Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Igreja no Brasil
Queremos
ver Jesus A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nos últimos anos, elaborou dois projetos nacionais de evangelização: Rumo ao Novo Milênio (PRNM - 1997-2000) e Ser Igreja no Novo Milênio (SINM - 2001/2003). Para dar continuidade às experiências e conquistas destes projetos, a Igreja católica no Brasil lança o Projeto Nacional de Evangelização 2004 – 2007, com o tema: QUEREMOS VER JESUS (Jo 12,21), caminho, verdade e vida (Jo 14,6). O objetivo da Igreja é possibilitar a todos um encontro forte e pessoal com Jesus, levando a uma experiência de vida mais profunda e despertando em todos a vocação missionária. ESTRUTURAS E ORIENTAÇÕES O novo Projeto Nacional de Evangelização propõe, durante os próximos quatro anos, temas específicos: Em 2004: Levanta-te e fique de pé no meio de todos - (Lc 6,8), em vista da promoção da dignidade da pessoa. Em 2005: Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça - (Mt 6,33), tendo como objetivo a renovação da comunidade. Em 2006: Ele vos precede na Galiléia, lá o vereis - (Mc 16,7), como motivação para a construção de uma sociedade justa e solidária. Em 2007: Fazei tudo o que Ele vos disser (Jo 2,5) OBJETIVO DO PROJETO Dom Odilo Pedro Scherer, Secretário-Geral da CNBB, afirma que um projeto de evangelização, como a experiência ensina, sempre ajuda a concentrar os esforços para responder melhor às necessidades e urgências do momento. No Brasil, afirma o bispo, temos várias situações que desafiam fortemente a ação evangelizadora da Igreja. Entre elas, uma experiência de fé e de vida eclesial pouco profunda que deixa os batizados com uma identidade cristã católica frágil e sem sentido de pertença à Igreja. Disso decorre, entre outras, o fraco impulso missionário, o empenho cristão não suficientemente assumido na transformação da sociedade, o fácil abandono da Igreja católica e da própria fé. Mas vamos aprofundar algumas destas questões que preocupam a Igreja. MUDANÇAS NO MAPA RELIGIOSO Os participantes da 41.ª Assembléia Geral da CNBB (Itaici, maio de 2003) ficaram impressionados com as grandes mudanças no mapa religioso do Brasil. De acordo com o censo 2000, a filiação religiosa confirma: 1.º A TENDÊNCIA de diminuição do número de católicos e do aumento de adesões aos pentecostais e a outros grupos religiosos. Entre 1991 e 2000, houve uma diminuição de quase 10% dos cristãos católicos. Até 1970, os que se declaravam cristãos católicos eram 91,8%. Em 1991, esse percentual caiu para 83,3% e, em 2000, para 73,9%. Se permanecer essa tendência de queda, o prognóstico é de que, no próximo Censo, os cristãos católicos serão 65%, ou menos. Se permanecer este mesmo índice de crescimento, estima-se que, até 2050, eles serão mais da metade da população do país. 2.º O CRESCIMENTO dos que se declaram sem religião é outro dado novo e impressionante. Nos últimos dez anos, o censo mostra que eles passaram de 4,7% para 7,4%. Em números absolutos, ultrapassaram doze milhões de brasileiros. Este contingente não é constituído apenas de ateus convictos, mas também de pessoas decepcionadas com as práticas religiosas. POR QUE TANTA MUDANÇA? À medida que a sociedade se seculariza, torna-se pluralista. Não há mais uma interpretação hegemônica e única da realidade. Vivemos no mundo da pluralidade de interpretações em todos os campos: profissional, político, educacional, moral, social, incluindo o religioso. Daí um certo relativismo e uma sociedade não coesa, de diferentes práticas sociais e religiosas. Cresce na população a idéia de que todas as religiões são iguais, porque todas buscam a Deus.
Por outro lado, o desenvolvimento da tecnologia, da economia, da cultura e das idéias, pautado no secularismo, acaba por negar a ação de Deus na história e considerar alienados os que crêem nele. Isso também faz aumentar os que se declaram ateus. O fenômeno da descrença e do indiferentismo daqueles que vivem como se não fossem batizados também é preocupante. Nesta sociedade desajustada, quando se esperaria a união de todas as religiões para inverter esta tendência, muitas delas competem entre si, de forma acirrada, na conquista de adeptos. as denominações pentecostais são as que mais se destacam nisso Toda pessoa humana tem o direito de ver, conhecer, ouvir e acolher Jesus em sua vida! ESTRATÉGIAS DOS PENTECOSTAIS Nessa competição por fiéis, as estratégias que os pentecostais usam são: 1.º NÃO ESPERAR os adeptos, mas sair em sua conquista, servindo-se de pessoas que tenham certa influência, como: amigos, vizinhos, namorado/a, professor/ a..., e transformá-las em missionárias, portadoras de um convite. Há visitas domiciliares insistentes pelos obreiros. É missão de todos buscar, conquistar adeptos, promover sua inclusão e participação ativa no grupo. 2.º NO CULTO, procura-se acolher, dar atenção às pessoas, ouvir suas dificuldades, valorizá-las, conhecê-las pelo nome, endereço e profissão. Busca-se envolvê-las no culto, ajudá-las a participar ativamente da celebração, do canto, dos gestos, a manifestar seus sentimentos e dons. A equipe do culto se faz presente no meio da assembléia para orientar o manuseio da Bíblia, a gestualidade e o monitoramento dos fiéis para a uniformidade de atitudes, segundo os estímulos do pastor. O que mais proporciona impacto é o testemunho de vida dos “convertidos”, bem como de pessoas de projeção social. 3.º COBRANÇA de compromissos de fidelidade à Igreja: Através do recurso à conduta moral, escolas dominicais ou bíblicas, grandes caminhadas e concentrações, auxílio financeiro em momentos de necessidade, cobrança do dízimo, vestuário “padronizado” como forma de identificar os “irmãos”, etc. A conversão pessoal é muito ressaltada: mudança de comportamento, deixar os vícios, fazer as pazes, etc. O poder demoníaco: fala-se muito nisso, gerando medo e dependência. Infelizmente, não faltam ataques a outras religiões e, de modo particular, à Igreja RECADO AOS CATÓLICOS Um olhar superficial sobre os resultados das pesquisas poderia sugerir que os evangélicos pentecostais estão respondendo melhor aos novos desafios nesta época de passagem de uma vida mais simples para uma sociedade altamente informatizada. Há muitas reservas, entretanto, em tudo que diz respeito a este avanço dos pentecostais. Nesse universo de transformações, a religião pode ser, para alguns, um produto a mais no mercado, a serviço da tranqüilidade interior, do sucesso, da cura e do bem-estar pessoal.
Será que era este o ideal cristão que Jesus propôs aos seus seguidores? Segundo Pe. Alberto Antoniazzi, a compreensão bíblico-cristã de religião sofre uma inversão na sociedade moderna. Em lugar de servir a Deus, a religião passa a “servirse” de Deus, transformada num espaço para resolução de problemas, de consolo e de compensação. A antiga religião da “salvação” se transforma em religião da “saúde”. REAFIRMAR AS CONVICÇÕES Após estas considerações, é bom que o católico se pergunte: Afinal, o que é Igreja? Por que fico na minha Igreja? Brevemente podemos definir que a Igreja, comunidade do seguimento de Jesus, nasceu a partir da experiência da Páscoa, quando um grupo acreditou na ressurreição de Jesus e descobriu sua identidade completa. Mas foi com a descida do Espírito Santo que ela se manifestou ao mundo. Portanto, a igreja não surgiu porque algumas pessoas se reuniram e decidiram fundá-la. A iniciativa de formar a Igreja não veio dos homens, mas de Deus. Na carta apostólica Ecclesia in America, o Papa manifesta a sua preocupação dizendo: “As conquistas do proselitismo das seitas e dos novos grupos religiosos na América não podem ser encaradas com indiferença. Exigem da Igreja um profundo estudo, a ser realizado em cada nação, para descobrir os motivos de tantos católicos abandonarem a Igreja.” RESPOSTAS ADEQUADAS Os bispos do Estado de São Paulo, refletindo sobre esta situação, concluíram que existem necessidades religiosas que não estão recebendo respostas adequadas por parte da ação evangelizadora e pastoral da Igreja católica. É preciso que descubramos nossos limites e criar um projeto de ação missionária permanente, através da qual o Evangelho seja anunciado de modo mais dinâmico e vivo a todos aqueles que procuram, na transcendência, o sentido da vida.
A ação pastoral da Igreja, dos bispos, padres, consagrados e leigos engajados, deve responder às exigências do homem, sobretudo do homem urbano que mais está sofrendo pelas múltiplas e rápidas mudanças. Isto requer uma revisão das pastorais e das paróquias que precisam ampliar e aprofundar a comunicação interna e externa, sobretudo por meio do serviço, do diálogo, do anúncio e do testemunho de comunhão. É necessário também aprimorar a formação e a vocação apostólica dos leigos e incentivar novas formas de organização da vida eclesial. ESPÍRITO MISSIONÁRIO
Este novo projeto de evangelização reveste-se de forte caráter missionário, pois pretende que os evangelizados se transformem em evangelizadores cada vez mais conscientes e ativos. É preciso criar uma cultura missionária nas comunidades, que permeie as celebrações, a formação do sacerdote,dos agentes de pastoral e dos fiéis. Crie-se o hábito das Missões Populares permanentes para aproximar, conhecer e animar as pessoas de hoje que sofrem de isolamento. Pe. Paulo De Coppi - PIME PISTAS DE AÇÃO
PARA REFLETIR 1. Quais as suas primeiras considerações
diante deste novo projeto de evangelização? |
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