Jornal - "MISSÃO JOVEM"
História da Igreja
Um fato chama a atenção: nunca, na história cristã, tinha acontecido uma crise espiritual e organizacional tão profunda e geral como essa do final do século XV e do XVI, a ponto de somente três países da grande Cristandade ocidental terem permanecido totalmente católicos! E o mais trágico é que essa crise tenha sido mais profunda naquela parte donde sempre surgiram os elementos de renovação: a vida religiosa e os mosteiros. Uma comissão cardinalícia, em 1537, propôs a Paulo III de extinguir todos os mosteiros masculinos corrompidos e, depois, recomeçá-los do zero. NOVOS FERMENTOS Associações leigas e novos Institutos religiosos surgem e se dedicam à caridade para com os pobres e à piedade eucarística. Fundaram e readaptaram hospitais para doentes e idosos. Estas obras respondiam a uma exigência da época, dada a freqüência de pestes e calamidades naturais. Exemplos:
• A Companhia do Amor Divino, surgida em Gênova, em 1497. Seus membros se confessavam mensalmente e comungavam quatro vezes ao ano. Sua atividade caritativa deveria acontecer sem publicidade. • A Ordem dos Teatinos, fundada em Roma em 1524, por São Caetano de Thiene. Seus membros viviam em rigorosa pobreza e dedicavam-se ao atendimento pastoral e à formação de sacerdotes. • Os Somascos de São Jerônimo Emiliani (1481-1537), em Bérgamo, especialmente dedicados aos pobres, enfermos e à educação dos órfãos. • Os Clérigos Regulares de São Paulo, depois conhecidos como barnabitas, fundados em Milão, em 1533, por Santo Antônio Maria Zacarias. • Os Irmãos Hospitalares (Fatebenefratelli), fundados na Espanha, por São João de Deus, para a assistência aos doentes. • Os Ministros dos Enfermos, por sua vez, foram fundados por São Camilo de Lelis (1582), outro convertido à causa dos doentes. O Século XVI A missão católica deve muito à fundação do espanhol Santo Inácio de Loyola, em 1540. Inácio logo foi seguido por uma elite da nobreza espanhola e portuguesa. Sua Companhia de Jesus teve rápida difusão geográfica e crescimento numérico. Inácio pensou numa ordem religiosa para a pastoral direta e as missões, por isso não quis conventos, o que obrigaria os padres à vida conventual e aos ofícios religiosos.
O jesuíta deveria ser um soldado a serviço da Igreja. Inácio teve a capacidade de olhar o Papado além da figura humana do papa, a ponto de, aos três votos religiosos de pobreza, obediência e castidade, acrescentar o de obediência ao papa. Os jesuítas, com seus colégios, procuraram formar uma nova classe dirigente católica e, com as missões, recuperar os que tinham aderido ao protestantismo. O grande mérito, porém, da nova Ordem religiosa foi o das Missões: estamos na época das conquistas coloniais da América, da África e da Ásia. Em cada região, encontraremos a Companhia de Jesus, com seus padres e irmãos. Devido aos impedimentos jurídicos, a vida religiosa feminina ativa conheceu menor desenvolvimento, pois delas se exigia vida conventual, prejudicando a ação pastoral. No entanto, surgiram:
Reforma das antigas ordens religiosas Buscou-se uma melhora da vida em comum, observância da pobreza, clausura, penitência, trabalho. Multiplicaram-se os conventos de perfeita observância na Itália, Espanha, França, Alemanha.
A obra enfrentou imensa oposição dos carmelitas avessos à Reforma e da própria Inquisição que aprisionou os dois santos e censurou algumas de suas obras. Bispos reformam suas dioceses Grandes figuras episcopais promoveram a reforma, iniciando pela vida e formação de seu clero, convocando sínodos, promovendo a pregação. Na Espanha foi decisiva a colaboração entre os reis católicos Fernando e Isabel e o episcopado na nomeação de pastores zelosos. Se estabelece a obrigação de residência, a limitação de privilégios e a obrigação das visitas pastorais. Foram também incentivadas as traduções da Imitação de Cristo e da Bíblia. Na Alemanha, a obra reformadora de alguns bispos não pôde prosperar, pois tudo foi engolfado na tempestade luterana. Os grupos humanistas-cristãos buscam uma espiritualidade mais pessoal, intimista e estimulam o estudo dos Santos Pais e da Escritura, com grande desejo de retornar às fontes. O nome mais conhecido entre os humanistas é o de Erasmo de Rotterdam. Iniciativas da Cúria romana e dos papas Esta é a parte mais fraca de toda a reforma católica. Faltava-lhes uma verdadeira consciência das necessidades da Igreja, prevalecendo o temor de que muitas exigências de reforma levassem a uma nova afirmação da Teoria Conciliar e se adotou uma tática, costumeira nestas ocasiões: ceder nos pontos secundários para conservar os principais. Exemplo disso foi o V Concílio Lateranense (1512-1517) convocado por Júlio II não para uma reforma na cabeça e nos membros, mas para neutralizar o Concílio de Pisa, convocado por Luiz XII da França. O Concílio chegou a poucas coisas práticas: algumas decisões sobre as nomeações de bispos e sobre a censura preventiva da imprensa, mas nem falou no fiscalismo. As poucas decisões permaneceram letra morta por falta de uma sincera convicção e de uma enérgica vontade dos papas. Tudo ruía quando se tratava de renunciar a privilégios financeiros. Um paradoxo como exemplo: a bula de reforma da Cúria romana é contemporânea à autorização dada a Alberto de Brandenburgo de obter o governo e os lucros de três dioceses, bastando para isso pagar certas taxas a Roma através da concessão de indulgências.
Pe. José Artulino Besen PARA REFLETIR 1. Onde se encontrava a vitalidade do cristianismo no século XVI? 2. Como você explicaria o surgimento do protestantismo? |
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