Jornal - "MISSÃO JOVEM"
História da Igreja
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O IMPÉRIO E A IGREJA
A grande perseguição, decretada por Diocleciano em 303
e continuada por Galério, faliu. Os dois imperadores partiam do
princípio de que a unidade do Império seria garantida pela
unidade religiosa, pelo retorno ao paganismo. O cristianismo era visto
como um estado dentro do estado, formando comunidades com costumes e espírito
diferentes. Por isso devia ser banido. Não conseguindo destruir os cristãos, em 311 Galério publica um decreto de tolerância, admitindo o fracasso diante da Igreja que continuava crescendo em número de fiéis. A angústia do imperador pode ser medida quando pede que em troca de nosso ato de clemência, os cristãos devem rezar ao seu Deus pelo nosso bem-estar, do Estado e deles. A força moral do cristianismo, afinal, era visível e invencível. Sobrava apenas um caminho: usar dessa força para reconstituir a unidade imperial. E isso foi feito por Constantino, imperador de 312 a 337. UMA IGREJA LIVRE E PRIVILEGIADA Constantino não era um santo, sendo responsável por uma sistemática eliminação de possíveis concorrentes, especialmente familiares. Mas era um homem profundamente religioso e atraído pelo monoteísmo, primeiramente adorando o Sol Invencível, chegando depois ao Deus dos cristãos. A força dos cristãos na perseguição foi por ele atribuída à força de seu Deus e Constantino quis também a proteção dessa divindade poderosa para o Império. A respeito desse imperador, podemos dizer que foi levado a preferir
e privilegiar a Igreja católica tanto por esperteza política
(o cristianismo era uma força que se impunha tanto em número
como pela retidão moral de seus membros) como por sinceridade religiosa.
Apoiando a Igreja, o Império romano adquiriu força e o imperador
satisfez seus impulsos religiosos, mesmo que pedindo o batismo apenas
no leito de morte. A política religiosa de Constantino se impôs em 313, quando derrotou seu rival Licínio e tornou-se imperador do Oriente e do Ocidente. Pouco antes, em janeiro, decretou a liberdade para os cristãos, a restituição dos lugares de culto e outras propriedades, no ato conhecido como Edito de Milão. Tem assim início a chamada era constantiniana, que leva a Igreja de uma posição de inferioridade a uma posição de liberdade, poder e privilégio. Significativo da mudança de mentalidade dos dois lados foi a oferta do palácio imperial de Latrão para residência do bispo de Roma. A POLÍTICA CRISTÃ DE CONSTANTINO Rapidamente, o cristianismo vai influenciar positivamente a legislação imperial, colocando um novo espírito fraterno e humano no tratamento das pessoas. Principais medidas tomadas por Constantino entre 313 e 330:
Constantino, porém, enfraquece a liberdade dos bispos, garantindo-lhes postos de honra nas cerimônias, palácios e dinheiro, e oferecendo-lhes gratuitamente transporte e alojamento por ocasião dos sínodos e Concílios. O principal motivo dessa última disposição era exercer influência nas decisões doutrinais e disciplinares, com isso garantindo a unidade do Império, sua grande obsessão. Essa bondade inclui o reconhecimento da influência da fé cristã em todos os níveis da sociedade do Império. Constantino, em 330, passa a residir em Bizâncio, no Oriente,
inaugurando-a com o nome de Constantinopla. Surge a Nova Roma, cujo patriarca
passa a concorrer em poder e prestígio com o bispo da Antiga Roma. A CAMINHO DE UMA TEOLOGIA IMPERIAL Devemos ter em conta o significado, para os cristãos, de terem um imperador cristão após três séculos de perseguição. Os símbolos imperiais passam a ser cristãos, as moedas trazem imagens cristãs, a cruz torna-se o grande símbolo do Império. Os cargos mais altos do governo são confiados somente a cristãos. Os bispos são os principais conselheiros e se desenvolve uma cultura cristã. A Igreja, livre para a sua missão, se expande pelo Império, multiplica as dioceses, constrói ricas e belas igrejas, embeleza o culto cristão, que também sai empobrecido pela multiplicação de cerimônias e ornamentos como imitação da corte imperial. Desenvolve-se também uma teologia da pessoa do imperador: assim como Cristo venceu os demônios, o imperador vence os inimigos da verdade; Cristo introduz os homens no reino do Pai e o imperador os introduz na Igreja. O imperador é o vigário de Deus, Pai na terra, do mesmo modo que Cristo o é no paraíso. Numa palavra, o imperador faz parte do plano de salvação e é instrumento de salvação! Constantino transfere para o âmbito cristão a ideologia imperial pagã: o imperador pagão divino agora passa a ser um representante divino na terra. Julgava-se bispo exterior, responsável pela unidade cristã. Ergueu seu túmulo numa igreja em Constantinopla, repousando no meio das estátuas dos doze apóstolos e considerando-se isapóstolos (semelhante aos apóstolos). O serviço militar, antes problemático para os cristãos, tornou-se permitido. Uma guerra do imperador cristão já pode ser uma guerra justa. Sinal dessa reviravolta: em 404 os judeus e samaritanos foram excluídos do exército e os pagãos em 416. Houve um retrocesso em 361-363, quando o imperador Juliano tentou levar o Império a retornar ao paganismo. A Igreja recebeu a justa liberdade, mas também caiu no erro da intolerância, que condenava quando estava em minoria: os cultos pagãos foram proibidos, os templos destruídos, os hereges perseguidos. O imperador Teodósio, no dia 28 de fevereiro de 380, faz uma escolha dogmática: o paganismo é abolido e os cristãos devem acolher a fé professada pelo bispo de Roma Dâmaso e por Pedro de Alexandria. Pe. José A. Besen PARA REFLETIR
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