Jornal - "MISSÃO JOVEM"

História do Mês

Olhou para o velocímetro, agora baixando o ponteiro: 120km/hora numa área em que a velocidade máxima deveria ser de 80km/h. A quarta vez em um mês!

Quando a velocidade baixou para os 20km/h, encostou e esperou o carro de polícia que o seguia com as luzes piscando, deixando que ele se preocupasse com o perigo potencial do tráfego. Queria mais ver, pelo espelho, algum outro carro arrebentar-se na traseira do carro do guarda...

Mas o que viu foi o mesmo saindo, prancheta e talão de multa na mão: “Será o Bob? O Bob da igreja?”

Saltou rapidamente do carro, olhando o caminhar lento do guarda, imaginando a situação. Isso por si somente era pior que a multa!

Um guarda apanhando um companheiro da própria igreja! Um sujeito que estava apenas um pouco ansioso para chegar em casa após um longo e cansativo dia de sexta feira no escritório... Um companheiro de igreja que poderia amanhã ir jogar golfe com ele!

Ao chegar mais perto, percebeu que era mesmo o Bob, que ele via sempre aos domingos, sem farda, na igreja.

- Olá, Bob! Imagina que eu vinha pensando se não te encontraria por aí, a me pegar nessa correria para chegar em casa e ver minha esposa e filhos. Parece que estava adivinhando!
Bob não sorriu.
- É, eu adivinhei. Apenas murmurou sério, mas sem muita convicção. Parecia incerto sobre multar o companheiro de igreja.
- Bob, eu tive uma semana difícil, e a Diane disse alguma coisa sobre um jantarzinho a dois esta noite. Você sabe o que isso significa... E isso me fez apressar para chegar em casa logo...
- É, sei o que significa.
- Também sei que você tem uma excelente reputação na nossa vizinhança.
E pensou rapidamente: “Opa, isso não está no caminho certo. Melhor não elogiar a reputação que senão não escapo da multa.” E mudando de tática perguntou:
- A que velocidade seu radar indicou que eu estava?
-110 por hora! - Disse o Bob. E encarando-o seriamente, pediu, mas com autoridade.
- Por favor, sente-se no seu carro e aguarde.
- Mas, Bob, eu não devia estar a mais de 90! E ele percebeu que a mentira saíra fácil, ao mesmo tempo que dolorosa.
- Por favor, sente no carro e aguarde um minuto:
Frustrado em suas tentativas, sentou-se, batendo a porta, sem abrir a janela, olhando perdido para o painel do carro... O Bob ficou ali, prancheta na mão, rabiscando pacientemente o bloco.
- Por que ele não me pediu a carteira de motorista? Dane-se, também não vou entregar sem pedi-la...E nunca mais vou sentar perto dele na igreja. Ele vai ver comigo...

Uma pancadinha no vidro, e ele olhou para o Bob, com o papel dobrado na mão. Abriu apenas uma fresta da janela para pegar a multa e, secamente, ou melhor, com escárnio, ralhou um “Obrigado”, que Bob não deve ter ouvido, já a caminho de seu carro de polícia. Fitou o vulto que se afastava pelo retrovisor, pensando “Quanto me custou essa brincadeira?” e desdobrou o papel.
- Espera um pouco: o que é isso? Uma piada?
- Não era uma multa, mas um bilhete. Começou a ler:

“Há um tempo atrás, eu tinha uma filha. Ela tinha seis anos quando foi morta por um automóvel em alta velocidade. O motorista ficou preso uns três meses, pagou uma multa.
Ele pôde sair e abraçar as filhas, as três que tem. Eu tinha apenas essa filha, e agora tenho que esperar, Deus me ajude, que um dia chegue ao céu para abraçá-la novamente. Mil vezes eu tenho tentado perdoar esse homem que atropelou minha filha.
Mil vezes eu achei que tinha conseguido perdoá-lo. Sempre vejo que não consegui, realmente. Mas eu preciso tentar de novo, eu preciso conseguir. Reze por mim. E tenha cuidado. Seu amigo, Bob.”

Levantou a cabeça, a tempo de ainda ver o carro de Bob sumir à sua frente. Ficou ali, parado, por uns 15 minutos, pensando, até conseguir sair com o carro de novo e seguir para casa. Foi rezando, pedindo perdão e se imaginando chegar em casa e abraçar a esposa e os filhos.

Marcus Viana / Enviado via Internet

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