Jornal - "MISSÃO JOVEM"

História da Igreja

história da Igreja nos mostra que mesmo nos maiores momentos de pecado, de crise, vivem ou surgem nela elementos ou movimentos populares de santidade, que brilham em meio ao pântano da confusão e do comodismo. Antes de entrarmos no estudo das Reformas protestante, anglicana e calvinista, que dividiram a Europa católica, convém que conheçamos algumas dessas sementes que, tanto durante a crise das “Reforma” como depois, darão vida nova à Igreja católica.

Um fato chama a atenção: nunca, na história cristã, tinha acontecido uma crise espiritual e organizacional tão profunda e geral como essa do final do século XV e do XVI, a ponto de somente três países da grande Cristandade ocidental terem permanecido totalmente católicos!

E o mais trágico é que essa crise tenha sido mais profunda naquela parte donde sempre surgiram os elementos de renovação: a vida religiosa e os mosteiros. Uma comissão cardinalícia, em 1537, propôs a Paulo III de extinguir todos os mosteiros masculinos corrompidos e, depois, recomeçá-los do zero.

NOVOS FERMENTOS
DA VIDA ECLESIAL

Associações leigas e novos Institutos religiosos surgem e se dedicam à caridade para com os pobres e à piedade eucarística. Fundaram e readaptaram hospitais para doentes e idosos. Estas obras respondiam a uma exigência da época, dada a freqüência de pestes e calamidades naturais. Exemplos:


S. Teresa D' Ávila (1515-1592)

• A Companhia do Amor Divino, surgida em Gênova, em 1497. Seus membros se confessavam mensalmente e comungavam quatro vezes ao ano. Sua atividade caritativa deveria acontecer sem publicidade.

• A Ordem dos Teatinos, fundada em Roma em 1524, por São Caetano de Thiene. Seus membros viviam em rigorosa pobreza e dedicavam-se ao atendimento pastoral e à formação de sacerdotes.

• Os Somascos de São Jerônimo Emiliani (1481-1537), em Bérgamo, especialmente dedicados aos pobres, enfermos e à educação dos órfãos.

• Os Clérigos Regulares de São Paulo, depois conhecidos como barnabitas, fundados em Milão, em 1533, por Santo Antônio Maria Zacarias.

• Os Irmãos Hospitalares (Fatebenefratelli), fundados na Espanha, por São João de Deus, para a assistência aos doentes.

• Os Ministros dos Enfermos, por sua vez, foram fundados por São Camilo de Lelis (1582), outro convertido à causa dos doentes.

O Século XVI

A missão católica deve muito à fundação do espanhol Santo Inácio de Loyola, em 1540. Inácio logo foi seguido por uma elite da nobreza espanhola e portuguesa. Sua Companhia de Jesus teve rápida difusão geográfica e crescimento numérico.

Inácio pensou numa ordem religiosa para a pastoral direta e as missões, por isso não quis conventos, o que obrigaria os padres à vida conventual e aos ofícios religiosos.


S. Vicente de Paulo (1581-1680)

O jesuíta deveria ser um soldado a serviço da Igreja. Inácio teve a capacidade de olhar o Papado além da figura humana do papa, a ponto de, aos três votos religiosos de pobreza, obediência e castidade, acrescentar o de obediência ao papa.

Os jesuítas, com seus colégios, procuraram formar uma nova classe dirigente católica e, com as missões, recuperar os que tinham aderido ao protestantismo. O grande mérito, porém, da nova Ordem religiosa foi o das Missões: estamos na época das conquistas coloniais da América, da África e da Ásia. Em cada região, encontraremos a Companhia de Jesus, com seus padres e irmãos.

Devido aos impedimentos jurídicos, a vida religiosa feminina ativa conheceu menor desenvolvimento, pois delas se exigia vida conventual, prejudicando a ação pastoral. No entanto, surgiram:

  • A Congregação da Visitação, de São Francisco de Sales.
  • As Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, em 1535.
  • As Ursulinas de Santa Ângela Merici (1535), para a educação das meninas abandonadas
  • As Angélicas de Torelli di Guastalla, em 1535, e outras.

Reforma das antigas ordens religiosas

Buscou-se uma melhora da vida em comum, observância da pobreza, clausura, penitência, trabalho. Multiplicaram-se os conventos de perfeita observância na Itália, Espanha, França, Alemanha.

  • A Ordem dos Capuchinhos: fundada em 1525, quis reconduzir a Ordem franciscana à mais rigorosa obediência da regra de São Francisco.
  • A Ordem de São Bento, os Cistercienses e Camaldulenses criam novas famílias renovadas.
  • A Ordem dos Frades Menores Conventuais deu origem a uma rica família de novas Ordens: Observantes Franciscanos, os Reformados, os Recoletos e os Alcantarinos.
  • A Ordem dos Carmelitas (ramo masculino e feminino) passou pela Reforma conduzida pelos dois místicos e sábios espanhóis: Santa Teresa d’Ávila (+1582) e São João da Cruz (+1591).

A obra enfrentou imensa oposição dos carmelitas avessos à Reforma e da própria Inquisição que aprisionou os dois santos e censurou algumas de suas obras.

Bispos reformam suas dioceses

Grandes figuras episcopais promoveram a reforma, iniciando pela vida e formação de seu clero, convocando sínodos, promovendo a pregação.

Na Espanha foi decisiva a colaboração entre os reis católicos Fernando e Isabel e o episcopado na nomeação de pastores zelosos. Se estabelece a obrigação de residência, a limitação de privilégios e a obrigação das visitas pastorais. Foram também incentivadas as traduções da Imitação de Cristo e da Bíblia.

Na Alemanha, a obra reformadora de alguns bispos não pôde prosperar, pois tudo foi engolfado na tempestade luterana.

Os grupos humanistas-cristãos buscam uma espiritualidade mais pessoal, intimista e estimulam o estudo dos Santos Pais e da Escritura, com grande desejo de retornar às fontes. O nome mais conhecido entre os humanistas é o de Erasmo de Rotterdam.

Iniciativas da Cúria romana e dos papas

Esta é a parte mais fraca de toda a reforma católica. Faltava-lhes uma verdadeira consciência das necessidades da Igreja, prevalecendo o temor de que muitas exigências de reforma levassem a uma nova afirmação da Teoria Conciliar e se adotou uma tática, costumeira nestas ocasiões: ceder nos pontos secundários para conservar os principais. Exemplo disso foi o V Concílio Lateranense (1512-1517) convocado por Júlio II não para uma reforma na cabeça e nos membros, mas para neutralizar o Concílio de Pisa, convocado por Luiz XII da França.

O Concílio chegou a poucas coisas práticas: algumas decisões sobre as nomeações de bispos e sobre a censura preventiva da imprensa, mas nem falou no fiscalismo. As poucas decisões permaneceram letra morta por falta de uma sincera convicção e de uma enérgica vontade dos papas.

Tudo ruía quando se tratava de renunciar a privilégios financeiros. Um paradoxo como exemplo: a bula de reforma da Cúria romana é contemporânea à autorização dada a Alberto de Brandenburgo de obter o governo e os lucros de três dioceses, bastando para isso pagar certas taxas a Roma através da concessão de indulgências.

O Concílio Lateranense V terminou em 17 de março de 1517. Em 31 de outubro Lutero publicava suas 95 teses em Wittenberg. Resistindo a uma verdadeira reforma católica, a Igreja mergulhou na Reforma de Martinho Lutero.

Pe. José Artulino Besen
Prof. de História do ITESC

PARA REFLETIR

1. Onde se encontrava a vitalidade do cristianismo no século XVI?

2. Como você explicaria o surgimento do protestantismo?

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