vai saborear realidades divinas, sair do tempo, ingressar na eternidade. Na espiritualidade ortodoxa, o fim de toda a ação cristã é a divinização do ser humano. Porque Deus se fez humano, o homem deve se fazer divino. O canto, os ícones, os hinos e mosaicos, tudo está a serviço do mistério trinitário. Uma devoção central é aquela a Maria, a Toda Santa (Panaghia), obra perfeita da Trindade. Grandes autores espirituais do Oriente: Basílio Magno (+ 390), Gregório de Nazianzo (+ 390), Gregório de Nissa (+ 394), Máximo o Confessor (+ 662), João Damasceno (+ 750), Simeão o Novo Teólogo (+ 1022), impulsionador da mística para todo o cristão. O apego às leituras da vida de Santos que se salientaram pela caridade e piedade mostra como estas virtudes eram apreciadas pelo povo bizantino. O Oriente também passou pelo declínio da moral cristã tanto nos clérigos como nos leigos. Um ritualismo que mal se distingue da superstição e o apego às práticas pagãs foram conseqüência da vida numa capital cosmopolita aonde acorriam povos dos mais diversos cultos e pensamentos. A Vida Monástica Alma da Igreja do Oriente sempre foram o mosteiro e seus monges, promotores de espiritualidade, conselheiros populares e defensores da ortodoxia. A vida monástica ocidental, em sua formação e renovação, dependeu do Oriente. Pelo fato de o clero poder contrair matrimonio, no Oriente, os bispos saem dos mosteiros, levando ao mundo leigo a espiritualidade monacal. Os monges contribuíram para a arte, literatura e tradição litúrgica da Igreja. Davam conselhos e conforto espiritual a todas as classes. São testemunhas vivas da disciplina moral e da vida cristã, mantendo uma tradição de oração contemplativa. Dois centros monásticos marcaram e reformaram a vida cristã medieval:
O Monte Atos é o centro supranacional do mundo ortodoxo. Lance Missionário ortodoxo Nos séculos IX e X, a Igreja bizantina conheceu notável impulso missionário que levou à conversão dos búlgaros, sérvios, húngaros, tchecos, eslovacos, cujo apogeu se deu em 989, quando os russos aderiram à fé católica. Até hoje esses povos têm como referência o patriarcado de Constantinopla, mesmo estando organizados em Igrejas autocéfalas (com jurisdição própria). Pe. José Artulino Besen PARA REFLETIR
O PATRIARCA DE CONSTANTINOPLA O patriarca é a mais importante autoridade do Império. É ele o responsável pela Grande Igreja (Hagia Sofia), pela diocese, pela ortodoxia e a disciplina, pelos bens da Igreja e pelas causas jurídicas nas quais é a última instância. Toda a Igreja bizantina, com seus mosteiros, bens, tribunais e paróquias, estão sob sua influência. É autoridade aceita pelo Sínodo permanente, pelos metropolitas, bispos e clero.É o papa da Nova Roma. Diferentemente da evolução da autoridade do Papa para uma autoridade pessoal, a Igreja do Oriente caminhou para a organização sinodal: a autoridade somente pode ser exercida na comunhão das igrejas. |
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