Jornal - "MISSÃO JOVEM"
História da Igreja
AS ALIANÇAS CONFESSIONAIS Foi no século XIX que, em campo evangélico, firmou-se progressivamente a consciência do escândalo das divisões que repercutia no interior das nações e no campo missionário. O Cristo, sinal de unidade, era também fonte de divisões entre os pastores e missionários. Desta consciência surgiram grandes alianças confessionais:
O início do ecumenismo moderno é situado na Conferência Missionária Mundial realizada em Edimburgo, Inglaterra (1910), que tinha em vista a evangelização do mundo e contribuir para a “finalidade de toda ação missionária: - implantar em todas as nações não-cristãs uma só e única Igreja de Cristo”. Como essa Conferência assumia neutralidade teológica (cada Igreja continuava com sua teologia), em seguida foi criado o Movimento de Fé e Constituição para o estudo das questões de fé em relação a Deus e a Cristo, em relação ao homem e ao mundo futuro. A BUSCA PELAS IGREJAS
O terceiro passo, no movimento ecumênico, foi o Movimento para o Cristianismo Prático (Life and Work), fruto do empenho do bispo luterano sueco Nathan Söderblom (1866-1931). Na reunião da Aliança mundial para a amizade internacional (1919), o bispo propunha uma voz comum para a consciência cristã: “Proponho um conselho ecumênico que represente a cristandade de modo espiritual”. Num ambiente de conflitos, tinha-se em mente um cristianismo prático, com o interesse voltado para a paz e a justiça. Na reunião de 1925 criou-se o lema: “Comunhão na adoração e ecumenismo no serviço”. O CONSELHO ECUMÊNICO DAS IGREJAS
A sede foi estabelecida em Genebra e o Conselho possui três unidades programáticas:
Fé e Testemunho, Justiça e Serviço, Educação e Renovação. Princípio aprovado em Nova Delhi (1961): o “Conselho Mundial de Igrejas é uma associação fraterna de Igrejas que confessam o Senhor Jesus Cristo como Deus e Salvador segundo as Escrituras, e se esforçam por responder juntasà sua comum vocação para a glória do único Deus, Pai, Filho e Espírito Santo”. Nele pode ingressar, portanto, quem aceita a fé trinitária e cristológica segundo as Escrituras. Através da unidade na fé, na missão e no serviço, o Conselho já criava uma unidade entre as Igrejas, mas tendo como objetivo final a unidade de todos em Cristo. Trata-se de uma experiência de fraternidade e de reflexão sobre a fé comum. A IGREJA CATÓLICA E O MOVIMENTO ECUMÊNICO Inicialmente repetindo às outras Igrejas um soberbo “retornem à Igreja donde saíram”, na década de 1960 a Igreja Católica passou a se interessar pelo movimento de modo positivo. O corte se dá no pontificado de João XXIII (1958-1963) e no Concílio do Vaticano II (1962-1965): o ecumenismo deixa de ser uma iniciativa de um ou outro teólogo e passa a ser constitutivo da vida da Igreja. O Concílio Ecumênico Vaticano II aprovou a Carta do ecumenismo católico, o decreto Unitatis redintegratio (1964) e constituiu-se o Secretariado (agora Conselho Pontifício) para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Com relação às Igrejas orientais, o decreto Orientalium Ecclesiarum (1964) reconheceu o valor próprio da tradição oriental, permitindo melhorar as relações com as Igrejas ortodoxas.
O abraço entre Paulo VI e Atenágoras de Constantinopla em Jerusalém (1965), com a suspensão das excomunhões de 1054, foram determinantes para a unidade espiritual entre as tradições do Oriente e do Ocidente. Essa mudança de “espírito” na Igreja foi preparada por fundações religiosas, semanas de oração pela unidade, pela reflexão dos teólogos, pela vivência nas Igrejas locais e osfrutos maduros foram colhidos pela Assembléia conciliar. A Igreja Católica é membro observador do Conselho Ecumênico das Igrejas. Fundamentais no caminho ecumênico são as comissões bilaterais, entre Igreja Católica e Igrejas (evangélica, anglicana, reformada, ortodoxa) para a discussão teológica e que geram uma grande aproximação dos teólogos, com repercussões na vida eclesial. Há um longo caminho a percorrer. O importante é que se está a caminho.
PARA REFLETIR 1.º Hoje a evangelização passa pelo diálogo e pelo ecumenismo. O que significa isto? 2.º Quais as conseqüências que isto traz para a pastoral? |
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