Jornal - "MISSÃO JOVEM"

História da Igreja

final da Idade Média marca o início de um novo período, denominado de Renascença ou de Humanismo. A expressão traz consigo uma conotação negativa: Renascimento quer dizer o retorno da grande cultura da Antigüidade, do Humanismo, interrompida por um período de opressão religiosa e cultural, mil anos de trevas, dominado pela Igreja Católica.

Os iluministas Voltaire, Robertson, Gibbon e, mais tarde, Burckhardt, denominam a Idade Média como a Idade da opressão e a Renascença como a Idade da liberdade. No entanto, uma história isenta de preconceito e objetiva, afirma que os frutos maduros da Renascença foram plantados na Idade Média, e que houve uma continuidade.

INÍCIO E LOCALIZAÇÃO


Dante Alighieri: precursor da Renascença

Pode-se dizer que, no século XV, já se percebem os sinais do novo Humanismo. A Renascença foi um grande fenômeno europeu, principalmente italiano, e incluiu uma mudança nos sentimentos com relação à vida humana: interesse pelo indivíduo, interesse do indivíduo por si mesmo, por suas realizações e pela glória póstuma; apreciação da beleza física, literária, artística e material; interesse pelo homem e por suas obras, pela beleza natural, pela arte e pela vida.

De preferência, isso acontece em algumas classes dominantes, enquanto que a maioria continua alimentando os ideais religiosos, vendo as atividades humanas subordinadas à religião: a arte para dar glória a Deus; a filosofia como serva da teologia; a história como piedosa consideração sobre os desígnios divinos; a política para instaurar o reino cristão.

A sociedade renascentista era preconceituosa: desprezava os pobres, quem não falasse latim e quem não admirasse ou conhecesse a cultura greco-latina. Havia nela uma clara oposição entre o Humanismo e a Religião. O Humanismo nada teve de popular, apesar de tanto exaltar o homem.

IGREJA E RENASCENÇA

O retorno dos papas a Roma, em 1417, no fim do grande Cisma, coincidiu com o desenvolvimento deste grande movimento cultural e determinou a história política da Itália.

Com relação ao pontificado romano, as principais características deste período foram a progressiva imersão dos papas na violência política da Itália e a participação dos eclesiásticos na Renascença italiana. A ação coordenada destes dois fatores iria comprometer a força espiritual e moral da Cúria romana, diminuindo notavelmente seu prestígio.

A mentalidade dos papas foi favorável à nova cultura e às artes, pois isto aumentaria o prestígio da Igreja. As palavras “prestígio”, “poder” e “cultura”, tomaram conta do espírito eclesiástico. Humanistas e escritores foram acolhidos na Cúria.

Nicolau V (1447-1455) transformou a pequena biblioteca pontifícia em uma grande coleção de manuscritos gregos e latinos, primeira etapa do Museu de peças preciosas, curiosas e belas que foi montado nas galerias do Vaticano. Iniciou a reconstrução da Basílica de São Pedro, que tinha sofrido um incêndio, e de toda a cidade de Roma, numa escala de magnificência sem igual. Seus sucessores mudaram os projetos, preferindo construir uma nova Basílica (a atual).

Os papas todos são mecenas (protetores dos artistas).

Pio II (1468-1464) foi elegante e douto humanista, excelente na história.

Paulo II (1464-1471) satisfez o povo de Roma com seus carnavais e construções.

Sixto IV (1471-1484) tomou a decisão fatal de transformar a monarquia papal em grande potência italiana, utilizando como intermediários numerosos sobrinhos seus. Dois eram cardeais, de dúbia moralidade e sem vida espiritual; três eram leigos. Mandou construir a Capela Sistina, decorada pelos gênios da época, como Ghirlandaio, Botticelli, Perugino, entre outros. Mais tarde, Michelangelo pintou nela, o Juízo Final.

Leão X (1513-1521) protegeu ardentemente as artes. A Cúria vivia em faustoso luxo: cada cardeal possuía palácios e vilas dentro e fora de Roma. Para fazer frente às despesas, acumulavam benefícios e vendiam cargos eclesiásticos. Houve grande decadência nos próprios mosteiros.

VIDA PESSOAL DOS PAPAS

Infelizmente, os papas da Renascença, de forte personalidade, não estavam à altura das necessidades da Igreja, nem percebiam como o povo cristão, em todas as nações, pedia a reforma religiosa. Suas preocupações eram mais políticas e artísticas. O pior era o aspecto apresentado por sua vida particular. Para a verdade da história, citamos apenas alguns nomes e fatos.

Inocêncio VIII (1484-1492) ostentou publicamente filhos e filhas. Criou um cardeal com a idade de 13 anos (o futuro papa Leão X).


Rafael: Papa Júlio II, incentivador das artes

O nepotismo atinge grandes proporções: papas e cardeais estão interessados em garantir o futuro dos familiares. Os cardeais eram criados entre parentes, sem se olhar a idade, virtudes morais e intelectuais.

Alexandre VI (1492-1503), sacerdote e cardeal, teve sete filhos antes da eleição e dois como papa. O conclave que o elegeu foi comprado a preço de ouro. Com a idade de 10 anos, seu filho César, terror de Roma pela violência e mau comportamento, foi nomeado cardeal. Com Alexandre VI, espanhol, o pontificado romano atingiu o mais baixo nível de comportamento. Na cidade de Florença, uma voz profética denunciava a corrupção moral deste homem: era Savonarola, logo condenado à morte pela fogueira.

Júlio II (1503-1513) era apelidado de Marte devido a seus dotes guerreiros. Contrariando a lei da Igreja, pessoalmente comandava exércitos no campo de batalha. Suas metas: embelezar Roma e restaurar a autoridade pontifícia no Estado da Igreja.

Leão X (da família Médici), foi cardeal aos 13 anos, papa aos 37. Apenas eleito, escreveu que iria aproveitar ao máximo o conforto e as possibilidades do cargo. A Cúria vivia entre caçadas, teatros e divertimento. Em 1517, Lutero não o preocupou, pois estava envolvido com outros planos, políticos.

Adriano VI (1521-1523), último papa não italiano antes de João Paulo II, austero e severo, compreendeu as necessidades do tempo, mas era pouco experiente. Teve um pontificado breve. Com sua energia, conseguiu atrair a antipatia de toda a Cúria.

Clemente VII (1523-1534): incerto e irresoluto, também não compreendeu os sinais dos tempos. Com suas preocupações demasiado políticas não teve coragem de iniciar a reforma.

POR QUE A REFORMA?


Michelangelo: Capela Sistina particular do Juízo Final

Até aqui vimos o fenômeno da Renascença, que não foi exclusivamente italiano, mas preferimos este país porque nele se esperaria a reação à Reforma luterana. Vimos a decadência de alguns papas mais preocupados com a política e a arte. Mas, todo fenômeno religioso inclui causas políticas.

Essas explicam a aceitação e difusão do movimento luterano:

• A resistência contra Roma: aversão ao nome romano principalmente na Alemanha, que reagia ao fiscalismo, às altas taxas cobradas pela Cúria. O lema era: “Que a Alemanha seja livre”. O Núncio Aleandro chegou a afirmar: “Se Lutero morresse, surgiriam outros 100”.

• Situação econômico-social: ajuda a compreender sua difusão. Na Alemanha, os camponeses, os cavaleiros e a pequena nobreza sofriam após a descoberta da América. Pela desvalorização dos antigos feudos agrícolas e o incremento do comércio, os cavaleiros tinham perdido o antigo prestígio, já que, com a transformação da técnica militar, usava-se a infantaria mais do que a cavalaria. Os camponeses, reduzidos ainda a servos, explodiam em revoltas, reagindo ao paternalismo. A tudo isso, acrescente-se a:

• Personalidade de Lutero: imenso material explosivo se acumulara em decênios. Bastaria uma faísca para explodi-lo. O ideal religioso de Lutero e sua experiência religiosa acenderam o pavio. Só faltava-lhe recolher os frutos ainda dispersos, amadurecê-los e assegurar-lhes a máxima eficácia.

Pe José Artulino Besen
Prof. de História no ITESC

Para Refletir

1 - Qual a sua avaliação sobre os Papas renascentistas?

2 - Quais os valores e os limites da renascença?

3 - O que provocou o movimento luterano?

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