Jornal - "MISSÃO JOVEM"

História da Igreja

m diversas épocas, após o Concílio de Calcedônia (451) e o Grande Cisma (1054), verificaram-se diversas tentativas de encontros e contatos entre as Igrejas separadas (II Concílio de Lyon, 1274 e concílio de Florença, 1438-1439). Algumas Igrejas católicas orientais devem sua origem a esses encontros e acham normal que possam continuar a existir grupos que, dentro das Igrejas ortodoxas, sempre se sentiram em comunhão com Roma.

O UNIATISMO

O Uniatismo foi uma solução encontrada pela Igreja católica, em sua busca de união com Igrejas orientais, especialmente eslavas. As Igrejas Uniatas mantém sua constituição e espiritualidade, as particularidades do direito canônico, a possibilidade de matrimônio para o clero, os ritos e liturgia próprios, mas sempre reconhecendo o primado do Papa.


Pedro e Paulo, unidade na diversidade

Essa solução, tida como ideal numa época de confrontos políticos e de inimizade religiosa, hoje se revela insatisfatória, de modo que o Vaticano não aceita mais esse processo,causa de tantos atritos e sofrimentos, especialmente com as Igrejas unidas em torno do Patriarcado de Moscou.

Esta situação especial é objeto de muitas polêmicas que influenciam negativamente o caminho ecumênico, pois eram acusadas de ter abandonado suas Igrejas-Mãe, às vezes até por questões de interesse político.

Os próprios uniatas, que vêm da tradição romana, católica e apostólica, afirmam que, no dia em que houver a união das Igrejas, elas retornarão ao grande leito da tradição oriental.

onforme a tradição litúrgica, entre as Igrejas “Uniatas” contam-se 5 ritos e de 12 a 15 milhões de fiéis. Maronitas: Praticamente é a única Igreja oriental que sempre permaneceu fiel a Roma. Todas as outras são uniatas. Seu nome tem origem no monge São Marone (IV-V século). O Patriarcado, constituído em 1215, tem a sede em Bkerké (Líbano) e conta com um milhão de fiéis. É uma Igreja com forte presença na cultura, política e economia do Líbano, cujo presidente da República é sempre maronita.

Católicos de rito bizantino:

Ele têm sua origem numa série de “uniões parciais”: Brest-Litovsk (1595-1596), Croácia (1611), Uzhorod (1646) e a união dos romenos (1697). As comunidades mais consistentes se encontram na Ucrânia (4 milhões de fiéis), Romênia (400 mil), Eslováquia (208 mil) e Hungria (235 mil).

Siro-orientais de rito caldeu:

Trata-se do Patriarcado da Babilônia (com sede em Bagdá), reconhecido por Roma em 1696. Conta hoje com 400 mil fiéis de nacionalidade iraquiana. Uma Igreja em plena vitalidade e com muitas vocações.

Siro-malabares de rito caldeu:

Situados principalmente no estado de Kerala, os Siro-malabares seguem o rito caldeu e são cristãos da Índia convertidos, segundo a tradição, pelo apóstolo Tomás. Receberam da Igreja siro-oriental os ritos e a disciplina. Sempre estiveram unidos a Roma. A chegada dos navegadores e colonizadores portugueses às costas de Malabar, no século XVI, comportou um processo de maciça e prolongada latinização.

Mas, a Igreja siro-malabar conseguiu sobreviver e conservar sua tradição milenar, com uma eclesiologia própria, de unidade na diversidade. Uma Igreja povo de Deus. A assembléia de sacerdotes e leigos mantém a comunhão e a solidariedade na comunidade. Conseguiram sempre conviver com as religiões da Índia, como o hinduísmo, budismo e islamismo. Com 4 milhões de fiéis, esta Igreja é assistida por 7 mil sacerdotes, 30 mil irmãs e, anualmente, ingressam 2 mil novos seminaristas.

Siro-ocidentais:

Os siro-católicos, convertidos ao catolicismo pela Igreja siro-ortodoxa, dependem do Patriarcado de Antioquia, com 80 mil fiéis.

Armeno-católicos:

Desde 1740, dependem do Patriarcado de Sis, que hoje tem sua sede em Beiro e conta com 200 mil fiéis.

Igrejas de rito alexandrino:

As Igrejas do rito alexandrino sofreram muito por ocasião das ocupações militares inglesas e italianas, quando o Vaticano quis forçá-las a se latinizarem. Uma boa intenção apenas reforçou o preconceito contra Roma.


Igreja Ucraniana em Curitiba - PR

Cóptos-católicos:

Os Cóptos-católicos foram enquadrados no Patriarcado de Alexandria (Cairo) em 1895, hoje são 80 mil fiéis.

Etíopes-católicos:

Eles surgiram no século XIX a partir de conversões operadas pelos missionários católicos. Desde 1961 dependem do metropolita de Addis Abeba e contam com cerca de 75 mil féis.

CONCLUSÃO

O Uniatismo não é mais aceito pela Igreja católica como método de expansão eclesial, pois tem a característica de proselitismo e pode dar a entender que a Igreja ortodoxa não se constitui numa verdadeira Igreja.

Não se deve esquecer, porém, do testemunho heróico oferecido pelos uniatas eslavos no tempo do comunismo (1917-1989), quando o Patriarcado de Moscou, equivocadamente, aliou-se à política stalinista e anexou a si as Igrejas Uniatas, abolindo sua hierarquia e apossando-se de seus bens. Vivendo nas catacumbas, sofrendo a perseguição, o martírio, milhares desses católicos testemunharam com o sangue sua fidelidade a Roma.

Tudo isso é página virada da história, mas continuam abertas muitas cicatrizes, especialmente na Ucrânia e na Geórgia e é, ainda hoje, a causa principal do desentendimento entre Roma e Moscou.

PARA REFLETIR

1.º Qual a diferença entre os ortodoxos e os uniatas?

2.º Pesquise sobre a situação atual do relacionamento entre a Igreja católica e as Igrejas Ortodoxas.

3.º Qual o melhor caminho para que aconteça a unidade entre os cristãos?

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