Jornal - "MISSÃO JOVEM"
História da Igreja no Brasil
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Roma reage
A romanização da Igreja brasileira caracteriza este período. Não faltaram reações.
O que entendemos por romanização? É o processo pastoral iniciado na Igreja do Brasil em meados do século 19 e que tinha como objetivo recolocar a Igreja latino-americana mais diretamente ligada ao Papa, livrando-a, assim, das leis do Padroado que visava seu controle, já que a Igreja exercia uma imensa força moral junto ao povo. O que entendemos por romanização? É o processo pastoral iniciado na Igreja do Brasil em meados do século 19 e que tinha como objetivo recolocar a Igreja latino-americana mais diretamente ligada ao Papa, livrando-a, assim, das leis do Padroado que visava seu controle, já que a Igreja exercia uma imensa força moral junto ao povo. Durante toda a história americana, apesar de tudo, era na Igreja que os pobres, camponeses, negros e índios, se sentiam incluídos e valorizados. Os sistemas políticos nunca conseguiram isso, pois sempre estiveram a serviço das oligarquias, esquecendo as necessidades do povo. A reação romana, a este sufocamento da Igreja, se processou decisivamente a partir de Pio IX (1846-1878). Dois bispos reformadores Dom Pedro II procurou escolher, para o episcopado, figuras ilustres do clero. Achava que a Igreja, sendo uma instituição de grande significado cultural para a nação, deveria ter pessoas cultas e de renome em seu governo. Deste modo, em 1842, nomeou o português Pe. Antônio Ferreira Viçoso para bispo de Mariana e o paulista Pe. Antônio Joaquim de Melo para São Paulo, dois sacerdotes extremamente fiéis à monarquia, mas que tinham outra formação: eram reformistas e fieis ao Papa. Nada tinham de liberais. Sua primeira iniciativa foi a reforma dos Seminários, buscando na Europa os formadores. Surgia assim um novo tipo de padre, fiel ao Papa, partidário de ideais políticas conservadoras e voltados para a atividade religiosa. Outros padres liberais fizeram oposição, mas os bispos venceram e empreenderam a reforma da vida paroquial estimulando a uma nova espiritualidade cujo centro era a Eucaristia, Maria e o Papa, as três "brancuras", ou devoções brancas, católicas. Dois outros bispos seguiram a mesma linha e entraram em conflito aberto com o Império, em 1874, a ponto de serem presos e condenados: Dom Vital M. de Lacerda, de Olinda e Dom Macedo Costa, de Belém-PA A ação do Papa Pio IX No ano de 1842, os jesuítas voltaram para o Brasil cheios de ardor e convencidos da necessidade de unir a Igreja brasileira ao Papa. Trazem a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, que, alimentada pelos grupos do Apostolado da Oração, permanece a grande devoção do povo brasileiro. Pio IX, o grande papa das missões, além de trazer da Europa para o Brasil novas congregações religiosas, para a formação dos padres, em 1850, fundou em Roma o Pontifício Colégio Pio Latino Americano. Já em 1934, Pio 11 fundou o Pontifício Colégio Pio Brasileiro. Neles dois Colégios foram formados os novos padres, muitos dos quais se tornaram bispos. A estratégia estava completa: religiosos, bispos, padres reformados..., a vida eclesial brasileira passou a girar em torno das decisões romanas, libertando-se do jugo político. Conflitos com o governo e a religiosidade popular Evidente que toda essa nova ação pastoral geraria conflitos: Com a Santa Sé, acusada de se intrometer nos problemas nacionais e com os bispos, acusados de obedecer mais ao Papa do que às leis do país. O caso era delicado, pois a legislação brasileira previa que qualquer lei teria valor apenas com a aprovação do Imperador, e este não aprovara alguns documentos da Santa Sé, especialmente os que se referiam à proibição de maçons se inscreverem nas irmandades. Outro conflito, foi com as estruturas do catolicismo popular. Os beatos foram chamados de fanáticos, as devoções populares de superstição. Nosso catolicismo era tipicamente leigo, governado pelas irmandades e Ordens Terceiras. O padre era chamado para as celebrações, mas não tinha poder de governo nas irmandades. O novo catolicismo, romanizado, era clerical e colocava o sacerdote
como centro da vida paroquial: dele era o governo, a administração
financeira e a atividade religiosa. Toda esta questão da clericalização da Igreja e a coesistência com o catolicismo popular ainda não está resolvida. Há uma acomodação: de seu lado, a visão clerical de agentes de pastoral deixa as formas religiosas populares e leigas - procissões, imagens, velas, por não serem expressão de uma Igreja comprometida (o que não é tão verdade assim); e pelo lado do povo, vive-se intensamente o clima devocional, sentimental e espontâneo do catolicismo popular. O mesmo católico pode acender uma vela para Nossa Senhora, pedir um passe no centro espírita, buscar uma bênção do pastor crente, uma esmola nos adventistas e terminar o dia indo à Missa. O espírito das novas congregações religiosas É inegável a doação heróica e a disponibilidade de jovens religiosos e religiosas que deixaram sua pátria para trabalhar no Brasil. Alguns abandonaram tudo, sabendo que nunca mais retornariam a seu lar. Foi uma página de doação escrita na Igreja brasileira. Mas, historicamente, devemos ter a capacidade de olhar além. As congregações religiosas muitas vezes não foram capazes de fugir ao espírito europeu e se inculturar no novo ambiente. Fixaram residência nos grandes centros, onde construíram hospitais e colégios para a educação das elites, mas muito menos se dedicaram ao mundo rural. Houve assim uma aliança tácita com o mundo urbano conservador e suas elites. O espírito europeu de sua origem dominava: na Europa estava a civilização, aos outros povos cabia assimilá-la. Julgou-se até que um brasileiro seria incapaz de viver a vida religiosa. Somente bem mais tarde deu-se carta de crédito aos "brasileiros" e, com o surgimento de vocações brasileiras e a crise européia de vocações, o espírito do catolicismo brasileiro e a capacidade de inculturação foi penetrando a vida religiosa. Após o Concílio Vaticano II (1962-1965), muitos religiosos optam pelas missões nas periferias e sertões do Brasil, escolhendo como modo de vida a pobreza, a insegurança dos pobres e trabalhando ao lado deles pelas questões sociais. A aceitação e os desafios da romanização Se, por um lado, o processo de romanização trouxe conflitos com o governo e o catolicismo popular, por outro lado não se pode negar a aceitação que teve no meio do povo. A crise que vinha de meados do século 18 o deixara espiritualmente abandonado, e a presença dos novos missionários, sacerdotes, religiosas, foi saudada com alegria. Multiplicaram-se as dioceses, paróquias, centros missionários, obras assistenciais, oferecendo à população um novo alento. Mas permanece um desafio profundo: como encarnar o Evangelho na cultura brasileira? Como evangelizar a partir da cultura popular, quando uma teologia ainda marcadamente européia dificulta os agentes de pastoral a trabalhar com a alma e os símbolos populares? Você encontrará a história completa que estamos apresentando, no livro: "Brasil: 500 anos de Evangelização". Para Refletir 1.º Em que consistia o catolicismo popular? 2.º Quais os objetivos da romanização da Igreja no Brasil? 3.º Qual a contribuição da vinda de congregações européias, sobretudo no que diz respeito à educação? |
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