Jornal - "MISSÃO JOVEM"

História da Igreja

Contexto

século XVIII assistiu a duas grandes revoluções: a francesa em 1789, com o ideal da igualdade e da liberdade, e a industrial, com a descoberta da máquina a vapor. A Igreja viu-se diante de dois enormes desafios. Já vimos como se colocou diante dos ideais democráticos, apresentamos agora alguns pontos de seu posicionamento diante da questão social.

Dois fenômenos caracterizaram a vida técnico-econômico-social no século XIX e inícios do XX:

1.º Imenso progresso técnico, industrial, comercial;

2.º O homem que vence a natureza superou as distâncias.

Tudo isso repercutiu na vida social: de um lado, a concentração de enormes riquezas nas mãos de poucos e, de outro, os operários quase sempre oprimidos pela miséria e degradados por um trabalho realizado em condições desumanas.

Reações do operariado abandonado pelo Estado ausente

As descobertas científicas deram origem a doutrinas econômicas. No séc. XVIII temos Adam Smith e David Ricardo, que sistematizou o liberalismo econômico. As teorias econômicas levaram às primeiras formulações do socialismo que procurou defender o proletariado das imposições do capitalismo. Surge, em primeiro lugar, o socialismo utópico que sugere a coletivização dos meios de produção, o controle da economia pelos poderes públicos e defende igual dignidade de todo trabalhador. No início do século XIX nasce, ligado ao Partido Socialista, o sindicalismo: sociedades de socorro mútuo que, com o tempo, alargaram sua competência.

Karl Marx (1818-1883), o pai do socialismo científico, escolhendo a linha da ação política, publicou em fevereiro de 1848, juntamen-te com Engels, em Londres, o Manifesto do Partido Comunista:

"Proletários de todo omundo, uni-vos". Marx e Engels lêem a história como uma contínua luta de classes. O caminho socialista é superá-la e deve levar à supressão da propriedade privada, à socialização do capital, à abolição da família, das pátrias, das nacionalidades. O movimento socialista deve ser internacional e optar pelo caminho da revolu ção. Surgiram os Partidos socialistas na Alemanha, França e Itália, depois em quase todos os países.

A reação da Igreja

A reação católica foi lenta e não entendeu logo o desafio do movimento operário. Num primeiro momento houve a exortação à paciência, à aceitação religiosa da pobreza e isso acompanhado da ação caritativo-assistencial, mas, pouco a pouco, assumiu uma posição mais clara, marcada inicialmente pelo paternalismo e, em seguida, assumindo uma posição autônoma na ação social católica.

Alguns motivos desta lentidão foram: pouca conscientização das condições vitais das diversas classes sociais; mentalidade aristocrática e conservadora dos católicos pertencentes à nobreza e à burguesia intelectual; desconfiança perante o Estado (liberais) e a classe política no poder (conservadores); a preocupação de não misturar a Igreja com questões sociais e, sobretudo, a mensagem cristã da Cruz e da espera de uma justiça ultraterrena.

A Igreja busca a Justiça

É claro que, a seu modo, a hierarquia e os leigos buscavam uma solução cristã para a questão. Preocupada com a defesa da ordem social, do direito à propriedade privada e da autoridade do Estado, a Igreja condenou o socialismo e o comunismo (Pio IX em 1846 e 1864; Leão XIII em 1878 e 1884).

Leão XIII definiria assim a visão da Igreja: "A questão das relações entre ricos e pobres se resolverá quando se reconhecer que não falta dignidade à pobreza. O rico deve ser generoso e misericordioso e o pobre resignado com a própria sorte: ambos não foram feitos para estas coisas perecíveis. O pobre deve ganhar o céu com a paciência e o rico com a liberalidade".

A SUPERAÇÃO DO SISTEMA CARITATIVO-ASSISTENCIAL

O período que vai de 1870 a 1891 foi marcado por fecundas discussões sobre a doutrina social cristã, que se orientava para uma clarificação e tentativas ainda incapazes de superar o paternalismo e de reconhecer a plena igualdade humana de classes e o direito que o operário tinha, associando-se, de defender-se da opressão. Na Áustria, França, Bélgica, Alemanha, Itália e Estados Unidos surgiram centros católicos para estudos sociais. Problemas mais discutidos: associacionismo operário, intervencionismo estatal na economia, determinação de um justo salário.


Papa Leão XIII

Com relação ao associacionismo operário, a discussão e a prática evoluíram para a aceita ção da existência de sindicatos, primeiramente católicos e depois livres. O papa Leão XIII (1978-1903) abriu um novo período com relação à questão social com a Carta encíclica Rerum Novarum (1891): foi um marco fecundo para a Doutrina Social da Igreja (expressão usada pela primeira vez por Pio XII). Rejeita o socialismo e admite a intervenção do Estado fixando idade, horas e condições de trabalho, condena a luta de classes, mas admite a união dos operários em sindicatos confessionais (cristãos).

DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA

Um processo que levou à maturidade desinteressada em favor do povo. Contudo, a Igreja soube perceber os sinais dos tempos. A Rerum Novarum foi um passo que despertou novas energias no mundo católico. Lenta, mas irreversível, foi a aceita ção dos trabalhadores de se organizarem em sindicatos leigos.


O trabalho infantil: comum nas indústrias da era da Revolução Industrial na Inglaterra

Em 1910, Pio X condenou o empenho social cristão, causando profunda dor entre os católicos, mas foi superado por Bento XV, em 1918, que encorajou os sindicatos cristãos.

Abriu mais ainda o caminho a Encíclica Quadragesimo Anno (1931) de Pio XI que, entre outras, reafirmou o autêntico direito ao sal ário familiar, sublinhou os perigos dos monopólios que abriam caminho à ditadura econômica e admoestou o Estado a frear suas ingerências na economia (Estado Totalitário).

Entre as duas grandes Guerras (1918-1939) houve um esforço grandioso para evangelizar o mundo operário (Juventude Operária Católica - JOC). Infelizmente, as ideologias anticristãs já tinham fermentado o mundo operário e passado uma imagem desfavor ável da Igreja.

PARA REFLETIR

1. Como evoluiu o empenho social da Igreja no mundo do trabalho?

2. Como você avalia a atuação da Igreja na ação social em sua comunidade e no mundo?

3. Qual a importância da Rerum Novarum para a Pastoral Social?

Um século de Progressos Sociais

Citamos outros papas, grandes defensores da pessoa e do trabalho humano, sem esquecer os fermentos positivos oferecidos pelo Concílio do Vaticano II:

João XXIII - Mater et Magistra (1961): advogou a intervenção do Estado para estimular, coordenar, orientar, integrar. Pacem in Terris (1963): a paz é o fruto do desenvolvimento dos povos.

Paulo VI - A Populorum Progressio (1967): a questão social não é mais problema doméstico de cada país, mas uma questão de justiça entre os diversos povos. Outro documento sobre o assunto é a Octogesima Adveniens (1971).

João Paulo II - Laborem Exercens (1981): afirma a preeminência do trabalho humano frente ao capital; a Sollicitudo Rei Socialis (1988) propõe uma concepção mais integral e mais universal do desenvolvimento como proposta inseparável de uma autêntica "doutrina social" católica; Centesimus Annus (1991): O trabalho é parte inseparável dos direitos humanos.

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