Jornal - "MISSÃO JOVEM"
História da Igreja no Brasil
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A Igreja e a Transformação
da Sociedade
O episcopado latino-americano que participou do Concílio Ecumênico, em Roma (1962-1965), era extremamente conservador. Sua maior preocupação era voltada para os problemas internos da Igreja, a defesa da doutrina e o combate aos erros modernos. Causou estranheza, em 1968, quando, na Conferência episcopal
de Medellín, os bispos da América Latina produziram textos
avançados e com forte preocupação social. A EUFORIA DESENVOLVIMENTISTA Na década de 50, o Brasil passou pela euforia desenvolvimentista: achava-se que o país era pobre porque era subdesenvolvido e sem progresso. Com mais fábricas, escolas, desapareceria a miséria. Abriu-se portanto a economia aos capitais estrangeiros e à tecnologia avançada, através das multinacionais. As fábricas de automóveis são o símbolo do período. Os bispos do nordeste, preocupados com a pobreza crônica da região, sugeriram e conseguiram a criação da Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste, a SUDENE, que embora tendo produzido frutos positivos na região, foi se transformando num baú de subsídios para políticos e empresários ineficientes e corruptos. Nesse esforço pelo desenvolvimento, cumpre citar o Movimento de Educação de Base (MEB) em Natal-RN, iniciativa de Dom Eugênio de Araújo Sales. O bispo de Barra-BA, Dom João Muniz, criou o programa de erradicação da malária às margens do rio São Francisco. PROGRESSO E MISÉRIA
A Igreja e as lideranças com visão social chegam à conclusão de que não se supera a pobreza apenas evoluindo no plano econômico. O progresso não elimina a pobreza. Era preciso um desenvolvimento integral, que levasse à libertação do homem todo e de todos os homens, superando o esquema da dependência externa. Muitos católicos despertaram para o problema, especialmente os militantes da JUC e da JOC. A América Latina ficou perplexa, quando, em 1959, a revolução cubana de Fidel Castro foi instaurada: um regime comunista no coração de um continente católico. O regime cubano atraiu a atenção das lideranças de esquerda e alimentou a esperança dos pobres. A REAÇÃO CAPITALISTA À revolução cubana, o capitalismo norte-americano reagiu criando a Aliança para o Progresso: farta distribuição de alimentos, roupas e remédios, para que os pobres do continente esquecessem um pouco da miséria. Ao mesmo tempo, treinou e financiou os promotores dos golpes militares que ocorreram na América Latina. No Brasil, o golpe foi em 1964, mas a instauração da ditadura foi em 1968. Sob o governo norte-americano de Richard Nixon e Gerald Ford (1969-1977), sendo Secretário de Estado Henry Kissinger, a AL e sua Igreja viveram dias de terror. Apoiando as doutrinas de segurança nacional, isto é,
fechar a democracia para facilitar o crescimento econômico, os militares
tudo fizeram para impedir a ação da Igreja, inclusive com
o financiamento de seitas evangélicas. A Sociedade Agora Estava Dividida Entre Os Conservadores, A Classe
Dominante, E Os Chamados Esquerdistas, A Oposição. UMA PÁGINA DE MARTIRIO Se Inicialmente Os Bispos Apoiaram O Golpe Militar De 31 De Março
De 1964, No Qual Viram O Afastamento Do Perigo Comunista, A Perseguição
Aos Religiosos, Leigos, As Prisões E As Torturas Dos Oposicionistas
Os Fizeram Mudar De Postura. Entre os mártires da sociedade civil, líderes pacíficos sem envolvimento com a luta armada, citamos Santo Dias (líder operário de São Paulo), Alexandre Vanucchi Leme (estudante paulista), Vladimir Herzog (jornalista em São Paulo), Chico Mendes (seringueiro na Amazônia), o índio Simão, a agricultora Margarida. Aqui estão incluídos todos os trabalhadores vítimas de chacinas por esse Brasil afora, e que na AL chegam a mais de 50 mil. Mais de 50 religiosos, na AL, morreram na luta pelos direitos humanos. Entre eles: o Pe. Antônio Henrique Pereira Neto (1969), jovem secretário de Dom Hélder; o dominicano frei Tito de Alencar, os padres Rodolfo Lukenbein e João Bosco Penido Burnier (1982), Ezequiel Ramin e Josino Morais Tavares (1976)... O martirológio está sendo enriquecido pelos nossos Santos Inocentes Mártires, as milhares de crianças vítimas do grande Herodes em que se transformou a economia liberal e globalizada. UMA IGREJA A SERVIÇO DO POVO O Brasil teve a graça de ter um episcopado profético na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), principalmente entre os anos de 1964-1987. Devemos citar os nomes dos bispos que a conduziram, destemidamente, a um compromisso radical com os pobres: Dom Aloísio Lorscheiter, Dom Ivo Lorscheiter e Dom Luciano Mendes de Almeida. Essa mudança de compromisso da elite para com os pobres teve o dedo heróico e persistente do arcebispo de Recife, Dom Hélder Câmara, silenciado no Brasil durante todo o regime militar. A C.N.B.B. tornou-se o órgão mais respeitado da sociedade brasileira e, praticamente, a única instituição em condições de enfrentar a repressão militar e criticar a exploração capitalista do país. Apoiou e conduziu a formação de pastorais de fronteira como a Comissão de Pastoral da Terra (CPT), a Pastoral Operária (PO), a Pastoral dos Jovens do Meio Popular (PJMP) e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI). Ao mesmo tempo, houve a integração com as organizações da sociedade civil e os movimentos populares, integração esta que deu origem às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Grandes documentos episcopais revitalizaram a pastoral: "Ouvi os clamores do meu povo" (Nordeste, 1972), "O índio, aquele que deve morrer" (Amazônia, 1973), "Não oprimas teu irmão" (Episcopado paulista, 1975), "Exigências cristãs de uma ordem política" (CNBB, 1977), "Marginalização de um povo" (Goiânia, 1985). A Comissão de Justiça e Paz foi o órgão
de defesa dos direitos humanos e de denúncia frente à violência.
Um nome fundamental no diálogo com a sociedade civil, nacional
e internacional, é o do Cardeal Arcebispo emérito de São
Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, catarinense. É evidente que os nomes citados não esgotam a riqueza
do episcopado brasileiro, majoritariamente constituído de homens
dedicados, apostólicos, missionários, pastores zelosos de
seu rebanho. Pe. José A. Besen PARA REFLETIR 1.º Qual a sua opinião sobre o agir da Igreja nesses últimos 50 anos? 2.º Por que a Igreja do Brasil foi considerada uma Igreja profética? 3.º Qual a atuação de seu grupo no contexto do mundo e da Igreja atual? |
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