Jornal - "MISSÃO JOVEM"

História do Mês

A cadeira do amigo

Uma jovem procurou um sacerdote e lhe pediu que fosse visitar seu pai, que estava muito doente. Sabia que, dada a gravidade da situação, ele não viveria muito tempo. Como havia sido sempre muito correto, dar-lhe a possibilidade de receber um sacramento da Igreja era o mínimo que ela podia lhe fazer.

A visita do padre foi combinada, mas ela nada falou ao pai. Queria lhe fazer uma surpresa. Quando o padre chegou casa, encontrou o homem deitado, respirando com dificuldade.
Viu que ao lado da cama havia uma cadeira e, tentando dar inicio à conversa, disse:

- Vejo que o senhor estava me esperando!
Até deixou uma cadeira para mim!
O doente lhe perguntou:
- O senhor disse que eu o esperava? Sinceramente, nem sei quem é!

Surpreso, o sacerdote lhe disse:

- Fui procurado por sua filha. Sou padre e vim lhe fazer uma visita. Não sei se isso lhe agrada ...

Os olhinhos do enfermo brilharam e respondeu:

- Claro que me agrada! Que bom que veio!
Poderia lhe pedir um favor? Feche a porta, quero falar com o senhor.

Logo que a porta foi fechada, o doente começou:

- Sabe, padre, vou lhe contar um segredo.
Eu nunca soube rezar. Quando escutava alguém falar que na oração a gente louva a Deus, lhe agradece, pede seu perdão ou solicita uma graça, eu nunca entendia como poderia fazer isso. Por mais que tentasse, nada conseguia e tinha vergonha por isso. Então, simplesmente deixei de rezar.

Um dia, porém, há uns cinco ou seis anos, encontrei-me com um amigo e começarmos a falar de coisas da religião. Então, sem que lhe perguntasse alguma coisa, ele me disse:

"Olha, Pedro, eu rezo do jeito que minha mãe me ensinou. E sabe o que ela me dizia para fazer quando quisesse rezar?

Deveria começar pensando no seguinte:

Jesus me ama e me escuta. Ele garantiu que nunca nos abandonaria. Rezar, então, é conversar com ele, que é meu salvador e amigo, que está ali, diante de mim, me escutando".

Depois dessa conversa, vim para casa e pensei: Vou tentar. Para ser mais fácil imaginar Jesus na minha frente, coloquei esta cadeira, esta mesma cadeira na qual o senhor, seu padre, está sentado. E comecei a falar com Ele. Não é que deu certo? A partir dai, nunca mais tive dificuldade de rezar.

Entrava aqui no meu quarto, sentava-me aqui na cama, colocava esta cadeira diante de mim e falava com Jesus, imaginando-o sentado, me escutando. Passei a gostar tanto disso que chegava a ficar duas e até três horas conversando com ele. Só temia que minha filha me visse rezando desse jeito: acharia que seu pai estava ficando louco e poderia querer me internar ...

O sacerdote ficou surpreso: acabara de ter uma das mais belas aulas de espiritualidade de sua vida.

Depois de ungir o doente, apertou firmemente suas mãos e lhe disse:

- Seu Pedro, continue rezando assim! Esteja certo de que quando o senhor reza, Jesus não só o escuta com muita atenção, mas também lhe sorri. Fique em paz!

Alguns dias depois, a jovem voltou a procurar o sacerdote e lhe disse:

- Padre, meu pai faleceu! Ainda com a imagem viva daquele doente que tanto lhe ensinara, o padre lhe perguntou:
- E como morreu?
- Hoje de manhã, quando sai para o trabalho, ele me chamou e disse: Te amo muito! Depois, deu-me um beijo, me abraçou e terminou fazendo um sinal da cruz em minha testa. Quando, ao meio-dia, voltei para casa, levei um susto: encontrei-o morto. Mas, o que mais me surpreendeu, foi a cena que vi: a cadeira que ficava sempre em seu quarto, estava bem perto de sua cama, e ele morreu com o rosto em cima dela, e os braços como que querendo abraça-la. O que o senhor acha que isso significa?

Emocionado, o padre apenas lhe respondeu:

- Veja, menina, há mistérios que a gente nunca vai entender. Queira Deus, contudo, que todos possam morrer como seu pai...

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